Muito mais importante que as contas de Anaci é o que ela ou outro secretário fará pela Educação. A escola de tempo integral, que já com a campanha andando virou promessa de Tarcízio Pimenta começa a se concretizar nesta segunda-feira, quando o governo inaugura a Escola Municipal Professora Célida Soares Rocha, na Rua Nova, para 172 alunos.
Excelente iniciativa, mas o próprio governo se encarrega de frustrar as expectativas de quem aposta no ensino de tempo integral como solução tanto para problemas educacionais quanto sociais.
Pois no mesmo texto em que anuncia a inauguração desta escola, informa os planos para o futuro: "No próximo ano a Prefeitura pretende implantar mais uma escola em tempo integral em um bairro com grande número de moradores, observando características específicas como demanda e situação de vulnerabilidade social de risco para as crianças". É o que diz o boletim informativo da prefeitura.
Ora, neste ritmo, vamos atravessar vários mandatos até ver o sistema vigorar em toda a rede. Sei que vão dizer que é preciso ir devagar, para testar e planejar a ampliação. Mesmo que esta lógica esteja correta, o que parece é que novamente não há prioridade para o setor. Uma escola por ano é pouco demais.
Não custa lembrar que no primeiro ano de José Ronaldo o então secretário Josué Mello anunciou também a implantação de um projeto piloto de ensino em tempo integral em uma escola. E morreu ali. Não permaneceu nem na escola piloto.
6.3.09
As contas de Anaci
É impressionante como a rejeição de dois anos (2004 e 2005) das contas de Anaci Paim ganha um destaque enorme no noticiário local, manchete da Tribuna Feirense, manchete do Bahia Agora e ninguém diz afinal o que houve. Eu como leitor e você também, ficamos boiando. A notícia é simplesmente "ai meu deus, rejeitaram as contas de Anaci". Rejeitaram por quê? Não se sabe. Pelo menos não lendo nosso noticiário.
20.2.09
Asfalto, enfim!
Reconhecendo que é uma antiga reivindicação da comunidade e que não pega bem para a cidade ter suas principais avenidas ainda sem uma pavimentação completa, o prefeito Tarcízio Pimenta anunciou que vai asfaltar Getúlio Vargas e Maria Quitéria.
Louvável iniciativa. Faço duas ressalvas: que seja um asfaltamento tão bom quanto o que foi feito em 1994 em parte da Getúlio Vargas e que dura até hoje. E que inclua a avenida João Durval, que tem asfalto, mas é um asfalto vergonhoso, mais vergonhoso que os paralelepípedos que ainda resistem nas outras duas avenidas principais de Feira.
Louvável iniciativa. Faço duas ressalvas: que seja um asfaltamento tão bom quanto o que foi feito em 1994 em parte da Getúlio Vargas e que dura até hoje. E que inclua a avenida João Durval, que tem asfalto, mas é um asfalto vergonhoso, mais vergonhoso que os paralelepípedos que ainda resistem nas outras duas avenidas principais de Feira.
Prefeitura cria grupo para atrair investimentos
A prefeitura publicou hoje no jornal Folha do Norte decreto criando o Grupo Executivo para Captação de Recursos e Atração de Investimentos.
O decreto estabelece que o Grupo Executivo ficará responsavel por estabelecer as estratégias para implementação das políticas públicas para captar recursos para projetos e obras em Feira de Santana, através de fontes públicas ou privadas.
Fazem parte do grupo o vice-prefeito Paulo Aquino (nomeado como Coordenador) e os secretários de Planejamento (Carlos Brito), Fazenda (Paulo Costa Nunes), Governo (Geraldo Sampaio) e Desenvolvimento Econômico (Euclides Artur Andrade).
O decreto estabelece que o Grupo Executivo ficará responsavel por estabelecer as estratégias para implementação das políticas públicas para captar recursos para projetos e obras em Feira de Santana, através de fontes públicas ou privadas.
Fazem parte do grupo o vice-prefeito Paulo Aquino (nomeado como Coordenador) e os secretários de Planejamento (Carlos Brito), Fazenda (Paulo Costa Nunes), Governo (Geraldo Sampaio) e Desenvolvimento Econômico (Euclides Artur Andrade).
De volta
Diante das funcionalidades do Blogger, volto a publicar neste endereço textos opinativos e informativos, nesta retomada das atividades online.
De qualquer modo, o endereço http://blog.atualmidia.com/ continua no ar, com um arquivo já considerável, com destaque para as edições do caderno Contexto, que publiquei na Tribuna Feirense durante 15 semanas em 2008.
De qualquer modo, o endereço http://blog.atualmidia.com/ continua no ar, com um arquivo já considerável, com destaque para as edições do caderno Contexto, que publiquei na Tribuna Feirense durante 15 semanas em 2008.
23.9.06
O voto nulo
As ruas foram tomadas, agora às vésperas da votação, por uma campanha em out-doors pregando o voto nulo. A opção é tentadora. Já pareceu assim também a mim, que estava disposto até a participar da pregação contra o voto. Antes, porém, precisaria me convencer de que se trata de uma boa opção. Não consegui me convencer.
Quem está indignado? Apenas os mais conscientes. Quem é consciente, tende a escolher melhor seus candidatos. Embora não esteja livre de se enganar ou ser enganado. Mas a perda destes votos conscientes só iria beneficiar os piores da política, aqueles que têm seus currais eleitorais e que compram votos e não dependem da consciência de ninguém para vencer uma eleição.
Está claro pelas pesquisas que a maior parte do eleitorado não compartilha da idéia de anular o voto. Propaga-se uma informação de que com mais da metade dos votos anulados, anula-se a eleição. A idéia é atraente, pelo impacto que isto causaria, por expressar o quanto a sociedade está indignada. Mas seria um grande risco. Varreríamos do Congresso políticos melhores, eleitos pelas pessoas conscientes, deixando o Legislativo para os conhecidos curraleiros e mercadores de votos, continuadores dos mensaleiros, sanguessugas e outros bichos.
“Não é o voto que se invalida, mas o eleitor”, advertiu Gustavo IOSCHPE, que é mestre em desenvolvimento econômico pela Universidade Yale (EUA), em artigo publicado no último dia 6 na Folha de São Paulo. É fácil constatar isso com uma conta bem simples, que reproduzo do artigo:
“Imagine que o eleitorado consiste de cem votantes e que 41 pretendem votar no candidato A, 24, no B, 10, no C e 5, no D. Vinte pretendem anular/votar em branco/ficar em casa. Resultado: com 41 de 80 votos válidos, o candidato A se elege em primeiro turno. Se os 20 descontentes espalhassem seus votos entre os outros candidatos, teríamos segundo turno”.
Prossegue o articulista: “Quando uma pessoa politizada a ponto de querer usar o voto como arma de protesto o joga fora, o que ela está fazendo é reforçar o peso dos outros eleitores. Delega-se a escolha para pessoas que talvez se importem menos. Aquele que quer anular seu voto por protesto ao sistema vai acabar reforçando os mandarins do sistema que rejeita. Não faz sentido”.
Portanto, leitor, pense, escolha e vote. Pelo menos nesta eleição, com a proibição da boca de urna (o que já será uma maneira de reduzir a influência do poder econômico) você terá direito a votar em paz e pensar bem no que está fazendo. Boa sorte para todos nós.
Publicado na Tribuna Feirense em 23/09/06
Quem está indignado? Apenas os mais conscientes. Quem é consciente, tende a escolher melhor seus candidatos. Embora não esteja livre de se enganar ou ser enganado. Mas a perda destes votos conscientes só iria beneficiar os piores da política, aqueles que têm seus currais eleitorais e que compram votos e não dependem da consciência de ninguém para vencer uma eleição.
Está claro pelas pesquisas que a maior parte do eleitorado não compartilha da idéia de anular o voto. Propaga-se uma informação de que com mais da metade dos votos anulados, anula-se a eleição. A idéia é atraente, pelo impacto que isto causaria, por expressar o quanto a sociedade está indignada. Mas seria um grande risco. Varreríamos do Congresso políticos melhores, eleitos pelas pessoas conscientes, deixando o Legislativo para os conhecidos curraleiros e mercadores de votos, continuadores dos mensaleiros, sanguessugas e outros bichos.
“Não é o voto que se invalida, mas o eleitor”, advertiu Gustavo IOSCHPE, que é mestre em desenvolvimento econômico pela Universidade Yale (EUA), em artigo publicado no último dia 6 na Folha de São Paulo. É fácil constatar isso com uma conta bem simples, que reproduzo do artigo:
“Imagine que o eleitorado consiste de cem votantes e que 41 pretendem votar no candidato A, 24, no B, 10, no C e 5, no D. Vinte pretendem anular/votar em branco/ficar em casa. Resultado: com 41 de 80 votos válidos, o candidato A se elege em primeiro turno. Se os 20 descontentes espalhassem seus votos entre os outros candidatos, teríamos segundo turno”.
Prossegue o articulista: “Quando uma pessoa politizada a ponto de querer usar o voto como arma de protesto o joga fora, o que ela está fazendo é reforçar o peso dos outros eleitores. Delega-se a escolha para pessoas que talvez se importem menos. Aquele que quer anular seu voto por protesto ao sistema vai acabar reforçando os mandarins do sistema que rejeita. Não faz sentido”.
Portanto, leitor, pense, escolha e vote. Pelo menos nesta eleição, com a proibição da boca de urna (o que já será uma maneira de reduzir a influência do poder econômico) você terá direito a votar em paz e pensar bem no que está fazendo. Boa sorte para todos nós.
Publicado na Tribuna Feirense em 23/09/06
18.9.06
Todos pela educação
A Bahia tem um dos piores desempenhos nacionais na área do ensino fundamental, de acordo com a medição feita em todo o país pelo MEC, através da Prova Brasil. Piores que a Bahia, somente cinco outros estados do Nordeste.
O trágico é que a Bahia está entre os últimos estados do Brasil, que é um dos últimos países do mundo em educação, de acordo com exame internacional realizado em 40 nações (PISA). Em resumo, alunos de 8ª série têm conhecimento equivalente à 4ª e os de 4ª sabem nada, nem ler.
Em Feira de Santana, o desastre é o mesmo, com o agravante de que as escolas municipais obtiveram resultados um pouco piores que as estaduais (os resultados, escola por escola, estão na edição de lançamento da revista Atual, que está nas bancas da cidade).
Por que chegamos tão fundo neste poço de ignorância? Com certeza, uma das razões é que nunca se deu prioridade à educação. O Brasil se propôs a erradicar a poliomielite das crianças e conseguiu. A Bahia se propôs a erradicar a febre aftosa do gado e conseguiu. O Brasil se propôs a fazer aviões e conseguiu. Se propôs a explorar petróleo e em 53 anos saiu do zero para a quase auto-suficiência (não é verdade que deixamos de comprar petróleo, como o governo federal quer nos fazer pensar).
Na educação, foram estabelecidas apenas duas grandes metas para inglês ver: colocar todas as crianças na escola e tirar as crianças do trabalho para as salas de aula (embora o trabalho infantil ainda seja muito presente, mesmo com o PETI). Mas esta escola que temos está servindo mais como abrigo de menores. Em matéria de aprendizado, nada.
Feira de Santana mesma pode ser um caso exemplar de como a educação está no fim da fila das prioridades. Sob o comando do prefeito José Ronaldo, que está perto da metade do segundo mandato, aumentou-se a arrecadação, recuperou-se a capacidade de investimento do município, abriram-se avenidas, foi feita muita pavimentação, reabertos postos de saúde, implantados serviços que não havia, como SAMU. Foram atraídos empreendimentos industriais importantes e recuperou-se força e prestígio para os grandes eventos anuais (Micareta, São João e Expofeira).
Mas a educação é uma ruína que nem a reforma de algumas escolas ou o esforço de educadores comprometidos com o trabalho consegue esconder. E por quê? Também porque a sociedade não cobra e não se importa. As pessoas não cobram educação como cobram saúde, transporte, segurança e emprego. E a política, todos sabemos, é movida fundamentalmente pela pressão. Sob pressão cassam-se mandatos, demitem-se amigos, faz-se reforma agrária, legalizam-se vans e motoboys. Sem pressão, deixa-se como está, para ver como é que fica.
Oxalá consiga a iniciativa dos maiores empresários do país (www.todospelaeducacao.org.br), lançada no último dia 6, alcançar o objetivo de transformar a educação em obsessão nacional, muito mais que futebol e Copa do Mundo. Não existe outra forma de sairmos do atoleiro em que nos metemos há décadas.
Publicado na Tribuna Feirense em 16/09/06
O trágico é que a Bahia está entre os últimos estados do Brasil, que é um dos últimos países do mundo em educação, de acordo com exame internacional realizado em 40 nações (PISA). Em resumo, alunos de 8ª série têm conhecimento equivalente à 4ª e os de 4ª sabem nada, nem ler.
Em Feira de Santana, o desastre é o mesmo, com o agravante de que as escolas municipais obtiveram resultados um pouco piores que as estaduais (os resultados, escola por escola, estão na edição de lançamento da revista Atual, que está nas bancas da cidade).
Por que chegamos tão fundo neste poço de ignorância? Com certeza, uma das razões é que nunca se deu prioridade à educação. O Brasil se propôs a erradicar a poliomielite das crianças e conseguiu. A Bahia se propôs a erradicar a febre aftosa do gado e conseguiu. O Brasil se propôs a fazer aviões e conseguiu. Se propôs a explorar petróleo e em 53 anos saiu do zero para a quase auto-suficiência (não é verdade que deixamos de comprar petróleo, como o governo federal quer nos fazer pensar).
Na educação, foram estabelecidas apenas duas grandes metas para inglês ver: colocar todas as crianças na escola e tirar as crianças do trabalho para as salas de aula (embora o trabalho infantil ainda seja muito presente, mesmo com o PETI). Mas esta escola que temos está servindo mais como abrigo de menores. Em matéria de aprendizado, nada.
Feira de Santana mesma pode ser um caso exemplar de como a educação está no fim da fila das prioridades. Sob o comando do prefeito José Ronaldo, que está perto da metade do segundo mandato, aumentou-se a arrecadação, recuperou-se a capacidade de investimento do município, abriram-se avenidas, foi feita muita pavimentação, reabertos postos de saúde, implantados serviços que não havia, como SAMU. Foram atraídos empreendimentos industriais importantes e recuperou-se força e prestígio para os grandes eventos anuais (Micareta, São João e Expofeira).
Mas a educação é uma ruína que nem a reforma de algumas escolas ou o esforço de educadores comprometidos com o trabalho consegue esconder. E por quê? Também porque a sociedade não cobra e não se importa. As pessoas não cobram educação como cobram saúde, transporte, segurança e emprego. E a política, todos sabemos, é movida fundamentalmente pela pressão. Sob pressão cassam-se mandatos, demitem-se amigos, faz-se reforma agrária, legalizam-se vans e motoboys. Sem pressão, deixa-se como está, para ver como é que fica.
Oxalá consiga a iniciativa dos maiores empresários do país (www.todospelaeducacao.org.br), lançada no último dia 6, alcançar o objetivo de transformar a educação em obsessão nacional, muito mais que futebol e Copa do Mundo. Não existe outra forma de sairmos do atoleiro em que nos metemos há décadas.
Publicado na Tribuna Feirense em 16/09/06
11.9.06
Direito pela metade
Pareceu salutar que a Justiça tenha dito à Caixa Econômica Federal que deve cumprir a lei dos 15 minutos. A mim não pareceu, a partir do momento em que se concedeu ao banco estatal o privilégio de descumprir esta obrigação, quando se trata das pessoas que vão às agências em busca de atendimento para os demais serviços exclusivos do banco público, tais como saque de FGTS, seguro-desemprego e outros.
A Caixa é obrigada a receber esta massa de trabalhadores que superlota suas filas e guichês. Mas certamente não está fazendo favor e lucra com esta exclusividade. Muitos outros bancos gostariam de repartir com ela este peso. A vítima, digo, o cidadão que vai ao banco, este sim não teve direito de escolha. Ele é obrigado a ir à Caixa porque não lhe deram a opção de ir a outro lugar.
No entanto, se a Caixa tiver que cumprir os 15 minutos apenas para os correntistas, sob pena de pagamento de multa, poderá relegar (mais do que já faz) a segundo plano estes tantos trabalhadores que recorrerão a ela por falta de opção. E tudo isso por quê? Porque não se trata de uma relação de consumo. Ou seja, como o trabalhador não é correntista, não é cliente, a Caixa não tem obrigações com ele.
Eis que estamos num contexto em que o respeito à dignidade das pessoas não existe. Só tem valor o consumidor. E isso numa sociedade empobrecida em que milhões ainda não atingiram este estágio da evolução humana que é ser um consumidor.
O cidadão não vale nada e não merece ser beneficiado pela regra dos 15 minutos, regra que veio bem a calhar para colocar um mínimo de decência na relação das pessoas com os bancos, neste país em que as empresas do setor financeiro dão as cartas.
Essa exacerbação do valor comercial das coisas faz lembrar a abordagem freqüente da questão do deficiente como alguém que "é tão produtivo quanto qualquer outro trabalhador". Como se o deficiente só fosse digno de consideração por ser capaz de produzir. Ora, reforçar esta visão é condenar a uma vida de eterna indignidade os que não são capazes de produzir, pois muitos efetivamente não são, devido à gravidade de sua deficiência. Se o deficiente pode produzir, trabalhando numa empresa, ótimo. Ele mesmo se sentirá muito melhor, integrado ao sistema que o cerca. Mas se não for, uma sociedade decente precisa prover os meios para que ele tenha uma vida digna, com respeito aos direitos que todo ser humano tem, independente de ser ou não produtivo no sentido capitalista do termo.
"O" ELEITOR
Cada eleitor tem direito a dar um voto. Neste sentido o prefeito José Ronaldo é igual ao José da Silva Lima, um anônimo que compareça diante da urna na mais remota seção de distrito. Porém nesta eleição, o voto de José Ronaldo está tendo o peso multiplicado. Seu apoio é disputado pelos principais candidatos do grupo político. Uns, como Rodolpho Tourinho, porque precisam desesperadamente de ajuda para subir a ladeira. Outros, porque querem mostrar que são mais amigos de Ronaldo do que o colega ao lado (alguns visando o lugar de honra no palanque de 2008, quando Ronaldo não poderá mais se reeleger).
Na propaganda que nos cerca com intensidade cada vez maior à medida que nos aproximamos do pleito, Jairo, Fabinho, Geilson e Eliana, todos são "candidatos de José Ronaldo". Tarcízio Pimenta, que até outro dia fazia bico para o prefeito, colocou uma mensagem em circulação nos seus carros de som onde dirige um "agradecimento especial pelo empenho de Ronaldo à continuidade de sua luta na Assembléia Legislativa". E até na propaganda de Paulo Souto, que não precisa, lá está Ronaldo a testemunhar.
Como se vê, mesmo sem ser candidato, Ronaldo está cotadíssimo nestas eleições.
A Caixa é obrigada a receber esta massa de trabalhadores que superlota suas filas e guichês. Mas certamente não está fazendo favor e lucra com esta exclusividade. Muitos outros bancos gostariam de repartir com ela este peso. A vítima, digo, o cidadão que vai ao banco, este sim não teve direito de escolha. Ele é obrigado a ir à Caixa porque não lhe deram a opção de ir a outro lugar.
No entanto, se a Caixa tiver que cumprir os 15 minutos apenas para os correntistas, sob pena de pagamento de multa, poderá relegar (mais do que já faz) a segundo plano estes tantos trabalhadores que recorrerão a ela por falta de opção. E tudo isso por quê? Porque não se trata de uma relação de consumo. Ou seja, como o trabalhador não é correntista, não é cliente, a Caixa não tem obrigações com ele.
Eis que estamos num contexto em que o respeito à dignidade das pessoas não existe. Só tem valor o consumidor. E isso numa sociedade empobrecida em que milhões ainda não atingiram este estágio da evolução humana que é ser um consumidor.
O cidadão não vale nada e não merece ser beneficiado pela regra dos 15 minutos, regra que veio bem a calhar para colocar um mínimo de decência na relação das pessoas com os bancos, neste país em que as empresas do setor financeiro dão as cartas.
Essa exacerbação do valor comercial das coisas faz lembrar a abordagem freqüente da questão do deficiente como alguém que "é tão produtivo quanto qualquer outro trabalhador". Como se o deficiente só fosse digno de consideração por ser capaz de produzir. Ora, reforçar esta visão é condenar a uma vida de eterna indignidade os que não são capazes de produzir, pois muitos efetivamente não são, devido à gravidade de sua deficiência. Se o deficiente pode produzir, trabalhando numa empresa, ótimo. Ele mesmo se sentirá muito melhor, integrado ao sistema que o cerca. Mas se não for, uma sociedade decente precisa prover os meios para que ele tenha uma vida digna, com respeito aos direitos que todo ser humano tem, independente de ser ou não produtivo no sentido capitalista do termo.
"O" ELEITOR
Cada eleitor tem direito a dar um voto. Neste sentido o prefeito José Ronaldo é igual ao José da Silva Lima, um anônimo que compareça diante da urna na mais remota seção de distrito. Porém nesta eleição, o voto de José Ronaldo está tendo o peso multiplicado. Seu apoio é disputado pelos principais candidatos do grupo político. Uns, como Rodolpho Tourinho, porque precisam desesperadamente de ajuda para subir a ladeira. Outros, porque querem mostrar que são mais amigos de Ronaldo do que o colega ao lado (alguns visando o lugar de honra no palanque de 2008, quando Ronaldo não poderá mais se reeleger).
Na propaganda que nos cerca com intensidade cada vez maior à medida que nos aproximamos do pleito, Jairo, Fabinho, Geilson e Eliana, todos são "candidatos de José Ronaldo". Tarcízio Pimenta, que até outro dia fazia bico para o prefeito, colocou uma mensagem em circulação nos seus carros de som onde dirige um "agradecimento especial pelo empenho de Ronaldo à continuidade de sua luta na Assembléia Legislativa". E até na propaganda de Paulo Souto, que não precisa, lá está Ronaldo a testemunhar.
Como se vê, mesmo sem ser candidato, Ronaldo está cotadíssimo nestas eleições.
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