28.6.10

Quem vem a Lençóis busca mais natureza que festa

Se for na Chapada Diamantina, o São João pode ser também um tempo de aprendizagem sobre ecologia. Foi com esta intenção que a empresária Micheline Araújo, que possui uma empresa de reciclagem em Pernambuco trouxe o filho pequeno para passar as festas juninas e conhecer a região de natureza ainda preservada no coração da Bahia. “É muito importante para ensinar a ele o que a gente vai perder se não conservar o ambiente. O melhor projeto de educação ambiental que se pode ter é trazer as crianças para cá. Infelizmente estou vendo poucas aqui”, lamenta.

A dentista Sany Civini, que acompanha mãe e filho, mora em Salvador mas também não conhecia a Chapada. Escolheu o lugar para o São João porque além de buscar um forró mais tranquilo e próximo das origens do ritmo, queria explorar as possibilidades de trilhas, caminhadas e passeios. E já decidiu que não vai ficar só nesta visita. “Com certeza, os quatro dias que passei aqui não são suficientes e vou voltar”, projeta.

Parece que a tendência é que Sany fique igual ao casal Andre Rodrigues e Jeane Sales, funcionários públicos que sempre que podem, escapam de suas jornadas burocráticas em Inhambupe e Salvador para a Chapada, que já consideram como uma segunda casa. “A gente conhece as pessoas, tem um clima de comunidade”, elogia Jeane. “Viemos pela primeira vez em fevereiro de 2008 e esta é a quinta visita. Aqui no Morro do Pai Inácio é a segunda vez que estamos vindo”, contabiliza André, que estampa no rosto a satisfação após a descida do morro que tem uma vista deslumbrante da região.

Como grande parte dos visitantes da Chapada, eles se hospedam em Lençóis e fazem da cidade a base para os passeios pelas atrações que se estendem pelos municípios vizinhos. Pelos cálculos da prefeitura, a sede do município chega a dobrar de população em feriados prolongados como o São João.

É uma população flutuante altíssima e que, como se vê pelos depoimentos, sempre retorna à cidade, onde grande parte dos nativos vive do turismo. Portanto, o visitante precisa sair satisfeito. Por outro lado, os moradores convivem com os governantes todos os dias e cobram de perto o atendimento de suas necessidades e desejos. No São João ficou claro o conflito, com o povo querendo novidades e sucessos e o turista pedindo forró pé de serra.

A programação sofreu alterações de última hora e o sanfoneiro Coronel tocou durante três dias, inclusive no encerramento no sábado, acompanhado somente de zabumba e triângulo, como manda a tradição. As bandas Forró número 1 e Fubá de Milho completaram a noite, adicionando uma pitada de modernidade aos shows, que, como nos dias anteriores, duraram até o amanhecer.

Para os turistas, o que vale são os passeios e os shows ficam em segundo plano (fotos Valdenir Lima)

 

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Pau de sebo movimenta a praça dos Nagôs



Mais de uma quinzena de homens tentando alcançar um prêmio de R$ 250,00 no alto de um tronco de massaranduba com dez metros de altura, pode ser uma atração que atrai tantos turistas e nativos quanto um show no palco principal da festa em Lençóis.

A tradicional brincadeira do pau de sebo encheu a praça dos Nagôs, no centro histórico, no início da noite de sábado. Durante mais de uma hora e meia o público não arredou pé enquanto não viu o grupo de amigos, formando uma pirâmide humana, vencer a escalada que parece mais difícil a cada vez que o homem no alto do mastro escorrega, com os dedos a poucos centímetros do envelope com dinheiro.

O povo embaixo torce pelo sucesso, mas se diverte com os inúmeros fracassos. Para pessoas como a estudante Lara Nogueira, este lado cultural é o que mais importa no São João em Lençóis, que ela conheceu este ano. Quanto mais tradicional melhor. “Mesmo nos shows, preferia que fosse só o forró pé de serra”, informa.

A amiga advogada Juliana Bonfim, reforça. “Não queremos nada parecido com o São João para multidões que outras cidades fazem. O mais interessante é a parte cultural da festa”, reivindica.

A visita ao Parque Nacional da Chapada Diamantina foi apontada por ela como outro motivo para a viagem. A mesma motivação do designer paulista Gilberto Franco, que sempre quis conhecer a região, veio com a noiva, a sogra e outras pessoas e já pensa em voltar. “Não é para vir uma vez só. Aqui é um ícone do turismo no Brasil. Estou achando perfeito”, derrama-se.

É fácil constatar que a vontade de retornar é natural de quem vem à Chapada. São muitos os turistas que retornam mais de uma vez e eventualmente fazem até sacrifício para isso. Como a dentista Letícia Ferreira, que é do Rio de Janeiro, mora em Dallas, nos Estados Unidos, teve apenas uma semana de folga e fez questão de vir para Lençóis, pela terceira vez. “É meu lugar preferido na Bahia. É muito bom para quem mora em cidade grande ter esse contato com a natureza”, justifica Letícia, que há três anos esteve na região pela primeira vez.

Diante de tantos atrativos naturais, os shows são secundários para turistas, embora indispensáveis para quem nasceu na cidade e não vê novidade na natureza. O complicado é equilibrar a demanda por tradição, exigida pelos turistas e o modismo musical, mais ao gosto do morador local. Na última noite de festa no palco neste sábado, o desafio de atender os dois públicos estará sob o comando de Coronel, Forró número 1 e Fubá de Milho.

Nas fotos de Valdenir Lima, a pirâmide humana tentando escalar o pau de sebo e a dentista Letícia no Pai Inácio


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Um lugar para quem busca tranquilidade

“Venho para Lençóis porque é mais tranquilo para as crianças”, resume o funcionário público Maurício Lima, de Salvador. Ao lado dos dois filhos do primeiro casamento, ele tira fotos com o trio de forró e a casa de taipa cenográfica ao fundo. Maurício já esteve várias vezes em Lençóis, de tal maneira que nem sabe precisar quantas.

Parece haver uma regra não escrita dizendo que quem experimenta a cidade histórica sempre volta. A namorada Rosadélia Furlanetto, que é do Paraná, justifica a preferência renovada ano após ano dizendo que além da festa em si, o lugar oferece os atrativos naturais, os passeios que podem ser feitos durante o dia, enquanto o forró não começa.

O ambiente amigável de cidade pequena também é propício para quem prefere esperar os shows dos artistas no palco fazendo seu show particular. Durante o dia, nos restaurantes que colocam as cadeiras na rua na praça Horácio de Matos, há sempre um grupo de turistas cantando, puxados por um violonista amador. Ou até mesmo um karaokê ao ar livre, ao som de um tecladista local que toca sozinho enquanto espera algum visitante mais desinibido se arriscar ao microfone, quando tudo vira uma animada brincadeira compartilhada por gente que nunca tinha se visto. Hoje, a alegria coletiva só não foi maior pela frustração do empate sem gols do Brasil contra Portugal.

Coronel e Rasga Tanga fizeram a alegria do público na noite de quinta-feira. A última banda no estilo de música de vaquejada e o primeiro mais fiel à tradição junina, entoando sucessos de Luiz Gonzaga, Trio Nordestino e outros clássicos. Uma exigência de quem vai passar o São João em Lençóis, que espera encontrar o forró tradicional, ainda que os mais jovens, entre a população local, queiram ouvir algo mais identificado com a parada de sucessos.

A missão de agradar os tradicionalistas hoje está com Filhos de Seu Zé. E o típico São João encontra espaço também no Teatro de Arena, que abriga apresentação de quadrilhas e a encenação do sempre engraçado Casamento na roça.

“Transferimos o palco dos shows maiores para a avenida Senhor dos Passos, porque lá é uma área de 150 metros quadrados, enquanto no Teatro de Arena eram somente 32 metros”, justifica o secretário de Cultura e Turismo, Delmar de Araújo.

O município firmou convênio no valor de R$ 70 mil com a Bahiatursa, recurso que poderá ser utilizado livremente de acordo com o entendimento do governo municipal, organizador da festa.

O secretário defende a necessidade de planejamento conjunto para as cidades turísticas, para que a organização possa ser mais eficaz e trazer benefícios duradouros para a comunidade.

FOTOS: VALDENIR LIMA

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O público exige o forró autêntico para dançar





O sanfoneiro Coronel, na foto de Valdenir Lima

Desafiar a tradição junina em Lençóis é um risco. Depois de uma estreia na abertura oficial na quarta-feira com a banda Flor de Pimenta, representante do chamado forró eletrônico, o público reclamou e a prefeitura exigiu da produção que a partir desta quinta, a sanfona entre em cena.

Com isso muda a programação e o sanfoneiro Coronel assume a obrigação de comandar parte da festa no palco principal. A noite será completada pelas bandas Rasga Tanga e Espalha Brasa. “Sempre existe uma discussão se vale a pena ou não trazer outro tipo de banda. Mas o que é certo é que o forró tradicional não pode faltar”, defende o secretário de Cultura e Turismo, Delmar de Araújo.

Afinal, é o que público acredita que vai encontrar em Lençóis. Um exemplo é a estudante de psicologia Melina Maia. “Estou gostando. O show, foi só o primeiro dia e acredito que melhore”, torce ela, que veio de Salvador em um grupo de cinco amigos. “Já vim a Lençóis em outra época e passei São João em Mucugê, também na Chapada e gostei. Imagino que seja o mesmo aqui”, diz Melina, aproveitando para elogiar a beleza da decoração.

As ruas estão enfeitadas com casas de taipa, grandes balões e muitas bandeirinhas verdes, amarelas, brancas e azuis, que este ano servem tanto para celebrar as festas de junho quanto para animar a torcida pelo Brasil na Copa do Mundo.

Nesta quinta, um elemento a mais compôs a paisagem na praça Horácio de Matos, principal ponto do centro histórico: o grande pote de doces, que uma criança de olhos vendados tenta quebrar com uma paulada. Além do punhado de crianças, a brincadeira tradicional do quebra-pote atrai também a curiosidade dos turistas, como o italiano Andrea Airoldi. “É muito bonito, estou gostando muito”, avalia, depois de dois dias na cidade, aonde chegou por recomendação de um compatriota amigo e após pesquisas na internet. Como não gosta de cidades grandes como Salvador, mostrava-se encantado com a beleza de Lençóis, que conserva as características da época de sua fundação e desde 1973 é tombada pelo patrimônio histórico e artístico brasileiro.

Com a transferência do palco para uma área maior, o Teatro de Arena não saiu de cena. Ficou destinado às apresentações mais tradicionais. Somente na noite desta quinta-feira, três quadrilhas estão programadas para se apresentar.




Diversão garantida no São João de Lençóis mesmo fora do palco


FOTO VALDENIR LIMA

Fogueiras espalhadas pelas ruas do centro histórico, famílias reunidas dentro e fora das casas, concurso de quadrilhas e crianças brincando de soltar fogos. Todos os ingredientes de um São João tradicional podem ser encontrados em Lençóis, principal destino turístico da Chapada Diamantina.

As brincadeiras típicas do período, como casamento na roça e o quebra-pote também têm espaço na programação dos próximos dias. E ao lado da tradição, o hoje quase onipresente forró eletrônico.

Da noite de quarta-feira, dia da abertura oficial, até o final da programação no sábado (26), o palco montado na avenida Senhor dos Passos está reservado à nova geração do forró. Coube à banda Flor de Pimenta fazer a abertura, seguida do Xote Moleque. Ao som delas, o público se aglomerou em volta do palco a partir da meia noite, dançando e cantando.

Mas não é preciso cantor, letra de música, nem banda famosa para se divertir. Antes do show no palco principal, o Teatro de Arena era animado pela simplicidade instrumental do triângulo e da zabumba, comandados pela sanfona de Diolindo, músico local que conhece a alma do forró. Ninguém canta, mas todos dançam.

Durante todo o dia a cidade assiste e escuta a manifestação dos trios de forró que percorrem as ruas ou se instalam em um canto, executando as melodias juninas. O jeito espontâneo da festa dá espaço até para novidades com cara de tradição. Zezito de Jesus mora em Lençóis há 15 anos, mas só há quatro resolveu apresentar o “macaco Frederico”, que ele jura ser uma tradição de escravos em Castro Alves, sua cidade natal. Uma pessoa totalmente encoberta por um traje feito com vegetação nativa dança acompanhando um grupo de tocadores. E assim Índio vai se apresentando em frente às mesas de bares e restaurantes, recolhendo moedinhas no chapéu.

A tranquilidade de Lençóis é um dos principais atrativos para quem busca descanso da cidade grande. São muitos os que fazem isso em família, como a administradora Kátia Andrade. Como fez no ano passado, ela saiu de Salvador junto com o marido e a filha Natália, e está de volta à Chapada, onde confessa que gosta de tudo. “Da tradição, do clima, da natureza”, destaca. A filha de 10 anos, endossa. “É legal, por causa dos fogos e das fogueiras”.

A satisfação faz com que os visitantes voltem sempre. Como a família da aposentada Ana Maria Ferreira. Um grupo numeroso que inclui filhas, genros e netos se reúne em sua volta, para tirar fotos no Teatro de Arena. “Aqui é muito agradável e por isso estamos vindo já pelo quarto ano”, comenta. Moram quase todos em Salvador, mas uma das filhas veio do Rio de Janeiro com o marido especialmente para a ocasião.

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23.6.10

Clailton: único político feirense inelegível

O ex-prefeito Clailton Mascarenhas, que vez por outra ensaia aparições públicas e sobre quem eventualmente se insinua que pretende voltar a disputar eleições, é o único político feirense cujo nome consta na extensa lista de inelegíveis por rejeição de contas. A lista foi divulgada pelo Tribunal de Contas da União.

O nome de Clailton aparece quatro vezes. Mas não há detalhamento do processo. Apenas o número do acórdão e da ata da sessão do TCU em que o político teve suas contas rejeitadas. A lista tem nomes de gestores com contas rejeitadas desde 2002.

Clailton foi condenado em sessão de 03/07/2007 em função de convênio envolvendo recursos do Fundo Nacional de Assistência Social; em 26/02/2008 (ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome); em 29/04/2008 (Secretaria de Assistência Social do Ministério da Previdência e Assistência Social) e em 08/12/2004, onde consta apenas o nome da Prefeitura Municipal de Feira de Santana, sem informação sobre o órgão transferidor.

O deputado Fernando de Fabinho também aparece na lista, em função de problema com as contas do tempo em que foi prefeito em Santa Bárbara, quando um convênio com a Fundação Nacional de Saúde no valor de R$ 140 mil deixou de ser executado, embora o dinheiro tenha entrado na conta da prefeitura. Fabinho foi denunciado pelo Ministério Público e responde a processo no STF, mas a defesa do deputado diz que a obra foi executada, embora com atraso.

A Bahia tem 700 nomes na relação do TCU e é o segundo estado que mais tem inelegíveis por rejeição de contas, perdendo apenas para o Maranhão, que tem 728 nomes. Em alguns casos, os políticos podem recorrer, quando a rejeição de contas se deu em função de erros técnicos e não de improbidade administrativa. Ao todo 4.922 políticos de todo o Brasil estão potencialmente inelegíveis. A palavra final sobre a candidatura dos que pretendam concorrer em outubro caberá ao TSE.

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O joio e o trigo eleitoral

(César Oliveira, na edição deste 23/06 na Tribuna Feirense)

Vivemos, atualmente, uma época de falência ética e imoralidade política. Enquanto tínhamos um debate ideológico, ao menos ocupávamos lados diferentes, defendíamos posições determinadas, ainda que as falhas existissem. Com o fim do comunismo como realidade política, os muros de separação ruíram e o único elemento agregador tornou-se o interesse pessoal.

Em nome da obtenção do poder, alianças inimagináveis, estupros ideológicos, se tornam uma realidade cotidiana, desacreditando o eleitor. Soma-se a isto a falência institucional e a impunidade que ronda os políticos, e temos um dos ambientes mais degradados de nossa história. Os deputados e senadores protagonizam escândalos ilimitados e boa parte tornou-se joguete nas mãos do presidente, a custo acessível, sem nenhum compromisso com o destino da nação e de seu povo.

A tendência do perfil das lideranças políticas é piorar. Os movimentos sociais e estudantis manietados e silenciados por verbas oficiais não formam mais líderes e o custo das campanhas afasta do sucesso eleitoral os cidadãos mais honestos e comprometidos. Estima-se que um voto esteja custando entre R$ 130 e R$ 140; uma campanha de deputado em torno de R$ 2 ou R$ 3 milhões; de senador R$ 5 a R$ 10 milhões. São custos inviáveis a quem não se curvar ao capital. Só conseguem este dinheiro aqueles já detentores de fortuna pessoal e os que vão aos cargos na defesa de seus interesses e aqueles – ao menos a maioria – que se comprometem em defender os interesses de seus financiadores.

O voto ideológico tornou-se escasso e o fato de existir uma minoria que se elege sem esta escravidão financeira não chega a redimir nosso modelo eleitoral.

Atualmente, a média dos partidos é de 30 a 40% de seus membros com processos na justiça pelos mais diversos tipos de crimes financeiro-administrativos e quanto mais recursos as campanhas consumirem, pior se tornará nossa capacidade de seleção. Algo precisa mudar no processo eleitoral ou separaremos o joio do trigo, mas continuaremos a eleger o joio.

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22.6.10

Três mortos em acidente na BR 324

Três pessoas morreram nesta segunda-feira na BR 324 sentido Feira de Santana-Salvador, depois que a caçamba JNW 8037, placa de Feira, atingiu em alta velocidade carros que estavam parados, no quilômetro 527. Eram 6:20 da manhã. Uma forte neblina cobria a estrada e um outro acidente alguns quilômetros adiante já engarrafava o trânsito.

As vítimas estavam dentro do Corsa sedan JQR 5320, que ficou todo retorcido e irreconhecível. Morreram no local o chefe de gabinete da presidência da Câmara de Feira de Santana, José Ailton de Melo, 37 anos, a companheira dele, Maria Rosilene Silva Alves Almeida, 29 anos e o irmão dela, Antônio Carlos da Silva Alves, 17 anos. Os corpos presos nas ferragens só puderam ser retirados com auxílio de equipamentos que cortaram o que sobrou do carro.

Outros sete veículos foram envolvidos na batida e 10 pessoas feridas levadas para o hospital Clériston Andrade. Seis que tiveram ferimentos leves foram liberados ao longo do dia e outros quatro permaneceram internados para avaliação, mas a princípio sem correrem risco de morte.

O Corsa onde morreram os três passageiros foi o último a ser atingido pela caçamba, carregada com cevada. Ele foi prensado entre a caçamba e um caminhão baú e coberto pela carga de cevada, que se espalhou também pela pista. O motorista causador da tragédia fugiu e não foi identificado.

O inspetor George Paim, da Polícia Rodoviária Federal, informou que a caçamba vinha em alta velocidade, pois antes de parar esmagando o Corsa, bateu em outros cinco carros, jogando três deles para o lado oposto da pista, sentido Salvador-Feira.

“Quando vi a caçamba se aproximando no retrovisor joguei a direção para a esquerda, para desviar da carreta que estava na minha frente”, relatou o caminhoneiro Herbeson Mendes, que dirigia o caminhão baú. Esta providência salvou sua vida, porque mesmo sendo o penúltimo carro a sofrer o impacto do acidente, teve o lado direito da cabine destruído ao ser empurrado contra a carreta da frente.

A delegada Márcia Pereira, de Feira de Santana, apreendeu a caçamba de cevada e obteve a identificação do proprietário do veículo, que ainda ontem foi intimado para informar quem estava dirigindo.

A Câmara Municipal suspendeu a sessão que ocorria na manhã de ontem e decretou luto de três dias pela morte do funcionário. Nesta terça também não haverá sessão, que será retomada somente amanhã.

ENGARRAFAMENTO

O resgate dos corpos e o atendimento aos feridos mobilizou bombeiros, SAMU, Polícia Rodoviária Federal e a Via Bahia, empresa concessionária da BR 324. Durante algum tempo a rodovia foi interditada dos dois lados, o que provocou quilômetros de congestionamento. Mesmo com a liberação da passagem de um carro por vez, o engarrafamento chegou a 10 quilômetros no sentido Feira-Salvador. A liberação total da estrada só ocorreu quatro horas depois da batida.

As fotos de Valdenir Lima mostram as vítimas ainda presas ao Corsa destruído, a retirada da cevada da pista e o estado de outros carros que foram atingidos

 

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