24.2.10

Juiz Walter acha que conscientização é melhor caminho para lidar com menores

O juiz da Infância e Juventude em Feira de Santana, Walter Ribeiro Júnior, discorda da aplicação de medidas como toque de recolher ou qualquer outra que venha a interferir na liberdade das pessoas. Ele acha que é possível combater a evasão fazendo um trabalho de conscientização como vem sendo feito em sua comarca, por meio de parceria entre Justiça, Ministério Público, secretarias municipais e programas de inclusão social, como Bolsa Família. “Há quatro anos isto vem sendo feito e a evasão vem caindo de maneira constante”, argumenta Walter Ribeiro.

O juiz Brandão, de Santo Estêvão, usa artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para embasar suas portarias. Mas para o juiz feirense – que já foi juiz também na comarca de Santo Estêvão – medidas restritivas ferem o artigo 4º do ECA, que diz, entre outros itens, que “é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos à liberdade”. É praticamente o mesmo texto do artigo 227 da Constituição Federal. Para o juiz, as medidas restritivas ferem também o artigo 5º Carta Magna, que trata dos direitos e deveres individuais e coletivos.

“Os problemas que levam à evasão escolar são ligados à distribuição de renda e quem pode adotar medidas para corrigir este problema é o poder Executivo”, raciocina Walter Ribeiro.

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Uefs divulga nesta quinta resultado do vestibular

 

A Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) divulga o resultado do vestibular 2010.1 às 11 horas desta quinta-feira (25). A lista com os nomes dos convocados será afixada no hall do prédio da Reitoria, campus universitário, e no Shopping Boulevard, além de publicada no portal www.uefs.br.

 

O escalonamento de matrícula será divulgado junto com o resultado do vestibular. As aulas de três cursos (Medicina, Ciências Farmacêuticas e Engenharia de Computação) serão iniciadas no segundo semestre. Outros 19 começam no primeiro semestre.

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Camponeses vão acampar na porta da prefeitura

"Considerando os orçamentos voltados para a agricultura nos últimos anos em Feira de Santana e a situação atual que o homem e a mulher do campo estão vivenciando, como a queda de produção devido à acidez do solo e a falta d'água em distritos como Jaíba e Humildes, nós vamos fazer o acampamento e nele encaminhar proposta e fazer abaixo-assinado. Porque do jeito que está não dá para continuar".

A declaração é da presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Feira de Santana, Conceição Borges, que anuncia o acampamento de protesto para os dias 1, 2 e 3 de março (segunda a quarta-feira).

Segundo a sindicalista, os governos não oferecem infra-estrutura nem têm políticas públicas para a zona rural. Os manifestantes esperam reunir cerca de 2.000 pessoas durante os três dias do protesto.

VÍDEO

O estudante de comunicação Gilberto Marques fez um vídeo que trata da baixa produtividade da agricultura familiar, que inseriu no You Tube. Gilberto não deu dados estatísticos globais e entrevistou sete pessoas. Mas se tivesse entrevistado 700 todas diriam mais ou menos a mesma coisa. A terra esgotada já não produz. A água é difícil de achar, mesmo nas cisternas e poços. O trabalhador rural é espécie em extinção em Feira de Santana. Nos dois últimos Censos do IBGE a população urbana passou de 86% (em 1991) para 89,77% (em 2000). Mesmo assim ainda eram 49.219 pessoas. Se fosse um município separado, esta população seria o 45º em população no estado que possui 417 municípios. É muita gente sem atenção, correndo risco de vir para a cidade engrossar estatísticas de desemprego e violência.

Assista o vídeo:

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23.2.10

Governo municipal vai informatizar Educação

 

O governo municipal vai implantar um sistema de gestão da secretaria de Educação que vai resultar na informatização geral dos serviços, possibilitando desde a matrícula eletrônica dos alunos até controle de freqüência e notas através da internet pelos pais.

O serviço será implantado por empresa a ser contratada visando desenvolvimento, locação, migração de dados, treinamento e implantação do sistema no município. Os interessados poderão participar de licitação no dia 5 de abril, às 9hs, na modalidade “Concorrência pública”, tipo “técnica e preço”, sendo que as propostas serão recebidas no Salão de Licitações da Prefeitura, na avenida Sampaio, 344.

“Os investimentos vão nos possibilitar uma gestão moderna, com os professores lançando notas no boletim eletrônico, que pode ser consultado pelos pais via internet”, frisou o secretário municipal de Educação, José Raimundo de Azevedo.

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Polícia prende “exército” de bandidos



A polícia civil de Feira de Santana prendeu de uma só vez mais de 60 pessoas em uma festa no Jardim Cruzeiro. Quase todos ou todos bandidos. O delegado Fábio Lordelo estima que cerca de 40 devem permanecer presos a princípio no já superlotado Complexo Policial Investigador Bandeira. A imagem da turma toda no chão (foto do repórter policial Aldo Matos) parece até a de um exército que se rende numa guerra.

O delegado Lordelo sabe que não acabou com o tráfico, mas comemora uma vitória expressiva. No meio da turma, havia vários traficantes, autores de homicídios e alguns elementos com prisão preventiva decretada. A polícia ainda faz a esta hora o levantamento da ficha de cada um.

A ação espetacular da Polícia Civil feirense (além do coordenador participaram da operação os delegados Madson Sampaio, Marcelo Marques Novo, Mateus Souza e muitos outros policiais) foi resultado de um trabalho de investigação.

A polícia ficou sabendo da festa em comemoração aos 25 anos de Josenildo Borges Sena, conhecido como Pona e conseguiu descobrir hora e lugar, para matar “dezenas de coelhos” com uma cajadada só. Ao chegar no salão de eventos La Baronesa, na rua Porto Seguro, no Jardim Cruzeiro, acharam de tudo: cerveja, uísque, maconha, cocaína, crack e lança-perfume. Por falar em inocência, havia também crianças na festa, além de mulheres, que não foram incluídos na prisão.

22.2.10

Ronald Hitchcock












A família Hitchcock: Ronald faz cara de confiante posando pra campanha. Alfred faz cara de desconfiado


“O mestre do suspense”. Era a consagração em forma de apelido, do famoso diretor inglês de cinema, Alfred Hitchcock. Na política, ele tem um discípulo baiano: José Ronaldo, o Ronald Hitchcock.

A cada decisão importante que precisa tomar, estica a corda ao máximo e deixa todo mundo em suspense. Agora alimenta a dúvida sobre se irá concorrer ao Senado, à Câmara Federal ou à Vice-governadoria.

Não importa que a decisão já esteja tomada. O suspense rende incontáveis entrevistas. Essencialmente, girando sempre em torno da mesma questão. “Que cargo vai disputar?”, “Já tomou a decisão?”, “Quando vai tomar a decisão?”.

Se já tivesse anunciado a escolha, não haveria mais o que perguntar. E lá estaria o homem, depois de apeado do poder, abandonado pelos microfones.

Ele não cometerá o erro de antecipar o anúncio de que será candidato a deputado federal*. Sabe muito bem como o suspense rende exposição na mídia. Na escolha do candidato a prefeito pelo DEM, em 2008, foram meses de novela. Os adversários, todo mundo já sabia quem eram. O DEM, concorrente mais forte na eleição, protelava o momento do anúncio. Finalmente, deu a lógica: entre meia dúzia de postulantes, a escolha recaiu sobre Tarcízio Pimenta, o nome mais forte, no partido que não podia se dar ao luxo de perder seu último grande reduto de Poder Executivo no estado.

Tarcízio era a escolha óbvia? Era para nós outros, os de fora. Mas o “diretor do filme” tem uma característica própria para fazer crescer a tensão. Ele não dá pistas. Tudo que se diz é chute ou inferido das circunstâncias, porque ele não entrega cópia dos roteiros a ninguém. Conseguiu fazer suspense (e obter mídia) até sobre a escolha do vice de Tarcízio.

O incrível é que com todo este talento midiático, Ronaldo não soube aparecer como liderança para toda a Bahia. Pelo menos ganhou prêmio de consolação neste fim de semana, ao ser chamado de “um dos caciques do DEM” na entrevista ao Bahia Notícias.

Mas ninguém pense que a prática do suspense começou agora. Em 1996 a dúvida era se ele seria candidato a prefeito pelo PFL (o candidato foi Josué Mello). Se não me engano, ele até negava, mas continuavam perguntando. Acho que foi aí que ele aprendeu a manha.

* Por que deputado? Porque os filmes de Ronaldo são de suspense, não de aventura. Nunca foi de se arriscar. E nada mais arriscado do que uma eleição majoritária agora para o DEM. Enquanto a eleição para a Câmara é garantida, com perspectivas até de ser o mais votado do partido. É puxador de votos para a legenda levar mais gente para Brasília. Concorrer a deputado é o melhor para ele, para o partido e para Feira, que precisa de representatividade.

Ok, haveria a hipótese de ir na majoritária a fim de “perder para cima”, como se diz, projetando-se para o futuro. Mas as perspectivas de futuro do DEM não são das mais promissoras. Tanto que em 2009 Ronaldo ensaiou mudar-se para o PSDB. Aliás, mais um assunto sobre o qual alimentou meses de suspense.

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Eduardo Leite agora volta baterias contra governo Wagner

Será lançada amanhã a Parte II do livro Política e Corrupção na Saúde, do médico Eduardo Leite, que foi diretor do Hospital Clériston Andrade e lançou o primeiro livro poucos meses depois de deixar a direção.


Se a primeira publicação poupava o governo Wagner e até fazia elogios às boas intenções do secretário Jorge Solla, o novo livro promete atacar justamente a gestão atual da saúde no estado, como mostra a entrevista a seguir, feita por email:

Que resultados ou conseqüências tiveram as informações divulgadas em seu primeiro livro?

Eduardo Leite: O primeiro livro ainda está colhendo os frutos. Houve muitos esclarecimentos para o Tribunal de Contas do Estado e Procuradoria Geral do Estado e para o público em geral. Como está no meu artigo postado no blog www.eduardoleite.blogspot.com no primeiro livro consta um plano que deveria ter sido executado para que o hospital não continuasse caótico e prestando um péssimo serviço, cujo resultado final é a morte e humilhação de muitos que por lá solicitam o direito de serem bem atendidos.

Que novidades o leitor pode esperar deste segundo lançamento? O assunto não foi esgotado?

Eduardo Leite: Esse segundo lançamento mostra o lado incompetente e a falta de compromisso em realizar uma assistência pública digna e eficiente por parte do governo Jaques Wagner. O assunto não se esgota, porque a incompetência e a falta de interesse em frear a corrupção continuam.

Quando aceitou dirigir o hospital e mesmo depois de sair, o senhor fez elogios ao governo Wagner e acreditava em suas boas intenções. Agora tem feito críticas ácidas. Por que a mudança?

Saí por que não estava tendo o apoio que deveria ter tido. Para mim, aceitar falta de planejamento e de seriedade com o bem público é ser conivente. Acreditava no governo Wagner e imaginava que a falta de apoio era por intransigência política de alguns “companheiros” da base governista. Elogiei porque até então acreditava que as minhas idéias e projetos para o Hospital Clériston Andrade continuariam. As críticas não são ácidas. São merecedoras da acidez e incompetência ou falta de interesse deste governo que propôs mudanças. Mudanças essas que estão apenas no discurso demagógico e contraproducente.

Acha que há uma alternativa na política estadual?

Acho difícil. Mas, não podemos perder a esperança. Muito menos deixar de sonhar e de lutar por justiça social e contra essa maldita corrupção e ingerência política na parte técnico administrativa dos aparelhos do estado.

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19.2.10

Se visse Alex você não diria que ele é capaz de matar o filho e estripar a mulher


A faca do crime (fotos:Reginaldo Pereira)

Não consegui esconder a surpresa ao entrar na sala. Só havia uma equipe de TV, facilmente identificável. Então a quarta pessoa só podia ser “o monstro”, como o chama agora o pai da moça estripada.

Um guri.

Novo, baixinho e franzino.

De costas para ele perguntei ao motorista da TV, arregaçando as sobrancelhas: - É esse o cara?


O "monstro" perdera a fala. Suas respostas eram baixas demais, inaudíveis. A repórter reclamou depois: - Teve coragem pra fazer o que fez e não tem pra falar.

O que Alex da Cruz Martins fez foi matar a mulher com quem vivia há menos de um ano, da mesma idade, 19, com facadas. Provavelmente com o mesmo corte que fez em sua barriga atingiu o filho – o próprio filho – já com oito meses, que ela carregava. O feto caiu para fora. A mãe ficou no chão gritando por socorro e Alex foi alcançado pelos vizinhos e espancado. Não morreu porque a polícia chegou a tempo de impedir o linchamento. A ambulância também ainda encontrou a mulher viva, mas quase sem chances de sobreviver. O golpe que arrancou e matou o bebê tirou também vísceras da mãe, de acordo com o policial Antônio Sampaio, que fez o levantamento cadavérico. Pouco depois de partir para o hospital, a ambulância retornou trazendo o corpo.

INDÍCIOS

Quando Joseane Azevedo dos Santos estava grávida de três meses, teve uma briga com Alex da Cruz Martins. Ele descarregou a raiva na cômoda comprada no dia anterior para guardar as roupinhas do bebê que nasceria em março.

A mãe de Joseane, Maria Helena de Azevedo, lembra que a fúria de Alex ao destruir o objeto que serviria para o bebê deixou a família dela assustada. Em outra ocasião, o pai de Joseane, José dos Santos, 55 anos, confessa que chegou a providenciar um revólver para tirar satisfação depois que a filha se queixou de ter apanhado do homem com quem vivia há cerca de um ano, mas não casada oficialmente. “Mas ele se desculpou”, diz José chorando e lamentando a segunda chance que deu.

Alex diz que não lembra do momento exato do crime, ocorrido por volta de meio dia da Quarta Feira de Cinzas. Não lembra nem de quando deu as facadas, cometendo o duplo homicídio, nem de quando quase foi morto espancado pelas pessoas que presenciaram a briga e o assassinato. Conta que bebeu quatro doses de cachaça em um bar, enquanto esperava a chegada da carne que tinha saído para comprar. Calcula que demorou cerca de meia hora e diz que ao voltar para casa encontrou a mulher na cama “se pegando” com um homem que para ele é desconhecido e que fugiu.

O pai da vítima duvida que isto seja verdade. “Como pode ser, se a menina não ia para lugar nenhum sem ele?”, questiona José. A mãe afirma que a garota teve somente um namorado antes de Alex. “Há muito tempo”, acrescenta.

Segundo Alex, depois do flagrante ele apenas chamou a mulher para conversar, ela saiu com a carne dizendo que ia colocar na geladeira, mas correu para se esconder na casa da vizinha. Sua versão é de que neste momento ele pegou a faca e foi buscar a mulher. Joseane tentou fugir correndo, mas foi alcançada e atingida fora da casa, no pasto.

O casal morava na Fazenda Guedes, povoado de Mato Grosso, na zona rural do município de Conceição da Feira, cidade vizinha a Feira de Santana. Alex trabalhava em uma granja e era ajudado pela companheira. Segundo o policial que foi ao local do crime, os vizinhos dizem que a mulher era agredida constantemente.

Alex tem um imenso inchaço na testa, resultado de uma ou algumas pancadas que levou na tentativa de linchamento. De tão grande parece uma outra cabeça crescendo sobre a original.


Meneando a cabeça, o próprio delegado regional Fábio Lordelo parecia perplexo diante do quase menino, sem antecedentes criminais, capaz de fazer uma barbaridade dessas. Para que não fosse morto no superlotado complexo, pediu a transferência do “monstro” para o Conjunto Penal, onde há mais condições de mantê-lo isolado dos outros presos, cujo código de ética condena crimes do tipo que Alex praticou.

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