24.2.10

Juiz de Santo Estêvão decide combater evasão e aproveita para regular comportamento nas escolas








Pai que não matricular os filhos na escola ou deixar que eles faltem, vai levar multa e responder a processo, em Santo Estêvao. A medida é uma das que constam em nova portaria emitida pelo juiz José Brandão Netto, que instituiu em junho do ano passado o toque de recolher para menores em toda a comarca, que abrange ainda os municípios de Antônio Cardoso e Ipecaetá.

A intenção agora, conforme justifica o juiz, é combater a evasão escolar. Os dados coletados por ele mostram que 94% dos menores que cometeram atos infracionais são analfabetos ou têm no máximo o Ensino Fundamental incompleto. Pela portaria, as faltas dos estudantes devem ser comunicadas aos pais, ao Juizado, ao Ministério Público e ao Conselho Tutelar.

“A nova portaria é uma continuidade do trabalho de prevenção, para que a criança e o adolescente sejam protegidos. Quem não estuda, vai para o que não presta”, prega o magistrado. Nas escolas estaduais, a evasão informada ao Judiciário é de 25%. Nas municipais é 2% no Ensino Fundamental durante o dia. Mas no turno noturno, que atende jovens a partir de 16 anos e adultos, o índice sobe para 20%, segundo a prefeitura.

O juiz entende que algumas famílias matriculam os filhos na escola apenas para fazer jus ao Bolsa Família pago pelo governo federal, mas não se preocupam se as crianças frequentam as aulas.

Como alguns pais em reunião com o juiz se queixaram também da falta de dinheiro para compra de farda a portaria recomenda que a prefeitura pague para famílias com renda inferior a um quarto do salário mínimo. “Estamos estudando comprar uniformes para todos, não apenas para uma parte dos alunos”, diz o prefeito Rogério Costa (DEM). Segundo ele o município também já faz um combate à evasão, indo pessoalmente nas casas dos alunos que faltam uma semana.

REGRAS DE COMPORTAMENTO

Além de tentar acabar com a evasão, a portaria do Judiciário local estabelece normas de comportamento e ações a serem desenvolvidas pela escola. Falar no celular, ler ou enviar mensagens de texto também ficará proibido quando as aulas recomeçarem, a partir da próxima segunda-feira (a rede estadual acompanha o calendário municipal porque somente a prefeitura tem transporte escolar, que dá carona aos alunos do estado). Igualmente aparelhos para ouvir música, como MP3, não poderão ser usados durante as aulas.

Uma vez por semana deve ocorrer hasteamento da bandeira do Brasil e cantado o Hino Nacional. Os alunos (bem como os professores) também ficam proibidos de fumar. “Tudo isso são leis que já existem. O juiz tem que cumprir a lei e fazer cumprir a lei”, argumenta Brandão. As normas valem também para escolas particulares. A portaria entra em vigor em 12 de março, prazo no qual o juiz acredita já ter comunicado a todos os envolvidos.

Para a diretora do colégio Polivalente, um dos maiores do estado na cidade, com 1.490 alunos em três turnos, a portaria é bem vinda, porque entre outras coisas vai ajudar a colocar em prática a execução do hino e hasteamento da bandeira. “Quando é lei as pessoas respeitam mais”, acredita. Segundo ela, nenhum dos 42 professores da escola fuma e para os alunos a prática já é proibida.

“As pessoas têm livre-arbítrio para fazer o que quiserem, mas devem procurar o local adequado”, defende a professora Cristiane Cerqueira, da rede municipal, em apoio ao veto do cigarro nas escolas.

Haverá também restrição para frequentar lan-houses e outros tipos de diversão eletrônica. Isto estará proibido em horário escolar e até uma hora antes e uma hora depois das aulas. Sem problemas para João Almeida, 17 anos. “Eu não acho ruim. Tem o sábado e o domingo para ir na lan-house”, afirma.

Já Edilson Teixeira, dono de um estabelecimento do tipo, que fica em frente a dois dos maiores colégios de Santo Estêvão, observa que a medida pode trazer prejuízo. “Deve prejudicar, mas fazer o quê? A gente tem de aceitar, se é lei”, conforma-se. Quanto ao toque de recolher, em vigor desde junho de 2009, ele avalia que foi positivo para a segurança na cidade.

Maiana Santana, que trabalha em outra lan-house, também teme perder, já que os estudantes formam a maioria da clientela. Mesmo assim, a mãe, Maria das Graças Santana, dona do negócio, é só elogios ao toque de recolher. “Aqui ninguém dormia, porque de noite era um monte de meninos amontoados embaixo de uma árvore, brigando, ameaçando uns aos outros. Foi ótimo e precisa intensificar a fiscalização de dia também”, incentiva.

BLOG CRIADO PELO JUIZ PARA DIVULGAR AS MEDIDAS:

toquedeacolherbahia.blogspot.com/

Toque de recolher ajudou a identificar traficantes

A implantação do toque de recolher para menores já ajudou a polícia a identificar e prender alguns traficantes, de acordo com o policial civil Afrânio dos Santos, que trabalha no serviço de investigação da delegacia local. “Através das informações prestadas pelos menores chegamos aos criminosos”, revela o policial, que considera a prevenção ao crime como o principal efeito da medida.

De acordo com dados do juizado da Infância e Juventude divulgados pelo juiz José Brandão, houve redução de 71% de atos infracionais nas três cidades da comarca desde que o toque de recolher (que ele prefere chamar de acolher) entrou em vigor em junho do ano passado. O número está estampado em faixas no centro da cidade.

Brandão afirma que mesmo a prostituição praticada na estrada tendo menores e caminhoneiros como protagonistas deslocou-se para um município vizinho depois que a medida começou a valer. Ipecaetá, que nem sequer tinha Juizado, implantou em função da portaria.

Para realizar a fiscalização, além do apoio das polícias militar e civil, o número de comissários de menores (agora denominados por lei como Agentes de Proteção à Infância) cresceu de 24 para 38 em Santo Estêvão. São mais 16 em cada uma das outras duas cidades, totalizando 70. “A nossa intenção é colocar mais gente aos poucos, porque é preciso ter uma seleção cuidadosa”, diz o coordenador do Juizado, Sílvio Amorim. Com as medidas estabelecidas na nova portaria, os comissários estarão autorizados a entrar nas salas de aula para fiscalizar.

A prefeitura também colocou um carro de ronda escolar para acompanhar o do juizado. “Preferimos tirar a Polícia Militar, que ia em todas as rondas e causava um certo constrangimento. Agora a PM participa em situações que requerem maior segurança”, explica o prefeito Rogério Costa.

Uma tarefa que pode ser mais espinhosa e polêmica para os comissários será coibir atos libidinosos. Como decidir o que é excessivo entre os namorados? Entretanto o juiz justifica a inclusão da vigilância ao namoro pelo fato de ter tomado conhecimento de algumas adolescentes grávidas que abandonaram a escola, envergonhadas, contribuindo para aumentar a evasão escolar.

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Juiz Walter acha que conscientização é melhor caminho para lidar com menores

O juiz da Infância e Juventude em Feira de Santana, Walter Ribeiro Júnior, discorda da aplicação de medidas como toque de recolher ou qualquer outra que venha a interferir na liberdade das pessoas. Ele acha que é possível combater a evasão fazendo um trabalho de conscientização como vem sendo feito em sua comarca, por meio de parceria entre Justiça, Ministério Público, secretarias municipais e programas de inclusão social, como Bolsa Família. “Há quatro anos isto vem sendo feito e a evasão vem caindo de maneira constante”, argumenta Walter Ribeiro.

O juiz Brandão, de Santo Estêvão, usa artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para embasar suas portarias. Mas para o juiz feirense – que já foi juiz também na comarca de Santo Estêvão – medidas restritivas ferem o artigo 4º do ECA, que diz, entre outros itens, que “é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos à liberdade”. É praticamente o mesmo texto do artigo 227 da Constituição Federal. Para o juiz, as medidas restritivas ferem também o artigo 5º Carta Magna, que trata dos direitos e deveres individuais e coletivos.

“Os problemas que levam à evasão escolar são ligados à distribuição de renda e quem pode adotar medidas para corrigir este problema é o poder Executivo”, raciocina Walter Ribeiro.

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Uefs divulga nesta quinta resultado do vestibular

 

A Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) divulga o resultado do vestibular 2010.1 às 11 horas desta quinta-feira (25). A lista com os nomes dos convocados será afixada no hall do prédio da Reitoria, campus universitário, e no Shopping Boulevard, além de publicada no portal www.uefs.br.

 

O escalonamento de matrícula será divulgado junto com o resultado do vestibular. As aulas de três cursos (Medicina, Ciências Farmacêuticas e Engenharia de Computação) serão iniciadas no segundo semestre. Outros 19 começam no primeiro semestre.

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Camponeses vão acampar na porta da prefeitura

"Considerando os orçamentos voltados para a agricultura nos últimos anos em Feira de Santana e a situação atual que o homem e a mulher do campo estão vivenciando, como a queda de produção devido à acidez do solo e a falta d'água em distritos como Jaíba e Humildes, nós vamos fazer o acampamento e nele encaminhar proposta e fazer abaixo-assinado. Porque do jeito que está não dá para continuar".

A declaração é da presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Feira de Santana, Conceição Borges, que anuncia o acampamento de protesto para os dias 1, 2 e 3 de março (segunda a quarta-feira).

Segundo a sindicalista, os governos não oferecem infra-estrutura nem têm políticas públicas para a zona rural. Os manifestantes esperam reunir cerca de 2.000 pessoas durante os três dias do protesto.

VÍDEO

O estudante de comunicação Gilberto Marques fez um vídeo que trata da baixa produtividade da agricultura familiar, que inseriu no You Tube. Gilberto não deu dados estatísticos globais e entrevistou sete pessoas. Mas se tivesse entrevistado 700 todas diriam mais ou menos a mesma coisa. A terra esgotada já não produz. A água é difícil de achar, mesmo nas cisternas e poços. O trabalhador rural é espécie em extinção em Feira de Santana. Nos dois últimos Censos do IBGE a população urbana passou de 86% (em 1991) para 89,77% (em 2000). Mesmo assim ainda eram 49.219 pessoas. Se fosse um município separado, esta população seria o 45º em população no estado que possui 417 municípios. É muita gente sem atenção, correndo risco de vir para a cidade engrossar estatísticas de desemprego e violência.

Assista o vídeo:

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23.2.10

Governo municipal vai informatizar Educação

 

O governo municipal vai implantar um sistema de gestão da secretaria de Educação que vai resultar na informatização geral dos serviços, possibilitando desde a matrícula eletrônica dos alunos até controle de freqüência e notas através da internet pelos pais.

O serviço será implantado por empresa a ser contratada visando desenvolvimento, locação, migração de dados, treinamento e implantação do sistema no município. Os interessados poderão participar de licitação no dia 5 de abril, às 9hs, na modalidade “Concorrência pública”, tipo “técnica e preço”, sendo que as propostas serão recebidas no Salão de Licitações da Prefeitura, na avenida Sampaio, 344.

“Os investimentos vão nos possibilitar uma gestão moderna, com os professores lançando notas no boletim eletrônico, que pode ser consultado pelos pais via internet”, frisou o secretário municipal de Educação, José Raimundo de Azevedo.

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Polícia prende “exército” de bandidos



A polícia civil de Feira de Santana prendeu de uma só vez mais de 60 pessoas em uma festa no Jardim Cruzeiro. Quase todos ou todos bandidos. O delegado Fábio Lordelo estima que cerca de 40 devem permanecer presos a princípio no já superlotado Complexo Policial Investigador Bandeira. A imagem da turma toda no chão (foto do repórter policial Aldo Matos) parece até a de um exército que se rende numa guerra.

O delegado Lordelo sabe que não acabou com o tráfico, mas comemora uma vitória expressiva. No meio da turma, havia vários traficantes, autores de homicídios e alguns elementos com prisão preventiva decretada. A polícia ainda faz a esta hora o levantamento da ficha de cada um.

A ação espetacular da Polícia Civil feirense (além do coordenador participaram da operação os delegados Madson Sampaio, Marcelo Marques Novo, Mateus Souza e muitos outros policiais) foi resultado de um trabalho de investigação.

A polícia ficou sabendo da festa em comemoração aos 25 anos de Josenildo Borges Sena, conhecido como Pona e conseguiu descobrir hora e lugar, para matar “dezenas de coelhos” com uma cajadada só. Ao chegar no salão de eventos La Baronesa, na rua Porto Seguro, no Jardim Cruzeiro, acharam de tudo: cerveja, uísque, maconha, cocaína, crack e lança-perfume. Por falar em inocência, havia também crianças na festa, além de mulheres, que não foram incluídos na prisão.

22.2.10

Ronald Hitchcock












A família Hitchcock: Ronald faz cara de confiante posando pra campanha. Alfred faz cara de desconfiado


“O mestre do suspense”. Era a consagração em forma de apelido, do famoso diretor inglês de cinema, Alfred Hitchcock. Na política, ele tem um discípulo baiano: José Ronaldo, o Ronald Hitchcock.

A cada decisão importante que precisa tomar, estica a corda ao máximo e deixa todo mundo em suspense. Agora alimenta a dúvida sobre se irá concorrer ao Senado, à Câmara Federal ou à Vice-governadoria.

Não importa que a decisão já esteja tomada. O suspense rende incontáveis entrevistas. Essencialmente, girando sempre em torno da mesma questão. “Que cargo vai disputar?”, “Já tomou a decisão?”, “Quando vai tomar a decisão?”.

Se já tivesse anunciado a escolha, não haveria mais o que perguntar. E lá estaria o homem, depois de apeado do poder, abandonado pelos microfones.

Ele não cometerá o erro de antecipar o anúncio de que será candidato a deputado federal*. Sabe muito bem como o suspense rende exposição na mídia. Na escolha do candidato a prefeito pelo DEM, em 2008, foram meses de novela. Os adversários, todo mundo já sabia quem eram. O DEM, concorrente mais forte na eleição, protelava o momento do anúncio. Finalmente, deu a lógica: entre meia dúzia de postulantes, a escolha recaiu sobre Tarcízio Pimenta, o nome mais forte, no partido que não podia se dar ao luxo de perder seu último grande reduto de Poder Executivo no estado.

Tarcízio era a escolha óbvia? Era para nós outros, os de fora. Mas o “diretor do filme” tem uma característica própria para fazer crescer a tensão. Ele não dá pistas. Tudo que se diz é chute ou inferido das circunstâncias, porque ele não entrega cópia dos roteiros a ninguém. Conseguiu fazer suspense (e obter mídia) até sobre a escolha do vice de Tarcízio.

O incrível é que com todo este talento midiático, Ronaldo não soube aparecer como liderança para toda a Bahia. Pelo menos ganhou prêmio de consolação neste fim de semana, ao ser chamado de “um dos caciques do DEM” na entrevista ao Bahia Notícias.

Mas ninguém pense que a prática do suspense começou agora. Em 1996 a dúvida era se ele seria candidato a prefeito pelo PFL (o candidato foi Josué Mello). Se não me engano, ele até negava, mas continuavam perguntando. Acho que foi aí que ele aprendeu a manha.

* Por que deputado? Porque os filmes de Ronaldo são de suspense, não de aventura. Nunca foi de se arriscar. E nada mais arriscado do que uma eleição majoritária agora para o DEM. Enquanto a eleição para a Câmara é garantida, com perspectivas até de ser o mais votado do partido. É puxador de votos para a legenda levar mais gente para Brasília. Concorrer a deputado é o melhor para ele, para o partido e para Feira, que precisa de representatividade.

Ok, haveria a hipótese de ir na majoritária a fim de “perder para cima”, como se diz, projetando-se para o futuro. Mas as perspectivas de futuro do DEM não são das mais promissoras. Tanto que em 2009 Ronaldo ensaiou mudar-se para o PSDB. Aliás, mais um assunto sobre o qual alimentou meses de suspense.

Posted via email from Glauco Wanderley

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