Diante das funcionalidades do Blogger, volto a publicar neste endereço textos opinativos e informativos, nesta retomada das atividades online.
De qualquer modo, o endereço http://blog.atualmidia.com/ continua no ar, com um arquivo já considerável, com destaque para as edições do caderno Contexto, que publiquei na Tribuna Feirense durante 15 semanas em 2008.
20.2.09
23.9.06
O voto nulo
As ruas foram tomadas, agora às vésperas da votação, por uma campanha em out-doors pregando o voto nulo. A opção é tentadora. Já pareceu assim também a mim, que estava disposto até a participar da pregação contra o voto. Antes, porém, precisaria me convencer de que se trata de uma boa opção. Não consegui me convencer.
Quem está indignado? Apenas os mais conscientes. Quem é consciente, tende a escolher melhor seus candidatos. Embora não esteja livre de se enganar ou ser enganado. Mas a perda destes votos conscientes só iria beneficiar os piores da política, aqueles que têm seus currais eleitorais e que compram votos e não dependem da consciência de ninguém para vencer uma eleição.
Está claro pelas pesquisas que a maior parte do eleitorado não compartilha da idéia de anular o voto. Propaga-se uma informação de que com mais da metade dos votos anulados, anula-se a eleição. A idéia é atraente, pelo impacto que isto causaria, por expressar o quanto a sociedade está indignada. Mas seria um grande risco. Varreríamos do Congresso políticos melhores, eleitos pelas pessoas conscientes, deixando o Legislativo para os conhecidos curraleiros e mercadores de votos, continuadores dos mensaleiros, sanguessugas e outros bichos.
“Não é o voto que se invalida, mas o eleitor”, advertiu Gustavo IOSCHPE, que é mestre em desenvolvimento econômico pela Universidade Yale (EUA), em artigo publicado no último dia 6 na Folha de São Paulo. É fácil constatar isso com uma conta bem simples, que reproduzo do artigo:
“Imagine que o eleitorado consiste de cem votantes e que 41 pretendem votar no candidato A, 24, no B, 10, no C e 5, no D. Vinte pretendem anular/votar em branco/ficar em casa. Resultado: com 41 de 80 votos válidos, o candidato A se elege em primeiro turno. Se os 20 descontentes espalhassem seus votos entre os outros candidatos, teríamos segundo turno”.
Prossegue o articulista: “Quando uma pessoa politizada a ponto de querer usar o voto como arma de protesto o joga fora, o que ela está fazendo é reforçar o peso dos outros eleitores. Delega-se a escolha para pessoas que talvez se importem menos. Aquele que quer anular seu voto por protesto ao sistema vai acabar reforçando os mandarins do sistema que rejeita. Não faz sentido”.
Portanto, leitor, pense, escolha e vote. Pelo menos nesta eleição, com a proibição da boca de urna (o que já será uma maneira de reduzir a influência do poder econômico) você terá direito a votar em paz e pensar bem no que está fazendo. Boa sorte para todos nós.
Publicado na Tribuna Feirense em 23/09/06
Quem está indignado? Apenas os mais conscientes. Quem é consciente, tende a escolher melhor seus candidatos. Embora não esteja livre de se enganar ou ser enganado. Mas a perda destes votos conscientes só iria beneficiar os piores da política, aqueles que têm seus currais eleitorais e que compram votos e não dependem da consciência de ninguém para vencer uma eleição.
Está claro pelas pesquisas que a maior parte do eleitorado não compartilha da idéia de anular o voto. Propaga-se uma informação de que com mais da metade dos votos anulados, anula-se a eleição. A idéia é atraente, pelo impacto que isto causaria, por expressar o quanto a sociedade está indignada. Mas seria um grande risco. Varreríamos do Congresso políticos melhores, eleitos pelas pessoas conscientes, deixando o Legislativo para os conhecidos curraleiros e mercadores de votos, continuadores dos mensaleiros, sanguessugas e outros bichos.
“Não é o voto que se invalida, mas o eleitor”, advertiu Gustavo IOSCHPE, que é mestre em desenvolvimento econômico pela Universidade Yale (EUA), em artigo publicado no último dia 6 na Folha de São Paulo. É fácil constatar isso com uma conta bem simples, que reproduzo do artigo:
“Imagine que o eleitorado consiste de cem votantes e que 41 pretendem votar no candidato A, 24, no B, 10, no C e 5, no D. Vinte pretendem anular/votar em branco/ficar em casa. Resultado: com 41 de 80 votos válidos, o candidato A se elege em primeiro turno. Se os 20 descontentes espalhassem seus votos entre os outros candidatos, teríamos segundo turno”.
Prossegue o articulista: “Quando uma pessoa politizada a ponto de querer usar o voto como arma de protesto o joga fora, o que ela está fazendo é reforçar o peso dos outros eleitores. Delega-se a escolha para pessoas que talvez se importem menos. Aquele que quer anular seu voto por protesto ao sistema vai acabar reforçando os mandarins do sistema que rejeita. Não faz sentido”.
Portanto, leitor, pense, escolha e vote. Pelo menos nesta eleição, com a proibição da boca de urna (o que já será uma maneira de reduzir a influência do poder econômico) você terá direito a votar em paz e pensar bem no que está fazendo. Boa sorte para todos nós.
Publicado na Tribuna Feirense em 23/09/06
18.9.06
Todos pela educação
A Bahia tem um dos piores desempenhos nacionais na área do ensino fundamental, de acordo com a medição feita em todo o país pelo MEC, através da Prova Brasil. Piores que a Bahia, somente cinco outros estados do Nordeste.
O trágico é que a Bahia está entre os últimos estados do Brasil, que é um dos últimos países do mundo em educação, de acordo com exame internacional realizado em 40 nações (PISA). Em resumo, alunos de 8ª série têm conhecimento equivalente à 4ª e os de 4ª sabem nada, nem ler.
Em Feira de Santana, o desastre é o mesmo, com o agravante de que as escolas municipais obtiveram resultados um pouco piores que as estaduais (os resultados, escola por escola, estão na edição de lançamento da revista Atual, que está nas bancas da cidade).
Por que chegamos tão fundo neste poço de ignorância? Com certeza, uma das razões é que nunca se deu prioridade à educação. O Brasil se propôs a erradicar a poliomielite das crianças e conseguiu. A Bahia se propôs a erradicar a febre aftosa do gado e conseguiu. O Brasil se propôs a fazer aviões e conseguiu. Se propôs a explorar petróleo e em 53 anos saiu do zero para a quase auto-suficiência (não é verdade que deixamos de comprar petróleo, como o governo federal quer nos fazer pensar).
Na educação, foram estabelecidas apenas duas grandes metas para inglês ver: colocar todas as crianças na escola e tirar as crianças do trabalho para as salas de aula (embora o trabalho infantil ainda seja muito presente, mesmo com o PETI). Mas esta escola que temos está servindo mais como abrigo de menores. Em matéria de aprendizado, nada.
Feira de Santana mesma pode ser um caso exemplar de como a educação está no fim da fila das prioridades. Sob o comando do prefeito José Ronaldo, que está perto da metade do segundo mandato, aumentou-se a arrecadação, recuperou-se a capacidade de investimento do município, abriram-se avenidas, foi feita muita pavimentação, reabertos postos de saúde, implantados serviços que não havia, como SAMU. Foram atraídos empreendimentos industriais importantes e recuperou-se força e prestígio para os grandes eventos anuais (Micareta, São João e Expofeira).
Mas a educação é uma ruína que nem a reforma de algumas escolas ou o esforço de educadores comprometidos com o trabalho consegue esconder. E por quê? Também porque a sociedade não cobra e não se importa. As pessoas não cobram educação como cobram saúde, transporte, segurança e emprego. E a política, todos sabemos, é movida fundamentalmente pela pressão. Sob pressão cassam-se mandatos, demitem-se amigos, faz-se reforma agrária, legalizam-se vans e motoboys. Sem pressão, deixa-se como está, para ver como é que fica.
Oxalá consiga a iniciativa dos maiores empresários do país (www.todospelaeducacao.org.br), lançada no último dia 6, alcançar o objetivo de transformar a educação em obsessão nacional, muito mais que futebol e Copa do Mundo. Não existe outra forma de sairmos do atoleiro em que nos metemos há décadas.
Publicado na Tribuna Feirense em 16/09/06
O trágico é que a Bahia está entre os últimos estados do Brasil, que é um dos últimos países do mundo em educação, de acordo com exame internacional realizado em 40 nações (PISA). Em resumo, alunos de 8ª série têm conhecimento equivalente à 4ª e os de 4ª sabem nada, nem ler.
Em Feira de Santana, o desastre é o mesmo, com o agravante de que as escolas municipais obtiveram resultados um pouco piores que as estaduais (os resultados, escola por escola, estão na edição de lançamento da revista Atual, que está nas bancas da cidade).
Por que chegamos tão fundo neste poço de ignorância? Com certeza, uma das razões é que nunca se deu prioridade à educação. O Brasil se propôs a erradicar a poliomielite das crianças e conseguiu. A Bahia se propôs a erradicar a febre aftosa do gado e conseguiu. O Brasil se propôs a fazer aviões e conseguiu. Se propôs a explorar petróleo e em 53 anos saiu do zero para a quase auto-suficiência (não é verdade que deixamos de comprar petróleo, como o governo federal quer nos fazer pensar).
Na educação, foram estabelecidas apenas duas grandes metas para inglês ver: colocar todas as crianças na escola e tirar as crianças do trabalho para as salas de aula (embora o trabalho infantil ainda seja muito presente, mesmo com o PETI). Mas esta escola que temos está servindo mais como abrigo de menores. Em matéria de aprendizado, nada.
Feira de Santana mesma pode ser um caso exemplar de como a educação está no fim da fila das prioridades. Sob o comando do prefeito José Ronaldo, que está perto da metade do segundo mandato, aumentou-se a arrecadação, recuperou-se a capacidade de investimento do município, abriram-se avenidas, foi feita muita pavimentação, reabertos postos de saúde, implantados serviços que não havia, como SAMU. Foram atraídos empreendimentos industriais importantes e recuperou-se força e prestígio para os grandes eventos anuais (Micareta, São João e Expofeira).
Mas a educação é uma ruína que nem a reforma de algumas escolas ou o esforço de educadores comprometidos com o trabalho consegue esconder. E por quê? Também porque a sociedade não cobra e não se importa. As pessoas não cobram educação como cobram saúde, transporte, segurança e emprego. E a política, todos sabemos, é movida fundamentalmente pela pressão. Sob pressão cassam-se mandatos, demitem-se amigos, faz-se reforma agrária, legalizam-se vans e motoboys. Sem pressão, deixa-se como está, para ver como é que fica.
Oxalá consiga a iniciativa dos maiores empresários do país (www.todospelaeducacao.org.br), lançada no último dia 6, alcançar o objetivo de transformar a educação em obsessão nacional, muito mais que futebol e Copa do Mundo. Não existe outra forma de sairmos do atoleiro em que nos metemos há décadas.
Publicado na Tribuna Feirense em 16/09/06
11.9.06
Direito pela metade
Pareceu salutar que a Justiça tenha dito à Caixa Econômica Federal que deve cumprir a lei dos 15 minutos. A mim não pareceu, a partir do momento em que se concedeu ao banco estatal o privilégio de descumprir esta obrigação, quando se trata das pessoas que vão às agências em busca de atendimento para os demais serviços exclusivos do banco público, tais como saque de FGTS, seguro-desemprego e outros.
A Caixa é obrigada a receber esta massa de trabalhadores que superlota suas filas e guichês. Mas certamente não está fazendo favor e lucra com esta exclusividade. Muitos outros bancos gostariam de repartir com ela este peso. A vítima, digo, o cidadão que vai ao banco, este sim não teve direito de escolha. Ele é obrigado a ir à Caixa porque não lhe deram a opção de ir a outro lugar.
No entanto, se a Caixa tiver que cumprir os 15 minutos apenas para os correntistas, sob pena de pagamento de multa, poderá relegar (mais do que já faz) a segundo plano estes tantos trabalhadores que recorrerão a ela por falta de opção. E tudo isso por quê? Porque não se trata de uma relação de consumo. Ou seja, como o trabalhador não é correntista, não é cliente, a Caixa não tem obrigações com ele.
Eis que estamos num contexto em que o respeito à dignidade das pessoas não existe. Só tem valor o consumidor. E isso numa sociedade empobrecida em que milhões ainda não atingiram este estágio da evolução humana que é ser um consumidor.
O cidadão não vale nada e não merece ser beneficiado pela regra dos 15 minutos, regra que veio bem a calhar para colocar um mínimo de decência na relação das pessoas com os bancos, neste país em que as empresas do setor financeiro dão as cartas.
Essa exacerbação do valor comercial das coisas faz lembrar a abordagem freqüente da questão do deficiente como alguém que "é tão produtivo quanto qualquer outro trabalhador". Como se o deficiente só fosse digno de consideração por ser capaz de produzir. Ora, reforçar esta visão é condenar a uma vida de eterna indignidade os que não são capazes de produzir, pois muitos efetivamente não são, devido à gravidade de sua deficiência. Se o deficiente pode produzir, trabalhando numa empresa, ótimo. Ele mesmo se sentirá muito melhor, integrado ao sistema que o cerca. Mas se não for, uma sociedade decente precisa prover os meios para que ele tenha uma vida digna, com respeito aos direitos que todo ser humano tem, independente de ser ou não produtivo no sentido capitalista do termo.
"O" ELEITOR
Cada eleitor tem direito a dar um voto. Neste sentido o prefeito José Ronaldo é igual ao José da Silva Lima, um anônimo que compareça diante da urna na mais remota seção de distrito. Porém nesta eleição, o voto de José Ronaldo está tendo o peso multiplicado. Seu apoio é disputado pelos principais candidatos do grupo político. Uns, como Rodolpho Tourinho, porque precisam desesperadamente de ajuda para subir a ladeira. Outros, porque querem mostrar que são mais amigos de Ronaldo do que o colega ao lado (alguns visando o lugar de honra no palanque de 2008, quando Ronaldo não poderá mais se reeleger).
Na propaganda que nos cerca com intensidade cada vez maior à medida que nos aproximamos do pleito, Jairo, Fabinho, Geilson e Eliana, todos são "candidatos de José Ronaldo". Tarcízio Pimenta, que até outro dia fazia bico para o prefeito, colocou uma mensagem em circulação nos seus carros de som onde dirige um "agradecimento especial pelo empenho de Ronaldo à continuidade de sua luta na Assembléia Legislativa". E até na propaganda de Paulo Souto, que não precisa, lá está Ronaldo a testemunhar.
Como se vê, mesmo sem ser candidato, Ronaldo está cotadíssimo nestas eleições.
A Caixa é obrigada a receber esta massa de trabalhadores que superlota suas filas e guichês. Mas certamente não está fazendo favor e lucra com esta exclusividade. Muitos outros bancos gostariam de repartir com ela este peso. A vítima, digo, o cidadão que vai ao banco, este sim não teve direito de escolha. Ele é obrigado a ir à Caixa porque não lhe deram a opção de ir a outro lugar.
No entanto, se a Caixa tiver que cumprir os 15 minutos apenas para os correntistas, sob pena de pagamento de multa, poderá relegar (mais do que já faz) a segundo plano estes tantos trabalhadores que recorrerão a ela por falta de opção. E tudo isso por quê? Porque não se trata de uma relação de consumo. Ou seja, como o trabalhador não é correntista, não é cliente, a Caixa não tem obrigações com ele.
Eis que estamos num contexto em que o respeito à dignidade das pessoas não existe. Só tem valor o consumidor. E isso numa sociedade empobrecida em que milhões ainda não atingiram este estágio da evolução humana que é ser um consumidor.
O cidadão não vale nada e não merece ser beneficiado pela regra dos 15 minutos, regra que veio bem a calhar para colocar um mínimo de decência na relação das pessoas com os bancos, neste país em que as empresas do setor financeiro dão as cartas.
Essa exacerbação do valor comercial das coisas faz lembrar a abordagem freqüente da questão do deficiente como alguém que "é tão produtivo quanto qualquer outro trabalhador". Como se o deficiente só fosse digno de consideração por ser capaz de produzir. Ora, reforçar esta visão é condenar a uma vida de eterna indignidade os que não são capazes de produzir, pois muitos efetivamente não são, devido à gravidade de sua deficiência. Se o deficiente pode produzir, trabalhando numa empresa, ótimo. Ele mesmo se sentirá muito melhor, integrado ao sistema que o cerca. Mas se não for, uma sociedade decente precisa prover os meios para que ele tenha uma vida digna, com respeito aos direitos que todo ser humano tem, independente de ser ou não produtivo no sentido capitalista do termo.
"O" ELEITOR
Cada eleitor tem direito a dar um voto. Neste sentido o prefeito José Ronaldo é igual ao José da Silva Lima, um anônimo que compareça diante da urna na mais remota seção de distrito. Porém nesta eleição, o voto de José Ronaldo está tendo o peso multiplicado. Seu apoio é disputado pelos principais candidatos do grupo político. Uns, como Rodolpho Tourinho, porque precisam desesperadamente de ajuda para subir a ladeira. Outros, porque querem mostrar que são mais amigos de Ronaldo do que o colega ao lado (alguns visando o lugar de honra no palanque de 2008, quando Ronaldo não poderá mais se reeleger).
Na propaganda que nos cerca com intensidade cada vez maior à medida que nos aproximamos do pleito, Jairo, Fabinho, Geilson e Eliana, todos são "candidatos de José Ronaldo". Tarcízio Pimenta, que até outro dia fazia bico para o prefeito, colocou uma mensagem em circulação nos seus carros de som onde dirige um "agradecimento especial pelo empenho de Ronaldo à continuidade de sua luta na Assembléia Legislativa". E até na propaganda de Paulo Souto, que não precisa, lá está Ronaldo a testemunhar.
Como se vê, mesmo sem ser candidato, Ronaldo está cotadíssimo nestas eleições.
2.9.06
Para o senado, ACM
Vote em quem você quiser entre os principais candidatos ao Senado e estará levando um pouquinho mais de ACM a Brasília. Nem todos gostam de ser lembrados disso, mas todos são crias do mesmo. João Durval é o que há mais tempo deixou o grupo, mas foi como carlista que chegou ao governo do estado e angariou, por méritos próprios, vale dizer, o prestígio de que ainda desfruta e que o faz um dos favoritos ao Senado. Tanto identifica-se com os antigos companheiros que chegou-se a especular sobre uma possível aliança com o PFL, conversas que deram em nada depois que o TSE decidiu moralizar um pouquinho a disputa, mantendo a verticalização.
Imbassahy, tucano novo, é o que tem a situação mais difícil de conciliar em matéria de coerência; e conseqüentemente a maneira mais envergonhada de lidar com sua herança pefelista. Quer ser ao mesmo tempo uma opção para oposicionistas, sem perder seus votos carlistas. Apresenta-se como "senador de toda a Bahia" e "novo senador da Bahia", numa tentativa de transformar em vantagem a própria falta de identidade. A confusão é tamanha que vai ainda mais longe, pois em sua propaganda no rádio disse que vai estar "ao lado do presidente", reivindicando em favor da Bahia. Deve estar fazendo confusão porque PFL e PSDB, embora aliados a nível nacional, são inimigos na Bahia. Terá deduzido que sendo assim, o PSDB em Brasília está com o PT. Precisa ser avisado que seu parceiro no PSDB baiano, Jutahy Júnior, é um dos mais implacáveis críticos do governo Lula.
Mas na eleição o candidato carlista mesmo é Rodolfo Tourinho. Perdão, Rodolpho Tourinho. Também não me cobrem um conhecimento profundo sobre o homem, pois até em sua página oficial de senador na internet se pode encontrar o nome grafado das duas formas. Não sou o único que não conhece o Tourinho. O sobrenome até que é razoavelmente popular na Bahia. Talvez fosse o caso do seu pessoal de marketing trabalhar o sobrenome, fazendo o contrário do que fizeram os marketeiros do Alckmin, o Geraldo. Muitos feirenses, por exemplo, fazendo confusão, poderiam votar no Rodolpho pensando se tratar do vereador Roberto Tourinho, certamente mais conhecido por estas bandas, embora de oposição ao PFL (se bem que já foi aliado também em outros tempos). Em Salvador, fez fama Arx Tourinho, destacado advogado, falecido em janeiro do ano passado, que presidiu a OAB e era da cota dos desafetos de ACM. Se seu sobrenome ajudasse a empurrar o pesado candidato, tanto melhor. Seria até uma espécie de vingança para o cabeça branca depois dos aborrecimentos que passou nos embates com o destemido jurista.
Afinal, apesar de seus ex-pupilos Durval e Imbassahy estarem perto da eleição, para ACM não é vantagem alguma, pois desta vez ele queria é o Rodolpho. A vitória de Rodolpho poderia ser a desmoralização da urna eletrônica, pois é difícil acreditar em suas chances de reabilitação nesta campanha. A derrota será a desmoralização da teoria de que "ACM elege até um poste". A tese já foi abalada pela vexatória derrota de César Borges na eleição para a Prefeitura de Salvador em 2004. Tratava-se na ocasião de um candidato que tinha sido governador, ou seja, ao contrário do senador Tourinho, amplamente conhecido. Mesmo assim, por muito pouco não ficou em terceiro, atrás do petista Pellegrino. Agora, o previsível fracasso do candidato pefelista abalaria definitivamente a fama de invencível do líder do carlismo, embora seja conveniente inclusive para os que, dentro do próprio PFL, querem ver ACM perder força.
Aliás, fora uns muros pintados na véspera da carreata para dar satisfação ao candidato e seu padrinho, onde está a campanha de Rodolpho Tourinho em Feira, o segundo mais importante colégio eleitoral do estado?
Publicado em 02/09/06 na Tribuna Feirense
Imbassahy, tucano novo, é o que tem a situação mais difícil de conciliar em matéria de coerência; e conseqüentemente a maneira mais envergonhada de lidar com sua herança pefelista. Quer ser ao mesmo tempo uma opção para oposicionistas, sem perder seus votos carlistas. Apresenta-se como "senador de toda a Bahia" e "novo senador da Bahia", numa tentativa de transformar em vantagem a própria falta de identidade. A confusão é tamanha que vai ainda mais longe, pois em sua propaganda no rádio disse que vai estar "ao lado do presidente", reivindicando em favor da Bahia. Deve estar fazendo confusão porque PFL e PSDB, embora aliados a nível nacional, são inimigos na Bahia. Terá deduzido que sendo assim, o PSDB em Brasília está com o PT. Precisa ser avisado que seu parceiro no PSDB baiano, Jutahy Júnior, é um dos mais implacáveis críticos do governo Lula.
Mas na eleição o candidato carlista mesmo é Rodolfo Tourinho. Perdão, Rodolpho Tourinho. Também não me cobrem um conhecimento profundo sobre o homem, pois até em sua página oficial de senador na internet se pode encontrar o nome grafado das duas formas. Não sou o único que não conhece o Tourinho. O sobrenome até que é razoavelmente popular na Bahia. Talvez fosse o caso do seu pessoal de marketing trabalhar o sobrenome, fazendo o contrário do que fizeram os marketeiros do Alckmin, o Geraldo. Muitos feirenses, por exemplo, fazendo confusão, poderiam votar no Rodolpho pensando se tratar do vereador Roberto Tourinho, certamente mais conhecido por estas bandas, embora de oposição ao PFL (se bem que já foi aliado também em outros tempos). Em Salvador, fez fama Arx Tourinho, destacado advogado, falecido em janeiro do ano passado, que presidiu a OAB e era da cota dos desafetos de ACM. Se seu sobrenome ajudasse a empurrar o pesado candidato, tanto melhor. Seria até uma espécie de vingança para o cabeça branca depois dos aborrecimentos que passou nos embates com o destemido jurista.
Afinal, apesar de seus ex-pupilos Durval e Imbassahy estarem perto da eleição, para ACM não é vantagem alguma, pois desta vez ele queria é o Rodolpho. A vitória de Rodolpho poderia ser a desmoralização da urna eletrônica, pois é difícil acreditar em suas chances de reabilitação nesta campanha. A derrota será a desmoralização da teoria de que "ACM elege até um poste". A tese já foi abalada pela vexatória derrota de César Borges na eleição para a Prefeitura de Salvador em 2004. Tratava-se na ocasião de um candidato que tinha sido governador, ou seja, ao contrário do senador Tourinho, amplamente conhecido. Mesmo assim, por muito pouco não ficou em terceiro, atrás do petista Pellegrino. Agora, o previsível fracasso do candidato pefelista abalaria definitivamente a fama de invencível do líder do carlismo, embora seja conveniente inclusive para os que, dentro do próprio PFL, querem ver ACM perder força.
Aliás, fora uns muros pintados na véspera da carreata para dar satisfação ao candidato e seu padrinho, onde está a campanha de Rodolpho Tourinho em Feira, o segundo mais importante colégio eleitoral do estado?
Publicado em 02/09/06 na Tribuna Feirense
26.8.06
Pontos estratégicos
Em televisão existe uma coisa que se chama Nota-pé, que vem encerrando, como fechamento de um assunto que estava sendo tratado em reportagem anterior. Por exemplo: "Tentamos falar com o deputado acusado de integrar a quadrilha das sanguessugas, mas ele não foi encontrado". Em boa parte das vezes a Nota pé é lida com um misto de ironia e desilusão, pois serve para dar satisfação ao telespectador, ao mesmo tempo em que informa, porém com outras palavras, que uma determinada autoridade não estava fazendo a parte que lhe cabia.
Assim foi esta semana, depois que o telejornal da TV Subaé noticiou o acidente com uma van do transporte alternativo no Novo Horizonte, em que mais de uma dezena de pessoas ficou ferida, pois o veículo superlotado capotou depois de bater numa mobilete. Pode-se dizer – ainda que seja um tanto macabro – que foi sorte termos um único morto (e que por sinal não estava na van). Então a Nota-pé informou que o funcionário responsável na secretaria de transportes, questionado sobre a superlotação, disse que os fiscais estão diariamente nas ruas em pontos estratégicos fazendo a fiscalização.
Foi com espanto que ouvi esta explicação. Seria importante saber que penalidades são aplicadas e se de fato são cumpridas. Onde moro talvez não seja um ponto estratégico. Porque todo santo dia estão lá as vans superlotadas, vindas da zona rural. Tem gente "sentada" no vidro das janelas (bunda no vidro, ombros e cabeça no teto). Nenhuma providência é adotada. Possivelmente não passou por lá nenhum fiscal. Mas talvez eu esteja morando longe. É razoável supor que um "ponto estratégico" seja o centro da cidade. Por exemplo, ali em frente ao jardim adotado pelo J. Santos na avenida Getúlio Vargas existe um ponto de transporte coletivo dos mais movimentados da cidade. Se algum fiscal andar por lá vai ter dificuldade em encontrar alguma van que não passe superlotada.
Mas peraí. Pode estar havendo uma confusão de conceitos sobre o que seriam os "pontos estratégicos", claro. Ponto estratégico pode bem ser um lugar onde não passa van nenhuma. Onde não haja transporte nem alternativo. Num lugar assim, não existem vans superlotadas. Deve ser lá, estrategicamente, que se encontram os fiscais.
Comercial eleitoral
No rádio, ouve-se uma voz apregoar as virtudes do Partido do Remédio Barato. É horário comercial, não horário eleitoral. O propagandista fala que o partido já fez muito pelo povo e vai continuar fazendo, se você ajudar. O falante não se identifica, mas a voz parece muito com a de João Borges, aspirante a deputado federal.
Mas não pode ser, João Borges é candidato, como pode aparecer fazendo propaganda de sua empresa, se ele saiu dos comerciais (junto com a Mamãe) justamente quando homologou sua candidatura? Seria uma exposição maciça e possivelmente irregular de sua imagem, passível de ser enquadrada como abuso de poder econômico. Então na TV desfaz-se o mistério. A propaganda é com João Borges, mas um da segunda geração. Em geral, atores de comerciais não são identificados. Mas neste caso, lá está o nome creditado, como um apresentador de TV: JOÃO BORGES FILHO.
Assim, espertamente, o candidato pai dá um jeito de driblar as restrições legais e aumentar a exposição de seu nome, ainda insinuando sutilmente na propaganda que se você votar em João Borges o remédio barato seguirá firme e forte.
Ainda que disfarçada, é propaganda eleitoral. Mas parece que os outros candidatos não se importam, pois não questionam.
Publicado na Tribuna Feirense em 26/08/06
Assim foi esta semana, depois que o telejornal da TV Subaé noticiou o acidente com uma van do transporte alternativo no Novo Horizonte, em que mais de uma dezena de pessoas ficou ferida, pois o veículo superlotado capotou depois de bater numa mobilete. Pode-se dizer – ainda que seja um tanto macabro – que foi sorte termos um único morto (e que por sinal não estava na van). Então a Nota-pé informou que o funcionário responsável na secretaria de transportes, questionado sobre a superlotação, disse que os fiscais estão diariamente nas ruas em pontos estratégicos fazendo a fiscalização.
Foi com espanto que ouvi esta explicação. Seria importante saber que penalidades são aplicadas e se de fato são cumpridas. Onde moro talvez não seja um ponto estratégico. Porque todo santo dia estão lá as vans superlotadas, vindas da zona rural. Tem gente "sentada" no vidro das janelas (bunda no vidro, ombros e cabeça no teto). Nenhuma providência é adotada. Possivelmente não passou por lá nenhum fiscal. Mas talvez eu esteja morando longe. É razoável supor que um "ponto estratégico" seja o centro da cidade. Por exemplo, ali em frente ao jardim adotado pelo J. Santos na avenida Getúlio Vargas existe um ponto de transporte coletivo dos mais movimentados da cidade. Se algum fiscal andar por lá vai ter dificuldade em encontrar alguma van que não passe superlotada.
Mas peraí. Pode estar havendo uma confusão de conceitos sobre o que seriam os "pontos estratégicos", claro. Ponto estratégico pode bem ser um lugar onde não passa van nenhuma. Onde não haja transporte nem alternativo. Num lugar assim, não existem vans superlotadas. Deve ser lá, estrategicamente, que se encontram os fiscais.
Comercial eleitoral
No rádio, ouve-se uma voz apregoar as virtudes do Partido do Remédio Barato. É horário comercial, não horário eleitoral. O propagandista fala que o partido já fez muito pelo povo e vai continuar fazendo, se você ajudar. O falante não se identifica, mas a voz parece muito com a de João Borges, aspirante a deputado federal.
Mas não pode ser, João Borges é candidato, como pode aparecer fazendo propaganda de sua empresa, se ele saiu dos comerciais (junto com a Mamãe) justamente quando homologou sua candidatura? Seria uma exposição maciça e possivelmente irregular de sua imagem, passível de ser enquadrada como abuso de poder econômico. Então na TV desfaz-se o mistério. A propaganda é com João Borges, mas um da segunda geração. Em geral, atores de comerciais não são identificados. Mas neste caso, lá está o nome creditado, como um apresentador de TV: JOÃO BORGES FILHO.
Assim, espertamente, o candidato pai dá um jeito de driblar as restrições legais e aumentar a exposição de seu nome, ainda insinuando sutilmente na propaganda que se você votar em João Borges o remédio barato seguirá firme e forte.
Ainda que disfarçada, é propaganda eleitoral. Mas parece que os outros candidatos não se importam, pois não questionam.
Publicado na Tribuna Feirense em 26/08/06
19.8.06
O novo Lula é o velho Lula
Dizem, com razão, que o Lula da eleição de 2002 foi obra de Duda Mendonça. Que o marketeiro apagou do mapa a imagem de homem do povo, deu-lhe um banho de loja, um ar grave, para aparentar preparo, maturidade e competência. Lembra do tempo em que se ouvia dizer “eu não voto nesse Lula, que é um ignorante analfabeto despreparado”? Isso desapareceu.
O Lula de Duda Mendonça estava muito mais para empresário que operário. E de repente, em 2006, com Duda expurgado da campanha, o mundo gira e Lula volta para o mesmo lugar de onde saiu. Ele agora é homem do povo, “a cara do Brasil”, como diz sua propaganda.
Em propaganda de candidato grande, nada é por acaso e tudo se faz com base no que dizem as pesquisas. Se em 2002 convinha repaginar o Lula, em 2006 é preciso que as pessoas pensem nele como um amigo ou parente próximo. É que mudou o público-alvo, como diriam os publicitários.
Em 2002, Lula tinha que ter cara de empresário porque precisava do voto da classe média pra cima. Hoje ele se equilibra no topo das intenções de voto graças aos clientes do Bolsa Família. O negócio agora é ser da família do Lula (São milhões de Lulas povoando o Brasil, diz o jingle oficial da campanha).
Nesse ponto o marketing não poderia ser mais acertado. Lula é mesmo a cara do Brasil quando dá um jeitinho de desculpar os companheiros que andaram pisando na bola e até “traindo sua confiança”. Quando demonstra enorme dificuldade em dispensar os amigos que aprontaram. Quando age como se as regras valessem apenas para os desafetos, mas não para os amigos. Quando se finge de santo ingênuo, que não sabia de nada.
Lula tanto é a cara do Brasil que nem nome usa, mas apelido. Já seu adversário é a cara de São Paulo, tanto que não usava o nome, mas sim o sobrenome, como se faz no sisudo Primeiro Mundo, organizado e desenvolvido.
Finalmente os marketeiros do PSDB descobriram que o tucano disputa eleição no Brasil e não em São Paulo e apagaram o Alckmin, fazendo surgir o Geraldo. Prejuízo não vai ter, já que ninguém sabia mesmo quem era o Alckmin (eu mesmo que trabalho com isso, para saber como se escrevia o nome – que tem apenas uma letra I – tive que consultar o site oficial).
Muito dura a vida do tucano. Tem que bater na porta da casa das pessoas com aquela cara de vendedor de enciclopédia. A dona da casa abre, mas atende ali na porta mesmo, não deixa entrar. Dentro, ouve-se um burburinho, umas gargalhadas de gente meio alta de algumas doses a mais. Geraldo ouve uma voz rouca e uns erros de concordância familiares. Como é comprido, espicha o pescoço, dá uma olhada pra dentro e lá está o Lula, sentado na mesa, em altos papos com o outro Lula dono da casa. Assim fica difícil.
Publicado na Tribuna Feirense em 19/08/06
O Lula de Duda Mendonça estava muito mais para empresário que operário. E de repente, em 2006, com Duda expurgado da campanha, o mundo gira e Lula volta para o mesmo lugar de onde saiu. Ele agora é homem do povo, “a cara do Brasil”, como diz sua propaganda.
Em propaganda de candidato grande, nada é por acaso e tudo se faz com base no que dizem as pesquisas. Se em 2002 convinha repaginar o Lula, em 2006 é preciso que as pessoas pensem nele como um amigo ou parente próximo. É que mudou o público-alvo, como diriam os publicitários.
Em 2002, Lula tinha que ter cara de empresário porque precisava do voto da classe média pra cima. Hoje ele se equilibra no topo das intenções de voto graças aos clientes do Bolsa Família. O negócio agora é ser da família do Lula (São milhões de Lulas povoando o Brasil, diz o jingle oficial da campanha).
Nesse ponto o marketing não poderia ser mais acertado. Lula é mesmo a cara do Brasil quando dá um jeitinho de desculpar os companheiros que andaram pisando na bola e até “traindo sua confiança”. Quando demonstra enorme dificuldade em dispensar os amigos que aprontaram. Quando age como se as regras valessem apenas para os desafetos, mas não para os amigos. Quando se finge de santo ingênuo, que não sabia de nada.
Lula tanto é a cara do Brasil que nem nome usa, mas apelido. Já seu adversário é a cara de São Paulo, tanto que não usava o nome, mas sim o sobrenome, como se faz no sisudo Primeiro Mundo, organizado e desenvolvido.
Finalmente os marketeiros do PSDB descobriram que o tucano disputa eleição no Brasil e não em São Paulo e apagaram o Alckmin, fazendo surgir o Geraldo. Prejuízo não vai ter, já que ninguém sabia mesmo quem era o Alckmin (eu mesmo que trabalho com isso, para saber como se escrevia o nome – que tem apenas uma letra I – tive que consultar o site oficial).
Muito dura a vida do tucano. Tem que bater na porta da casa das pessoas com aquela cara de vendedor de enciclopédia. A dona da casa abre, mas atende ali na porta mesmo, não deixa entrar. Dentro, ouve-se um burburinho, umas gargalhadas de gente meio alta de algumas doses a mais. Geraldo ouve uma voz rouca e uns erros de concordância familiares. Como é comprido, espicha o pescoço, dá uma olhada pra dentro e lá está o Lula, sentado na mesa, em altos papos com o outro Lula dono da casa. Assim fica difícil.
Publicado na Tribuna Feirense em 19/08/06
13.8.06
Idéias e conceitos em Segurança Pública
Os conceitos e idéias não são minhas. Apenas destaco o que de mais incrível foi dito pelas autoridades máximas da área na Bahia, de passagem por Feira de Santana, em entrevistas nesta semana que acaba hoje. Pelo conteúdo de suas declarações, é de se imaginar que nossas autoridades estejam atordoadas com a escalada de violência que os pegou de surpresa.
a) Sobram policiais em Feira de Santana. Feira tem policiais demais, pelo que declarou o secretário de Segurança Pública, general Edson de Sá Rocha. Veja, palavra por palavra, o que ele disse em entrevista coletiva a emissoras de rádio: Isso eu já detectei há muito tempo e estamos trabalhando em cima de fazer uma distribuição mais eqüitativa. O problema é que eu vou tirar policiamento de Feira de Santana agora? Agora não tem condições de tirar. Então nós temos que formar mais policiais, e isso é uma determinação do governador para poder buscar o equilíbrio sem desfazer a estrutura que está aí montada. Ou seja, se não fosse o momento de intranqüilidade que se vive neste 2006, já poderíamos ter despachado parte do efetivo que atua aqui para outras cidades que não têm a sorte de contar com um poderoso aparato policial, como a nossa.
b) Falta de viatura ou gasolina é relativo. Pouco depois de admitir que há 20 anos o patrulhamento militar em Feira começava o dia com 40 viaturas e hoje, com o dobro de população são apenas 10 viaturas, o general irritou-se com a pergunta de um repórter sobre a carência de recursos materiais, e, antes de encerrar a entrevista, filosofou: O pouco é uma questão de subjetividade. Pode ser pouco para o senhor, muito para mim e nada para outro.
c) Uma delegacia não precisa de telefone, disse o delegado Edmilson Nunes, chefe da Polícia Civil no estado em visita a Feira de Santana, também em coletiva. Falando sobre a Delegacia de combate ao roubo de cargas, que tem meses na cidade mas não possui telefone, o delegado afirmou que bastam celulares na mão dos policiais. Obviamente o número do telefone destes policiais não pode ser divulgado publicamente. Obviamente também a vítima deste tipo de crime em geral é caminhoneiro, que não conhece a cidade, nem sequer sabe se existe uma delegacia especializada. Este cidadão, que ficou a pé, terá que dar um jeito de encontrar a delegacia. Se a empresa dona da carga, que está em outro estado, quiser falar com a delegacia, vai ficar difícil. Mas nada que um pouco de boa vontade e resignação não possam resolver.
d) A população deve colaborar com a polícia, fazendo denúncias. Essa idéia, sem dúvida, entra em contradição com a anterior. Mas foi outra contribuição do delegado na mesma entrevista. Para que se façam essas denúncias, o delegado sugere um interurbano para Salvador, para 71-3235-0000. Não é gratuito, porque segundo a secretaria de Segurança Pública, 85% das ligações estavam sendo trotes.
e) Os bandidos não colaboram. Não tem compreensão. Explicando que não era fácil colocar delegacias nos bairros mais populosos de Feira, Edmilson Nunes listou uma série de dificuldades burocráticas. “Não é da noite para o dia que podemos instalar uma unidade policial. Você tem que fazer um concurso para novos delegados, para novos agentes, para novos escrivões de polícia. Adquirir armas, munição, e... e... e... viaturas. E tudo isso tem que estar dentro do orçamento. Não pode fazer simplesmente a nomeação de um policial e aquele valor respectivo ao seu salário não estar dentro do orçamento daquele ano. Tanto que há uma previsão orçamentária para o ano de 2007, para novos concursos públicos na área de segurança pública, para que aí a gente possa agregar novos policiais na perspectiva de crescimento da instituição e mais qualidade nestas investigações”. A bandidagem, que é malvada e joga sujo, não respeita as dificuldades nem o calendário do nosso esforçado estado. Aproveitou-se e se danou a agir antes da execução orçamentária de 2007.
Publicado na Tribuna Feirense em 12/08/06
a) Sobram policiais em Feira de Santana. Feira tem policiais demais, pelo que declarou o secretário de Segurança Pública, general Edson de Sá Rocha. Veja, palavra por palavra, o que ele disse em entrevista coletiva a emissoras de rádio: Isso eu já detectei há muito tempo e estamos trabalhando em cima de fazer uma distribuição mais eqüitativa. O problema é que eu vou tirar policiamento de Feira de Santana agora? Agora não tem condições de tirar. Então nós temos que formar mais policiais, e isso é uma determinação do governador para poder buscar o equilíbrio sem desfazer a estrutura que está aí montada. Ou seja, se não fosse o momento de intranqüilidade que se vive neste 2006, já poderíamos ter despachado parte do efetivo que atua aqui para outras cidades que não têm a sorte de contar com um poderoso aparato policial, como a nossa.
b) Falta de viatura ou gasolina é relativo. Pouco depois de admitir que há 20 anos o patrulhamento militar em Feira começava o dia com 40 viaturas e hoje, com o dobro de população são apenas 10 viaturas, o general irritou-se com a pergunta de um repórter sobre a carência de recursos materiais, e, antes de encerrar a entrevista, filosofou: O pouco é uma questão de subjetividade. Pode ser pouco para o senhor, muito para mim e nada para outro.
c) Uma delegacia não precisa de telefone, disse o delegado Edmilson Nunes, chefe da Polícia Civil no estado em visita a Feira de Santana, também em coletiva. Falando sobre a Delegacia de combate ao roubo de cargas, que tem meses na cidade mas não possui telefone, o delegado afirmou que bastam celulares na mão dos policiais. Obviamente o número do telefone destes policiais não pode ser divulgado publicamente. Obviamente também a vítima deste tipo de crime em geral é caminhoneiro, que não conhece a cidade, nem sequer sabe se existe uma delegacia especializada. Este cidadão, que ficou a pé, terá que dar um jeito de encontrar a delegacia. Se a empresa dona da carga, que está em outro estado, quiser falar com a delegacia, vai ficar difícil. Mas nada que um pouco de boa vontade e resignação não possam resolver.
d) A população deve colaborar com a polícia, fazendo denúncias. Essa idéia, sem dúvida, entra em contradição com a anterior. Mas foi outra contribuição do delegado na mesma entrevista. Para que se façam essas denúncias, o delegado sugere um interurbano para Salvador, para 71-3235-0000. Não é gratuito, porque segundo a secretaria de Segurança Pública, 85% das ligações estavam sendo trotes.
e) Os bandidos não colaboram. Não tem compreensão. Explicando que não era fácil colocar delegacias nos bairros mais populosos de Feira, Edmilson Nunes listou uma série de dificuldades burocráticas. “Não é da noite para o dia que podemos instalar uma unidade policial. Você tem que fazer um concurso para novos delegados, para novos agentes, para novos escrivões de polícia. Adquirir armas, munição, e... e... e... viaturas. E tudo isso tem que estar dentro do orçamento. Não pode fazer simplesmente a nomeação de um policial e aquele valor respectivo ao seu salário não estar dentro do orçamento daquele ano. Tanto que há uma previsão orçamentária para o ano de 2007, para novos concursos públicos na área de segurança pública, para que aí a gente possa agregar novos policiais na perspectiva de crescimento da instituição e mais qualidade nestas investigações”. A bandidagem, que é malvada e joga sujo, não respeita as dificuldades nem o calendário do nosso esforçado estado. Aproveitou-se e se danou a agir antes da execução orçamentária de 2007.
Publicado na Tribuna Feirense em 12/08/06
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