Tem razão o chefe da Vigilância Sanitária do município, Délio Barbosa, quando afirma que as reclamações de moradores acerca do mau cheiro em Humildes, provocado por uma atividade empresarial, são um problema político.
É um problema político, como é político o problema da violência, a falta de educação, o buraco, a construção de quadras de esporte, a cultura, a preservação do patrimônio, a habitação popular e o transporte de massa.
O problema é político porque afeta as pessoas e as pessoas são políticas, ainda quando analfabetas políticas.
O problema também é político por estarem vereadores, de alguma forma, envolvidos com ele, pois os moradores querem mesmo ajuda do Legislativo para resolver o impasse.
É político também porque a Vigilância Sanitária é um cargo público.
É político porque diz respeito a uma comunidade e os políticos têm que agir no interesse da coletividade e não de grupos ou amigos mais influentes.
E tanto é político o problema que José Ronaldo, como político que é, tomou a frente para dizer que vai resolver e não ficou tentando negar os fatos e olfatos, como fez Délio ao abordar o assunto no rádio, querendo convencer o ouvinte de que as manifestações dos moradores, que discursaram até na Tribuna Livre da Câmara, eram insufladas pelo vereador oposicionista Marialvo Barreto.
Pois, agindo como quem pensa, inclusive politicamente, o prefeito percebeu que se a ação em Humildes render dividendos políticos a quem reclama, há de render a quem resolve porque tem o poder e o dever de resolver.
O problema é político. Ronaldo ensinou na prática o que Délio só sabia na teoria. Que seja bom aluno e tenha aprendido.
Publicado na Tribuna Feirense em 14/11/06
14.4.06
8.4.06
Acessibilidade zero
Tomara que tenha muito sucesso a luta dos portadores de necessidades especiais, que sob a liderança de uma pessoa que conhece bem os direitos que o grupo tem e sabe cobrar, estão tentando fazer o Ministério Público se mexer, a fim que os locais mais inacessíveis, como ônibus, possam melhorar.
Digo que tomara que tenham sucesso não apenas por eles, mas por todos nós, que nas condições em que vive a cidade ficamos todos um pouco portadores de necessidades especiais. Como só eles se mobilizam, poderão beneficiar os demais com os ganhos que alcançarem.
E por que estamos todos em condição parecida? Porque no caso dos ônibus, por exemplo, somos todos um pouco cegos, pois os letreiros que indicam a linha, não tem qualquer padronização e alguns deles amontoam um monte de letras num espaço reduzido, de modo que você só enxerga quando o veículo já está bem perto (daí que muitos candidatos a passageiros fazem sinal, para depois se certificarem se era mesmo o ônibus que queriam, pois se não o fizerem, correm o risco ver passar direto o coletivo pelo qual já esperaram tanto).
Temos todos dificuldade de locomoção, pois alguns destes ônibus tem degraus que desafiam a capacidade dos passageiros que precisam escalar para subir e saltar para sair. São uma montanha na entrada e um precipício na descida. Complicados, principalmente para mulheres de saia, pessoas idosas ou de baixa estatura, o que é tão comum entre nós.
Mesmo se você não está numa cadeira de rodas, os obstáculos para circular a pé são muitos, numa cidade onde cada um faz sua lei e ambulantes tomam as calçadas com carrinhos de mão, barracas (onde servem até almoço em plena Marechal Deodoro), Cds e DVDs piratas (não estavam combatendo a pirataria?). Sobrou espaço? Então fica para os comerciantes exporem bicicletas, colchões, geladeiras, mesas, cadeiras, etc, etc.
Pedestre? O que é pedestre? Ah, é aquele que vai a pé e tem que desviar de tanta coisa e ainda evitar topadas nos buracos do chão de pedras portuguesas arrancadas!
Há outros invasores do passeio. Os carros, claro. Não podiam faltar nesta lista. Estes são mesmo grandes e tomam todo o espaço. Mas se estiverem em região etílica, postam-se ao lado dos donos e de seus amigos, misturam-se a mesas e cadeiras e formam uma barreira que obriga quem passa a descer para o asfalto (ou o paralelepípedo) da rua por um bom pedaço que pode chegar a 20 metros de caminhada, disputando lugar com os carros que circulam. É uma cena do cotidiano na nossa principal avenida, Getúlio Vargas.
Somos todos um tanto quanto mentalmente desorientados, pois circulamos numa cidade onde a regra é as ruas não terem placas e às vezes nem os moradores da área sabem dizer seus nomes (e depois a culpa toda do extravio ou demora na entrega de correspondências cai nas costas do carteiro).
Não somos mudos, mas é como se fôssemos, pois os que nos ouvem (?) as queixas parecem ser surdos. Vai ver perderam a audição madrugada adentro nos bares e festas de trocentos decibéis que desesperam quem tem o azar de morar perto.
Publicado na Tribuna Feirense em 07/04/06
Digo que tomara que tenham sucesso não apenas por eles, mas por todos nós, que nas condições em que vive a cidade ficamos todos um pouco portadores de necessidades especiais. Como só eles se mobilizam, poderão beneficiar os demais com os ganhos que alcançarem.
E por que estamos todos em condição parecida? Porque no caso dos ônibus, por exemplo, somos todos um pouco cegos, pois os letreiros que indicam a linha, não tem qualquer padronização e alguns deles amontoam um monte de letras num espaço reduzido, de modo que você só enxerga quando o veículo já está bem perto (daí que muitos candidatos a passageiros fazem sinal, para depois se certificarem se era mesmo o ônibus que queriam, pois se não o fizerem, correm o risco ver passar direto o coletivo pelo qual já esperaram tanto).
Temos todos dificuldade de locomoção, pois alguns destes ônibus tem degraus que desafiam a capacidade dos passageiros que precisam escalar para subir e saltar para sair. São uma montanha na entrada e um precipício na descida. Complicados, principalmente para mulheres de saia, pessoas idosas ou de baixa estatura, o que é tão comum entre nós.
Mesmo se você não está numa cadeira de rodas, os obstáculos para circular a pé são muitos, numa cidade onde cada um faz sua lei e ambulantes tomam as calçadas com carrinhos de mão, barracas (onde servem até almoço em plena Marechal Deodoro), Cds e DVDs piratas (não estavam combatendo a pirataria?). Sobrou espaço? Então fica para os comerciantes exporem bicicletas, colchões, geladeiras, mesas, cadeiras, etc, etc.
Pedestre? O que é pedestre? Ah, é aquele que vai a pé e tem que desviar de tanta coisa e ainda evitar topadas nos buracos do chão de pedras portuguesas arrancadas!
Há outros invasores do passeio. Os carros, claro. Não podiam faltar nesta lista. Estes são mesmo grandes e tomam todo o espaço. Mas se estiverem em região etílica, postam-se ao lado dos donos e de seus amigos, misturam-se a mesas e cadeiras e formam uma barreira que obriga quem passa a descer para o asfalto (ou o paralelepípedo) da rua por um bom pedaço que pode chegar a 20 metros de caminhada, disputando lugar com os carros que circulam. É uma cena do cotidiano na nossa principal avenida, Getúlio Vargas.
Somos todos um tanto quanto mentalmente desorientados, pois circulamos numa cidade onde a regra é as ruas não terem placas e às vezes nem os moradores da área sabem dizer seus nomes (e depois a culpa toda do extravio ou demora na entrega de correspondências cai nas costas do carteiro).
Não somos mudos, mas é como se fôssemos, pois os que nos ouvem (?) as queixas parecem ser surdos. Vai ver perderam a audição madrugada adentro nos bares e festas de trocentos decibéis que desesperam quem tem o azar de morar perto.
Publicado na Tribuna Feirense em 07/04/06
31.3.06
Ainda o Enem
Consegui localizar uma informação que me deixava curioso desde o início da divulgação dos resultados do Enem (o material sobre o assunto é amplo e não cabe todo aqui. Você pode fazer as buscas de acordo com o próprio interesse em www.interuni.com.br/cybercampus).
A mim especificamente interessava a lista dos 100 melhores do Brasil. Nela, o feirense Colégio Helyos aparece na posição realmente honrosa de 22º colocado (nota 75,03). Na Bahia, apenas o Anglo Americano de Salvador está na frente, em 17º (nota 75,63). Em todo o Nordeste, apenas um outro aparece antes, o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Pernambuco (9º colocado, com 77,61).
Há um colégio mineiro em oitavo, de Viçosa. Algum colégio da capital, Belo Horizonte, só vai aparecer na lista na 35ª posição. Acima do Helyos, apenas os já citados, mais uma escola de Goiás e escolas do Rio e São Paulo.
Não se trata de enaltecer o Helyos, mas de se alegrar por ver que é possível, numa cidade do interior de um estado bem mais pobre do que os do Sudeste, ter uma educação de qualidade. A nossa torcida é para que nos próximos anos, os alunos do Helyos melhorem as notas e que os demais colégios feirenses, alguns também com bom desempenho em 2005, cresçam. Melhor que isso, só a utopia de ver subirem as notas da escola pública.
As notas listadas aqui são com Correção de participação: de acordo com a Nota Técnica do MEC, o objetivo dessa correção é representar a nota média da escola caso todos os alunos matriculados nos anos finais do ensino médio tivessem realizado o exame, devido ao fato observado de que quando a participação no Enem aumenta, a posição relativa da escola tende a cair, indicando a existência de um viés de participação, qual seja: os melhores alunos tendem a participar mais do Enem.
No aguardo
Equivoca-se o colega articulista Franklin Maxado em seu texto de quarta-feira na Tribuna, quando acusa os que vêm de fora de apenas querer ganhar dinheiro, pouco se importando com a preservação do patrimônio histórico feirense. Como ele mesmo menciona no artigo, é a multinacional Pirelli quem está viabilizando a reforma do casarão dos Olhos d´água, como já viabilizou outros serviços de preservação em nossa cidade. Como já o fizeram Klabin, Belgo e outras empresas de fora.
Os poucos abnegados feirenses que tentam enfiar na cabeça dos conterrâneos a importância da preservação do patrimônio estão a esperar o dia em que empresários locais vão se dispor a ajudar também.
Deixa quieto
Se não seria correto punir o vereador Roberto Tourinho pelo que disse em discurso, sobre o fato de vereadores representarem o Sincol na Câmara, não será justo também punir Renildo Brito pela interpretação que deu às palavras do colega, ao qual acusou de ter dito que os vereadores estavam “no bolso” dos empresários. Está tudo no campo da oratória e não dá para dizer que estas falas constituem quebra de decoro ou coisa parecida.
Publicado na Tribuna Feirense em 31/03/2006
A mim especificamente interessava a lista dos 100 melhores do Brasil. Nela, o feirense Colégio Helyos aparece na posição realmente honrosa de 22º colocado (nota 75,03). Na Bahia, apenas o Anglo Americano de Salvador está na frente, em 17º (nota 75,63). Em todo o Nordeste, apenas um outro aparece antes, o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Pernambuco (9º colocado, com 77,61).
Há um colégio mineiro em oitavo, de Viçosa. Algum colégio da capital, Belo Horizonte, só vai aparecer na lista na 35ª posição. Acima do Helyos, apenas os já citados, mais uma escola de Goiás e escolas do Rio e São Paulo.
Não se trata de enaltecer o Helyos, mas de se alegrar por ver que é possível, numa cidade do interior de um estado bem mais pobre do que os do Sudeste, ter uma educação de qualidade. A nossa torcida é para que nos próximos anos, os alunos do Helyos melhorem as notas e que os demais colégios feirenses, alguns também com bom desempenho em 2005, cresçam. Melhor que isso, só a utopia de ver subirem as notas da escola pública.
As notas listadas aqui são com Correção de participação: de acordo com a Nota Técnica do MEC, o objetivo dessa correção é representar a nota média da escola caso todos os alunos matriculados nos anos finais do ensino médio tivessem realizado o exame, devido ao fato observado de que quando a participação no Enem aumenta, a posição relativa da escola tende a cair, indicando a existência de um viés de participação, qual seja: os melhores alunos tendem a participar mais do Enem.
No aguardo
Equivoca-se o colega articulista Franklin Maxado em seu texto de quarta-feira na Tribuna, quando acusa os que vêm de fora de apenas querer ganhar dinheiro, pouco se importando com a preservação do patrimônio histórico feirense. Como ele mesmo menciona no artigo, é a multinacional Pirelli quem está viabilizando a reforma do casarão dos Olhos d´água, como já viabilizou outros serviços de preservação em nossa cidade. Como já o fizeram Klabin, Belgo e outras empresas de fora.
Os poucos abnegados feirenses que tentam enfiar na cabeça dos conterrâneos a importância da preservação do patrimônio estão a esperar o dia em que empresários locais vão se dispor a ajudar também.
Deixa quieto
Se não seria correto punir o vereador Roberto Tourinho pelo que disse em discurso, sobre o fato de vereadores representarem o Sincol na Câmara, não será justo também punir Renildo Brito pela interpretação que deu às palavras do colega, ao qual acusou de ter dito que os vereadores estavam “no bolso” dos empresários. Está tudo no campo da oratória e não dá para dizer que estas falas constituem quebra de decoro ou coisa parecida.
Publicado na Tribuna Feirense em 31/03/2006
24.3.06
Investimento de risco
Os frangos podem ser uma nova fonte de renda para um grupo de 600 e poucos agricultores familiares em Feira de Santana.
Os frangos também podem causar um prejuízo milionário.
O governo municipal, em parceria com o estado e a UESB (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia) patrocinou um curso sobre manejo e produção, para 638 agricultores. Cada um terá que construir seu aviário, mas receberá do projeto 25 frangos, 40 quilos de ração e mais um comedouro e um bebedouro.
Tudo que venha no sentido de gerar renda para o homem do campo, a princípio é bom. O problema neste caso é o aparecimento de uma nova realidade, por conta da famigerada gripe do frango.
A revista quinzenal Exame (sobre economia e negócios) que está nas bancas, trata do assunto e mostra que as grandes empresas nacionais do setor estão de cabelo em pé com a inércia do governo federal. Temem que ocorra como no caso do foco de aftosa em Mato Grosso do Sul e Paraná, que foi há quatro meses e até hoje impede que o Brasil exporte carne bovina para 56 países, o que gera perdas anuais de centenas de milhões de dólares.
A posição das empresas é que a criação doméstica de galinhas simplesmente seja proibida, como ocorre na Alemanha e na Holanda (em Hong Kong, que é ditadura, quem criar frangos vai pra cadeia). O produtor caseiro, lógico, tem menos condições de adotar as medidas preventivas necessárias. No entanto, é política governamental, não somente em Feira de Santana, mas no Nordeste, estimular este tipo de criação.
É assunto para ser discutido por especialistas, mas que não pode deixar de ser discutido, pois é da mais alta importância. Exclusive os que entrarem agora para o ramo, subsidiados pela Prefeitura, a criação de frangos já é uma atividade econômica importante na região, com algumas empresas médias e milhares de agricultores.
Agora é moda
A democracia foi timidamente restaurada no Brasil no distante 1985, quando Tancredo Neves ganhou a eleição indireta para presidente e morreu, deixando o governo nas mãos do desastroso oligarca José Sarney, que até hoje não nos deixa em paz.
A democratização é um processo, que se completa mais devagar quanto menor é o nível de educação das pessoas e a consciência sobre seus direitos. Por isso, até hoje tem gente que ainda não se habituou com uma de suas facetas, que é a liberdade de expressão. E eis que, para espanto geral, mesmo na Câmara de Vereadores, uma tribuna livre por natureza, por essência, um vereador ainda quer cercear o direito de outro falar.
Refiro-me à decisão de Renildo Brito de levar Roberto Tourinho à Corregedoria da Câmara, por ter dito em pronunciamento que há vereadores que representam as empresas de transporte. Ora, em alguns casos, esta representação foi até mesmo assumida pelos representantes, e, em tese, não há nada de mal nisto.
Vereadores já enfrentaram passeatas enfurecidas de estudantes, ameaças de quebra-quebra e agressões físicas, para aprovar propostas de interesse das empresas; ou rejeitar propostas que contrariavam estes interesses. A princípio seria louvável essa bravura. Defender as convicções até a morte é um gesto heróico. O problema é que não se vê dos vereadores esta disposição em outras causas, o que naturalmente levanta suspeitas.
Tourinho não afirmou, como disse Renildo, que havia vereadores no bolso das empresas. Seria certamente ofensivo e mesmo assim, talvez não fosse o caso de resultar num processo. Se nem os vereadores, regimentalmente invioláveis em suas declarações, podem dizer abertamente o que pensam, onde é que vamos parar? Em pouco tempo, andaremos todos com esparadrapo na boca.
Ao invés de ocorrer a contestação do discurso com outro discurso e deixar as coisas no campo do debate de idéias, argumentos e contra-argumentos, apela-se logo ao tapetão.
Isso tudo, porém, está claro, é conseqüência do circo que se instalou em Brasília há um ano, que produz resultado quase nenhum, mas popularizou a instância do Conselho de Ética (similar à nossa Corregedoria), que agora está na moda.
Publicado na Tribuna Feirense em 24/03/06
Os frangos também podem causar um prejuízo milionário.
O governo municipal, em parceria com o estado e a UESB (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia) patrocinou um curso sobre manejo e produção, para 638 agricultores. Cada um terá que construir seu aviário, mas receberá do projeto 25 frangos, 40 quilos de ração e mais um comedouro e um bebedouro.
Tudo que venha no sentido de gerar renda para o homem do campo, a princípio é bom. O problema neste caso é o aparecimento de uma nova realidade, por conta da famigerada gripe do frango.
A revista quinzenal Exame (sobre economia e negócios) que está nas bancas, trata do assunto e mostra que as grandes empresas nacionais do setor estão de cabelo em pé com a inércia do governo federal. Temem que ocorra como no caso do foco de aftosa em Mato Grosso do Sul e Paraná, que foi há quatro meses e até hoje impede que o Brasil exporte carne bovina para 56 países, o que gera perdas anuais de centenas de milhões de dólares.
A posição das empresas é que a criação doméstica de galinhas simplesmente seja proibida, como ocorre na Alemanha e na Holanda (em Hong Kong, que é ditadura, quem criar frangos vai pra cadeia). O produtor caseiro, lógico, tem menos condições de adotar as medidas preventivas necessárias. No entanto, é política governamental, não somente em Feira de Santana, mas no Nordeste, estimular este tipo de criação.
É assunto para ser discutido por especialistas, mas que não pode deixar de ser discutido, pois é da mais alta importância. Exclusive os que entrarem agora para o ramo, subsidiados pela Prefeitura, a criação de frangos já é uma atividade econômica importante na região, com algumas empresas médias e milhares de agricultores.
Agora é moda
A democracia foi timidamente restaurada no Brasil no distante 1985, quando Tancredo Neves ganhou a eleição indireta para presidente e morreu, deixando o governo nas mãos do desastroso oligarca José Sarney, que até hoje não nos deixa em paz.
A democratização é um processo, que se completa mais devagar quanto menor é o nível de educação das pessoas e a consciência sobre seus direitos. Por isso, até hoje tem gente que ainda não se habituou com uma de suas facetas, que é a liberdade de expressão. E eis que, para espanto geral, mesmo na Câmara de Vereadores, uma tribuna livre por natureza, por essência, um vereador ainda quer cercear o direito de outro falar.
Refiro-me à decisão de Renildo Brito de levar Roberto Tourinho à Corregedoria da Câmara, por ter dito em pronunciamento que há vereadores que representam as empresas de transporte. Ora, em alguns casos, esta representação foi até mesmo assumida pelos representantes, e, em tese, não há nada de mal nisto.
Vereadores já enfrentaram passeatas enfurecidas de estudantes, ameaças de quebra-quebra e agressões físicas, para aprovar propostas de interesse das empresas; ou rejeitar propostas que contrariavam estes interesses. A princípio seria louvável essa bravura. Defender as convicções até a morte é um gesto heróico. O problema é que não se vê dos vereadores esta disposição em outras causas, o que naturalmente levanta suspeitas.
Tourinho não afirmou, como disse Renildo, que havia vereadores no bolso das empresas. Seria certamente ofensivo e mesmo assim, talvez não fosse o caso de resultar num processo. Se nem os vereadores, regimentalmente invioláveis em suas declarações, podem dizer abertamente o que pensam, onde é que vamos parar? Em pouco tempo, andaremos todos com esparadrapo na boca.
Ao invés de ocorrer a contestação do discurso com outro discurso e deixar as coisas no campo do debate de idéias, argumentos e contra-argumentos, apela-se logo ao tapetão.
Isso tudo, porém, está claro, é conseqüência do circo que se instalou em Brasília há um ano, que produz resultado quase nenhum, mas popularizou a instância do Conselho de Ética (similar à nossa Corregedoria), que agora está na moda.
Publicado na Tribuna Feirense em 24/03/06
18.3.06
Nada de choro
Foi motivo de debate nas páginas deste matutino o fechamento do Shopping Centro e sua possível relação com a eterna “crise”, palavra evocada para justificar qualquer percalço empresarial.
Eu adoro um debate, mas neste caso, acho que ele nem precisava ter começado, pois não dá para dizer que Feira de Santana está em crise; ou então, nada é o que parece ser.
Foi em 1994 que vim morar em Feira de Santana. Embora eu viesse da segunda maior cidade do país e tida até hoje por muitos como capital federal em alguns aspectos (especialmente pelo poder irradiador de sua cultura), Feira nunca me pareceu uma cidadezinha de interior. Sempre notei uma vitalidade, um dinamismo muito forte.
Mas naquela época, o que mais se ouvia era que a cidade estava mal, muito mal, a caminho do abismo. Eu não entendia bem porque; ou melhor, não concordava com esta visão. Admirava-me de ver tanta gente da própria cidade, a falar mal dela. A coisa chegou a tal ponto que a TV Subaé lançou a campanha Feira Faz Bem, numa iniciativa para combater o baixo astral.
Se em 1994, não havia motivo suficiente para desespero, hoje muito menos. Quem é do lugar, pelo hábito, às vezes não percebe certas mudanças. Como os pais que não percebem no dia a dia os filhos crescerem, e, quando alguém que não via os meninos há alguns meses diz “nossa, como estão grandes”, estranham.
Então penso que devo dar um testemunho para lembrar o tanto de avanços somente do tempo em que vivo aqui.
A maior empresa do mundo, Wall Mart, está instalada na cidade, como proprietária que é do Bompreço. Este por sua vez, situa-se dentro do Shopping Iguatemi, que não veio para Feira para socorrer a cidade, mas porque enxergava nela um potencial econômico grande. E tanto estava certo que anda a cada dia mais cheio e já pensa em ampliação. No mesmo shopping situa-se desde o começo a C&A, uma das maiores do setor no Brasil, também controlada por um grupo estrangeiro e mais recentemente as Lojas Americanas, que em seu segmento, se não é a maior, é uma das maiores do país. Todas empresas que só investem depois de estudar o mercado e se certificar de seu potencial.
Nos principais pontos comerciais do município, houve uma expansão de lojas grandes e médias, com fachadas atraentes e vitrines bem elaboradas, coisa que antes não se via. Novas áreas são agregadas a cada dia a um centro comercial que se expande, trazendo inclusive o efeito colateral da falta de lugar para estacionar onde há pouco tempo só existiam residências.
No setor de eletrodomésticos mesmo, lojas que já atuavam na cidade ampliaram o número de estabelecimentos (como Insinuante e Lojas Maia) e outras chegaram (como Ricardo Eletros). No setor de óticas, outras empresas também vieram de fora, buscar seu pedaço neste bolo.
Claro, as próprias lojas feirenses, como Universal, reagiram, melhoraram, diversificaram, investiram na aparência de seus pontos de venda. A área de decoração, que tinha apenas a Casanova dentro de um estilo mais sofisticado, passou a exibir uma vibrante concorrência, com várias lojas grandes e espaçosas.
Um exemplo dos mais evidentes é das Pedras Maram, que de um ponto comercial misturado com depósito no Contorno passou a um belo e bem projetado escritório comercial na Getúlio Vargas. Certamente esta é outra área em que logo nomes de expressão nacional começarão a desembarcar.
Na educação, também os empreendedores feirenses demonstraram competência, abrindo faculdades particulares que seguem em expansão. Os de fora também não ficaram alheios ao potencial deste mercado e temos agora o que se pode chamar de um pólo universitário, que espero ver crescer e se qualificar muito mais, para que a cidade encontre seu rumo e sua estabilidade definitivamente, por meio desta mão de obra mais qualificada.
E ainda o poder público, que saneado e melhor administrado, recuperou a capacidade de investimento, o que gera emprego e levanta a auto-estima da população, ao ver chegarem melhorias em ruas e bairros que viviam no esquecimento.
Outros exemplos existem, mas nem me ocorrem agora neste levantamento feito de memória nem é infinito o espaço da página, ou o tempo do leitor. Porém estas já são evidências suficientes para esperamos nunca mais ouvir aquela ladainha de que “Feira vai acabar”. Se um empreendimento fecha as portas, é lamentável. Mas as causas do fracasso devem ser buscadas dentro dele e não fora.
Publicado na Tribuna Feirense em 17/03/2006
Eu adoro um debate, mas neste caso, acho que ele nem precisava ter começado, pois não dá para dizer que Feira de Santana está em crise; ou então, nada é o que parece ser.
Foi em 1994 que vim morar em Feira de Santana. Embora eu viesse da segunda maior cidade do país e tida até hoje por muitos como capital federal em alguns aspectos (especialmente pelo poder irradiador de sua cultura), Feira nunca me pareceu uma cidadezinha de interior. Sempre notei uma vitalidade, um dinamismo muito forte.
Mas naquela época, o que mais se ouvia era que a cidade estava mal, muito mal, a caminho do abismo. Eu não entendia bem porque; ou melhor, não concordava com esta visão. Admirava-me de ver tanta gente da própria cidade, a falar mal dela. A coisa chegou a tal ponto que a TV Subaé lançou a campanha Feira Faz Bem, numa iniciativa para combater o baixo astral.
Se em 1994, não havia motivo suficiente para desespero, hoje muito menos. Quem é do lugar, pelo hábito, às vezes não percebe certas mudanças. Como os pais que não percebem no dia a dia os filhos crescerem, e, quando alguém que não via os meninos há alguns meses diz “nossa, como estão grandes”, estranham.
Então penso que devo dar um testemunho para lembrar o tanto de avanços somente do tempo em que vivo aqui.
A maior empresa do mundo, Wall Mart, está instalada na cidade, como proprietária que é do Bompreço. Este por sua vez, situa-se dentro do Shopping Iguatemi, que não veio para Feira para socorrer a cidade, mas porque enxergava nela um potencial econômico grande. E tanto estava certo que anda a cada dia mais cheio e já pensa em ampliação. No mesmo shopping situa-se desde o começo a C&A, uma das maiores do setor no Brasil, também controlada por um grupo estrangeiro e mais recentemente as Lojas Americanas, que em seu segmento, se não é a maior, é uma das maiores do país. Todas empresas que só investem depois de estudar o mercado e se certificar de seu potencial.
Nos principais pontos comerciais do município, houve uma expansão de lojas grandes e médias, com fachadas atraentes e vitrines bem elaboradas, coisa que antes não se via. Novas áreas são agregadas a cada dia a um centro comercial que se expande, trazendo inclusive o efeito colateral da falta de lugar para estacionar onde há pouco tempo só existiam residências.
No setor de eletrodomésticos mesmo, lojas que já atuavam na cidade ampliaram o número de estabelecimentos (como Insinuante e Lojas Maia) e outras chegaram (como Ricardo Eletros). No setor de óticas, outras empresas também vieram de fora, buscar seu pedaço neste bolo.
Claro, as próprias lojas feirenses, como Universal, reagiram, melhoraram, diversificaram, investiram na aparência de seus pontos de venda. A área de decoração, que tinha apenas a Casanova dentro de um estilo mais sofisticado, passou a exibir uma vibrante concorrência, com várias lojas grandes e espaçosas.
Um exemplo dos mais evidentes é das Pedras Maram, que de um ponto comercial misturado com depósito no Contorno passou a um belo e bem projetado escritório comercial na Getúlio Vargas. Certamente esta é outra área em que logo nomes de expressão nacional começarão a desembarcar.
Na educação, também os empreendedores feirenses demonstraram competência, abrindo faculdades particulares que seguem em expansão. Os de fora também não ficaram alheios ao potencial deste mercado e temos agora o que se pode chamar de um pólo universitário, que espero ver crescer e se qualificar muito mais, para que a cidade encontre seu rumo e sua estabilidade definitivamente, por meio desta mão de obra mais qualificada.
E ainda o poder público, que saneado e melhor administrado, recuperou a capacidade de investimento, o que gera emprego e levanta a auto-estima da população, ao ver chegarem melhorias em ruas e bairros que viviam no esquecimento.
Outros exemplos existem, mas nem me ocorrem agora neste levantamento feito de memória nem é infinito o espaço da página, ou o tempo do leitor. Porém estas já são evidências suficientes para esperamos nunca mais ouvir aquela ladainha de que “Feira vai acabar”. Se um empreendimento fecha as portas, é lamentável. Mas as causas do fracasso devem ser buscadas dentro dele e não fora.
Publicado na Tribuna Feirense em 17/03/2006
13.3.06
Vacinação contra rotavírus
As vacinas contra o rotavírus – uma das principais causas de diarréia grave em bebês – começaram a ser aplicadas nesta segunda (13/3) nas unidades públicas de saúde de Feira de Santana. O município recebeu do Ministério da Saúde 1.665 doses.
Serão imunizadas crianças com idade a partir de um mês e 15 dias até cinco meses e sete dias. A segunda dose deve ser aplicada entre um e dois meses depois da primeira.
O rotavírus pode até causar morte. Os principais sintomas são febre, vômitos e diarréia freqüente. Um quadro que pode durar entre três e seis dias. O vírus é transmitido através de alimentos e água contaminados e também pelo contato direto com pessoas infectadas. O período de incubação é relativamente curto, de um a três dias.
A doença se manifesta com maior intensidade no inverno. A vacinação ocorre antes, para que possam criar anticorpos.
Serão imunizadas crianças com idade a partir de um mês e 15 dias até cinco meses e sete dias. A segunda dose deve ser aplicada entre um e dois meses depois da primeira.
O rotavírus pode até causar morte. Os principais sintomas são febre, vômitos e diarréia freqüente. Um quadro que pode durar entre três e seis dias. O vírus é transmitido através de alimentos e água contaminados e também pelo contato direto com pessoas infectadas. O período de incubação é relativamente curto, de um a três dias.
A doença se manifesta com maior intensidade no inverno. A vacinação ocorre antes, para que possam criar anticorpos.
Genésio Serafim assume Secretaria de Habitação
Toma posse nesta quarta-feira no cargo de secretário de Habitação, o vereador Genésio Serafim de Lima. A Secretaria estava sendo ocupada interinamente pelo secretário de Planejamento, Carlos Brito. Na Câmara, ele foi substituído pelo advogado Magno Felzemburg, que deixou o Procon.
Pré-vestibular público é ampliado
Quem estudou em escola pública em qualquer época, pode agora fazer parte do programa Universidade para todos, o cursinho pré-vestibular do governo estadual. Até o ano passado, as vagas eram restritas a pessoas que se formaram nos últimos cinco anos.
Aumentou também o número de vagas. A Universidade Estadual de Feira de Santana vai oferecer 3.180. São 1.605 vagas a mais que em 2005, aumento superior a 100%. Em toda a Bahia o Governo do Estado disponibiliza cerca de 20 mil vagas.
A inscrição para seleção pode ser feita até 24 de março em qualquer escola da rede estadual de ensino. É necessária apresentar originais da: carteira de identidade e CPF, comprovante de residência, históricos de 5ª a 8ª série e do ensino médio e histórico do 1º e 2º ano do ensino médio para alunos, que ainda estão cursando o 3º ano. As aulas serão realizadas no período de 3 de abril a 30 de novembro, com carga horária de 800 horas. Informações através do Disque Somar (0800-2858000) ou pela internet (www.sec.ba.gov.br/matricula2006).
EMPREGO PARA MONITORES
A ampliação do número de vagas também vai proporcionar trabalho com remuneração para 170 estudantes da UEFS que atuarão como professores-monitores, 60 vagas a mais que em 2005. O edital para seleção dos professores já foi publicado e pode ser conferido na internet (www.uefs.br), em “Editais”.
Aumentou também o número de vagas. A Universidade Estadual de Feira de Santana vai oferecer 3.180. São 1.605 vagas a mais que em 2005, aumento superior a 100%. Em toda a Bahia o Governo do Estado disponibiliza cerca de 20 mil vagas.
A inscrição para seleção pode ser feita até 24 de março em qualquer escola da rede estadual de ensino. É necessária apresentar originais da: carteira de identidade e CPF, comprovante de residência, históricos de 5ª a 8ª série e do ensino médio e histórico do 1º e 2º ano do ensino médio para alunos, que ainda estão cursando o 3º ano. As aulas serão realizadas no período de 3 de abril a 30 de novembro, com carga horária de 800 horas. Informações através do Disque Somar (0800-2858000) ou pela internet (www.sec.ba.gov.br/matricula2006).
EMPREGO PARA MONITORES
A ampliação do número de vagas também vai proporcionar trabalho com remuneração para 170 estudantes da UEFS que atuarão como professores-monitores, 60 vagas a mais que em 2005. O edital para seleção dos professores já foi publicado e pode ser conferido na internet (www.uefs.br), em “Editais”.
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