Como é notório a qualquer um que não esteja no mundo da lua, o PCC, organização criminosa paulista, adotou a tática de aterrorizar a população, para mostrar que ninguém pode mexer com eles, que ninguém pode contrariá-los. Os ataques começaram direcionados exclusivamente a policiais ou no máximo bombeiros, em maio. Agora em julho, voltaram-se a princípio contra agentes penitenciários, mas acabaram atingindo diversos tipos de estabelecimentos comerciais, vigilantes civis, funcionários aposentados da segurança pública, transporte coletivo e enfim, qualquer um que lhes atravessasse o caminho, incluindo uma mãe e seu bebê.
A tática da intimidação contra quem contraria interesses criminosos não é novidade nenhuma. A diferença do que aconteceu em São Paulo é que ela foi transformada em banalidade e aí é que mora o perigo.
Não é problema dos paulistas. É problema de todos nós, porque o exemplo se espalha e se espalha depressa. Aqui em Feira, acordamos ontem sabendo que um morador de um bairro central (Brasília), teve o carro atingido na garagem de casa, por pedradas que danificaram a lataria e quebraram vidros. E foi atingido aparentemente pelo acaso de ser vizinho de uma pessoa que atua na fiscalização a veículos que fazem transporte irregular na cidade. Pessoa que nem sequer é fiscal, mas dirige carro no qual o fiscal se locomove. E que não estava com o carro na garagem porque o carro está na oficina, vítima de uma ação idêntica, ocorrida também na garagem de casa. O carro do motorista do fiscal não estava, então sobrou para o carro do vizinho.
Não é caso para deixar para lá, para ser esquecido em meio a incontáveis ocorrências policiais. É um precedente sério, que precisa ser investigado pela polícia e punido pela justiça.
Se de fato por trás desta ação estão praticantes de transporte clandestino, é um péssimo sinal. Sinal de não temem nem a prefeitura, nem a polícia militar, nem o Ministério Público, que ordenou há poucos dias um combate à clandestinidade. E, por conseguinte, não temem também a Justiça, onde inevitavelmente irão desaguar eventuais processos.
Tanto mais séria é a situação por existirem policiais atuando nesta atividade clandestina, como já denunciado publicamente por representantes do setor (e comentado na surdina por motoristas do transporte “alternativo”). É perversa a condição de um PM, que tem um trabalho árduo e um salário baixo, sendo por lei proibido de exercer outras funções para complementar renda. Por isso entende-se e tolera-se o exercício de atividades diversas pelos policiais. Mas uma clandestina é impossível aceitar.
Uma impressão de desordem na segurança pública já foi inevitavelmente transmitida pelos acontecimentos dos últimos dias, que tiveram um PM espancado por colegas dentro do batalhão, atentado a bala contra a casa de outro, acusações, ofensas e xingamentos em entrevistas, dossiês de parte a parte e chefia de Polícia Civil recorrendo ao Ministério Público para providências no Batalhão da PM. Tudo isso não ocorreu de uma hora para outra, sem motivo. É o transbordamento de uma fervura que vem de longe e já não podia mais ficar encoberta.
Neste clima, que no mínimo se pode chamar de bagunça, corremos o risco da marginalidade se sentir mais à vontade para agir do que já está. O apedrejamento do carro do vizinho do motorista do fiscal é um sinal disso.
Publicado na Tribuna Feirense em 22 de julho de 2006
22.7.06
17.7.06
Clailton com Pimenta
O Judiciário é uma das mais importantes instituições humanas. É indispensável para a existência da sociedade que em qualquer conflito de interesses, exista uma maneira harmoniosa de definir uma questão, cada lado apresentando seus argumentos e acatando a decisão que vier do juiz.
No entanto, entre nós, a chamada Justiça está deixando de ser o amparo dos verdadeiramente injustiçados e o terror dos malfeitores. Tornou-se antes, o álibi dos infratores.
Ainda se encontra, entre a gente mais simples, aqueles que tremem só de ouvir falar em Justiça. Mas os que sabem manejar as armas e armadilhas dos processos, têm tanto medo desta Justiça quanto os caloteiros profissionais têm do SPC. Para estes, a Justiça, ao invés de veneno, é antídoto, pois ao ser pego com a mão na massa, aceitam pacientemente o processo, sabendo que ao final dele, não haverá condenação, ainda que haja provas. E sem condenação, o réu ressurgirá vingado, alardeando: “nada ficou provado e fui inocentado”.
Assim fez o milionário político Orestes Quércia, agora todo assanhado para ser candidato em São Paulo, disputado pelo PT e pelo PSDB, os partidos que antes o carimbaram como corrupto. Assim faz Paulo Maluf, ainda mais desinformado e esquecido do que Lula, pois nem de suas contas bancárias milionárias no exterior, ele sabe ou se lembra.
Em Feira de Santana, não estamos mais sem nosso próprio exemplo de inocência afiançada pela Justiça. Depois de anos, pilhas de processos, documentos, depoimentos, reportagens esclarecedoras estarrecedoras e falsas ameaças de adversários políticos, o ex-prefeito Clailton Mascarenhas foi considerado um injustiçado pelo deputado estadual Tarcízio Pimenta, que com total despudor, anunciou o apoio do investigado à sua candidatura para reeleição na Assembléia Legislativa.
Baseando-se no fato de que na prática nada aconteceu com Clailton em termos de punição, Tarcízio sentiu-se à vontade para considerá-lo vítima e não criminoso.
Faz sentido. Como não ocorre punição, quem vai dizer que o réu é culpado? Na época dos fatos, as provas podem ser fartas e consistentes, de tal maneira que todos se convencem do mal feito e não há muito como negar. Porém, passado o tempo, quem vai se lembrar de tudo que passou? Além do mais, há muitos que nem eram eleitores quando tudo aconteceu. Teria que valer a sentença proferida. Sem sentença, nada feito.
Sorte de Clailton que escapou. Sorte de Tarcízio que pode se aliar a ele sem ser muito recriminado. Provavelmente nem seu tutor eleitoral, o senador ACM, o recrimina, apesar de, nas eleições de 2000, no auge da desmoralização de Clailton, ter prometido, como é de seu feitio, uma faxina moral em Feira de Santana, após a ascensão do PFL ao poder.
Publicado na Tribuna Feirense em 15/07/06
No entanto, entre nós, a chamada Justiça está deixando de ser o amparo dos verdadeiramente injustiçados e o terror dos malfeitores. Tornou-se antes, o álibi dos infratores.
Ainda se encontra, entre a gente mais simples, aqueles que tremem só de ouvir falar em Justiça. Mas os que sabem manejar as armas e armadilhas dos processos, têm tanto medo desta Justiça quanto os caloteiros profissionais têm do SPC. Para estes, a Justiça, ao invés de veneno, é antídoto, pois ao ser pego com a mão na massa, aceitam pacientemente o processo, sabendo que ao final dele, não haverá condenação, ainda que haja provas. E sem condenação, o réu ressurgirá vingado, alardeando: “nada ficou provado e fui inocentado”.
Assim fez o milionário político Orestes Quércia, agora todo assanhado para ser candidato em São Paulo, disputado pelo PT e pelo PSDB, os partidos que antes o carimbaram como corrupto. Assim faz Paulo Maluf, ainda mais desinformado e esquecido do que Lula, pois nem de suas contas bancárias milionárias no exterior, ele sabe ou se lembra.
Em Feira de Santana, não estamos mais sem nosso próprio exemplo de inocência afiançada pela Justiça. Depois de anos, pilhas de processos, documentos, depoimentos, reportagens esclarecedoras estarrecedoras e falsas ameaças de adversários políticos, o ex-prefeito Clailton Mascarenhas foi considerado um injustiçado pelo deputado estadual Tarcízio Pimenta, que com total despudor, anunciou o apoio do investigado à sua candidatura para reeleição na Assembléia Legislativa.
Baseando-se no fato de que na prática nada aconteceu com Clailton em termos de punição, Tarcízio sentiu-se à vontade para considerá-lo vítima e não criminoso.
Faz sentido. Como não ocorre punição, quem vai dizer que o réu é culpado? Na época dos fatos, as provas podem ser fartas e consistentes, de tal maneira que todos se convencem do mal feito e não há muito como negar. Porém, passado o tempo, quem vai se lembrar de tudo que passou? Além do mais, há muitos que nem eram eleitores quando tudo aconteceu. Teria que valer a sentença proferida. Sem sentença, nada feito.
Sorte de Clailton que escapou. Sorte de Tarcízio que pode se aliar a ele sem ser muito recriminado. Provavelmente nem seu tutor eleitoral, o senador ACM, o recrimina, apesar de, nas eleições de 2000, no auge da desmoralização de Clailton, ter prometido, como é de seu feitio, uma faxina moral em Feira de Santana, após a ascensão do PFL ao poder.
Publicado na Tribuna Feirense em 15/07/06
16.6.06
A reinvenção da escrita
Não escrevo sobre Copa do Mundo, porque não tenho nada de novo a dizer sobre o onipresente assunto sobre o qual já se debruçam tantos jornalistas que não haverá leitores/telespectadores para tanto que se produz. Mas falo de um texto do blog do Juca Kfouri, dos mais afamados jornalistas esportivos do país, que se mostrava dividido entre o espanto e a satisfação de publicar suas palavras para o mundo todo na internet, por meio de uma rede sem fio, enquanto se deslocava de trem a 250 km, entre uma cidade e outra. É batucar no PC, reler, resolver se está OK e clic: publicar.
Agora o texto viaja pelo ar, invisível, como já faziam os sinais de rádio e TV. A escrita, a pioneira das formas de imprensa, adquire o caráter instantâneo que era exclusividade destas outras mídias.
Publicar suas próprias impressões, opiniões e informações está praticamente ao alcance de qualquer um. Podem-se escrever e divulgar sandices, mentiras, leviandades ou verdades, mas não se pode proibir ninguém de se manifestar. O público mais que nunca é o juiz supremo, decidindo o que ler e no que crer. Não temos ainda a dimensão exata do impacto disso, mas pode-se dizer que é uma revolução.
Penso quanto ao longo da história a palavra escrita já foi motivo de perseguição. Quanta gente já se arriscou e morreu, por carregar livros e textos que os donos do poder não queriam que circulassem. Quantas fogueiras acendidas pela igreja, pelos nazistas, pelos comunistas, pelos ditadores, pelos falsos moralistas.
Penso nas bíblias nos países do leste europeu, desfolhadas página por página quando o cristianismo era proibido, para que assim fossem trocadas entre os crentes clandestinos, em volumes fáceis de serem escondidos ou destruídos sem deixar rastros, em caso de serem seus detentores surpreendidos pela polícia.
Ou nas bibliotecas enterradas no quintal nos tempos da nossa infeliz ditadura militar, por conterem obras marxistas cujos donos nem mesmo compartilhavam daquela visão de mundo, mas queriam ler, entender, informar-se, fazer seu julgamento sem precisar que outros pensassem por eles.
Com a internet, blogs, etc, tudo ficou mais difícil para a repressão. É certo que nos países islâmicos e na China, os governos lutam sofregamente para impedir o acesso a páginas que consideram subversivas. Blogueiros independentes já foram e continuarão a ser presos. Mas o trabalho de repressão torna-se cada vez mais difícil, bem como fica quase impossível vetar o acesso das pessoas à informação, de posse da qual cada um terá melhores condições de decidir em que acreditar, visto que a verdade, para o bem e para o mal, não é algo concreto e imutável, pois cada um tem a sua (tem muita gente que acha Hitler um cara legal e pouco se pode fazer para convencê-los do contrário).
Um dos melhores aspectos de tudo isto é a revalorização da palavra escrita, tão pouco prestigiada nestes tempos em que domina o show televisivo. A palavra escrita é tão importante que se considera que a história da humanidade começou a partir do momento em que a escrita foi criada. Tudo que veio antes é pré-história.
A lamentar, principalmente o fato de que, se a barreira do veículo de comunicação foi quebrada (pois você pode publicar seu blog num servidor em qualquer lugar do mundo, inacessível aos censores), falta vencer outro fator muito mais limitador: o analfabetismo, que impede a leitura ou a compreensão e ainda assola a maior parte de nossa sociedade brasileira e é especialmente forte no Nordeste.
Publicado na Tribuna Feirense em 17/06/06
Agora o texto viaja pelo ar, invisível, como já faziam os sinais de rádio e TV. A escrita, a pioneira das formas de imprensa, adquire o caráter instantâneo que era exclusividade destas outras mídias.
Publicar suas próprias impressões, opiniões e informações está praticamente ao alcance de qualquer um. Podem-se escrever e divulgar sandices, mentiras, leviandades ou verdades, mas não se pode proibir ninguém de se manifestar. O público mais que nunca é o juiz supremo, decidindo o que ler e no que crer. Não temos ainda a dimensão exata do impacto disso, mas pode-se dizer que é uma revolução.
Penso quanto ao longo da história a palavra escrita já foi motivo de perseguição. Quanta gente já se arriscou e morreu, por carregar livros e textos que os donos do poder não queriam que circulassem. Quantas fogueiras acendidas pela igreja, pelos nazistas, pelos comunistas, pelos ditadores, pelos falsos moralistas.
Penso nas bíblias nos países do leste europeu, desfolhadas página por página quando o cristianismo era proibido, para que assim fossem trocadas entre os crentes clandestinos, em volumes fáceis de serem escondidos ou destruídos sem deixar rastros, em caso de serem seus detentores surpreendidos pela polícia.
Ou nas bibliotecas enterradas no quintal nos tempos da nossa infeliz ditadura militar, por conterem obras marxistas cujos donos nem mesmo compartilhavam daquela visão de mundo, mas queriam ler, entender, informar-se, fazer seu julgamento sem precisar que outros pensassem por eles.
Com a internet, blogs, etc, tudo ficou mais difícil para a repressão. É certo que nos países islâmicos e na China, os governos lutam sofregamente para impedir o acesso a páginas que consideram subversivas. Blogueiros independentes já foram e continuarão a ser presos. Mas o trabalho de repressão torna-se cada vez mais difícil, bem como fica quase impossível vetar o acesso das pessoas à informação, de posse da qual cada um terá melhores condições de decidir em que acreditar, visto que a verdade, para o bem e para o mal, não é algo concreto e imutável, pois cada um tem a sua (tem muita gente que acha Hitler um cara legal e pouco se pode fazer para convencê-los do contrário).
Um dos melhores aspectos de tudo isto é a revalorização da palavra escrita, tão pouco prestigiada nestes tempos em que domina o show televisivo. A palavra escrita é tão importante que se considera que a história da humanidade começou a partir do momento em que a escrita foi criada. Tudo que veio antes é pré-história.
A lamentar, principalmente o fato de que, se a barreira do veículo de comunicação foi quebrada (pois você pode publicar seu blog num servidor em qualquer lugar do mundo, inacessível aos censores), falta vencer outro fator muito mais limitador: o analfabetismo, que impede a leitura ou a compreensão e ainda assola a maior parte de nossa sociedade brasileira e é especialmente forte no Nordeste.
Publicado na Tribuna Feirense em 17/06/06
12.6.06
Corruptos e corruptores
Nem os próprios políticos podem negar que grande parte deles são corruptos. Porém são ainda uma outra coisa: corruptores. Isso porque pagam indivíduos de alguma forma, para obter seus votos.
Para que haja corruptores, é preciso haver corruptos. E neste caso, o corrupto deixa de ser o político para ser o eleitor que vende seu voto.
Alguns políticos me disseram ultimamente que mesmo não querendo, fica quase impossível fazer política e conquistar eleitores sem oferecer favores ou sem atender solicitações diversas, que incluem não apenas o manjado pedido de emprego mas também coisas como vagas em escolas públicas da preferência do pedinte.
O eleitor mais pobre se vende por 10 reais, um saco de cimento, um tanto de entulho. Mas o mais endinheirado também quer um perdão de IPTU, de uma multa de trânsito, uma concessão aqui e outra ali e vão todos buscando seu bocado.
Um dos políticos que se queixou disso a mim disse que não iria mais se candidatar, porque no domicílio eleitoral dele, uma pequena cidade, todos de alguma forma se corrompiam e era impossível ganhar votos pregando idéias.
Tudo isso não é novidade nenhuma e todos que tenham um mínimo de contato com este sistema concordam que é verdade. Quase todos hão de concordar também que está errado. Mas como modificar? Como quebrar este círculo vicioso? É possível fazê-lo?
Extinguir totalmente não é possível. Sempre haverá algum tipo de troca de favores por votos, assim como tem gente que vota num candidato por considera-lo bonito ou com cara de bom menino.
O problema é que essa escolha pouco criteriosa se acentua pela desigualdade social que é muito grande. A grande massa do eleitorado pobre não vê perspectiva de ascensão alguma na vida e acha que só pode ter alguma coisa se o poderoso de cima der.
Isso se expressa até na forma como as pessoas se auto-definem, dizendo “Eu sou fraco” e, apontando para um grupo de deputados e secretários, define: “Ali são os homens fortes da Feira de Santana”.
Evidente que o progresso coletivo e a diminuição das diferenças abissais de renda fariam o problema se atenuar. Ocorre que para o desenvolvimento e a distribuição de renda, a participação do poder público é fundamental.
A educação seria o grande promotor do desenvolvimento, mas a nossa é péssima. O poder público é controlado por gente que não dá a mínima para o problema, até porque em sua maioria também não tem educação. Tanto China quanto Índia, a despeito de terem uma legião de centenas de milhões de miseráveis num contingente populacional superior ao bilhão de pessoas, alicerçaram seu crescimento na educação qualificada de suas elites no exterior (basicamente Estados Unidos e Inglaterra). Com um batalhão de gente altamente qualificada, o desenvolvimento foi inevitável e acabou por beneficiar milhões de pessoas que viviam na miséria, mas que vão aos poucos melhorando de vida.
Mas nem com isso podemos contar. Entre nós, o progresso não se baseia no mérito nem na inteligência, mas na esperteza, aquela esperteza burra, que se vangloria de ser inteligente, parente próxima do “jeitinho brasileiro”.
Para que haja corruptores, é preciso haver corruptos. E neste caso, o corrupto deixa de ser o político para ser o eleitor que vende seu voto.
Alguns políticos me disseram ultimamente que mesmo não querendo, fica quase impossível fazer política e conquistar eleitores sem oferecer favores ou sem atender solicitações diversas, que incluem não apenas o manjado pedido de emprego mas também coisas como vagas em escolas públicas da preferência do pedinte.
O eleitor mais pobre se vende por 10 reais, um saco de cimento, um tanto de entulho. Mas o mais endinheirado também quer um perdão de IPTU, de uma multa de trânsito, uma concessão aqui e outra ali e vão todos buscando seu bocado.
Um dos políticos que se queixou disso a mim disse que não iria mais se candidatar, porque no domicílio eleitoral dele, uma pequena cidade, todos de alguma forma se corrompiam e era impossível ganhar votos pregando idéias.
Tudo isso não é novidade nenhuma e todos que tenham um mínimo de contato com este sistema concordam que é verdade. Quase todos hão de concordar também que está errado. Mas como modificar? Como quebrar este círculo vicioso? É possível fazê-lo?
Extinguir totalmente não é possível. Sempre haverá algum tipo de troca de favores por votos, assim como tem gente que vota num candidato por considera-lo bonito ou com cara de bom menino.
O problema é que essa escolha pouco criteriosa se acentua pela desigualdade social que é muito grande. A grande massa do eleitorado pobre não vê perspectiva de ascensão alguma na vida e acha que só pode ter alguma coisa se o poderoso de cima der.
Isso se expressa até na forma como as pessoas se auto-definem, dizendo “Eu sou fraco” e, apontando para um grupo de deputados e secretários, define: “Ali são os homens fortes da Feira de Santana”.
Evidente que o progresso coletivo e a diminuição das diferenças abissais de renda fariam o problema se atenuar. Ocorre que para o desenvolvimento e a distribuição de renda, a participação do poder público é fundamental.
A educação seria o grande promotor do desenvolvimento, mas a nossa é péssima. O poder público é controlado por gente que não dá a mínima para o problema, até porque em sua maioria também não tem educação. Tanto China quanto Índia, a despeito de terem uma legião de centenas de milhões de miseráveis num contingente populacional superior ao bilhão de pessoas, alicerçaram seu crescimento na educação qualificada de suas elites no exterior (basicamente Estados Unidos e Inglaterra). Com um batalhão de gente altamente qualificada, o desenvolvimento foi inevitável e acabou por beneficiar milhões de pessoas que viviam na miséria, mas que vão aos poucos melhorando de vida.
Mas nem com isso podemos contar. Entre nós, o progresso não se baseia no mérito nem na inteligência, mas na esperteza, aquela esperteza burra, que se vangloria de ser inteligente, parente próxima do “jeitinho brasileiro”.
Sai da sala, meu filho! Vai começar o jornal
Se ainda estivéssemos no tempo em que os pais davam ordens e os filhos obedeciam imediatamente, não haveria telespectadores mirins na hora em que a TV começa a mostrar as notícias do Brasil.
Nos idos de antigamente, quando Roberto Jefferson ainda não tinha levantado a tampa do bueiro, pessoas sinceras e falsos moralistas apontavam as novelas como as grandes professoras de mau comportamento para a criançada. Agora as ruindades de folhetim estão perdendo feio para a realidade.
E os meninos aprendem que no nosso país quem está podendo é o cínico, o mentiroso, o debochado, o que não estudou porque não quis, o que mata mais e outros tipos vulgares.
Ontem mesmo (25/05), uns deputados em Brasília se disseram ofendidos e fingiram que prenderam um advogado que disse ter aprendido com eles, deputados, a malandragem.
Quem há de negar que o advogado tem razão? De qualquer modo, ele não ficará preso. Nem o técnico de som que lhe vendeu por 200 dinheiros a gravação que ajudou a detonar a onda de violência em São Paulo, na qual policiais que só se diferenciam dos bandidos pelo uso da farda, aproveitaram para executar gente que cometeu o crime de ser pobre e morar na periferia sem Estado e sem lei.
Como prender o advogado e o técnico de som se Marcos Valério está solto, Delúbio está solto, Jeferson está solto, Dirceu está solto, Marcola dá as cartas e Lula está quase reeleito? Se quase todo deputado corrupto é absolvido e a Câmara e o Senado já desistiram até de investigar os envolvidos no escândalo das ambulâncias superfaturadas?
Não há como negar. Os últimos 13 meses no Brasil estão ensinando que o crime compensa e que o aborrecimento passageiro que provoca é muito inferior às benesses que oferece (pense por exemplo no Duda Mendonça).
Os ladrões do cofre do Banco Central em Fortaleza, que fizeram o maior assalto a banco da nossa história, tiveram muito mais trabalho e correram muito mais risco do que esse pessoal.
A gente considera que foi um plano engenhoso escavar um túnel por baixo do quarteirão, porém muito mais engenhosos são os políticos, que fazem o dinheiro correr direto para o bolso deles, depositado em conta ou transportado em meias, cuecas, malas e só a dona Mary Corner sabe (mas não fala) aonde mais.
Por fim, os larápios de Fortaleza foram muito desunidos e alguns acabaram caindo pelo caminho, presos ou mortos por colegas. Bem diferentes da turma do colarinho branco onde um acoberta o outro.
Nos idos de antigamente, quando Roberto Jefferson ainda não tinha levantado a tampa do bueiro, pessoas sinceras e falsos moralistas apontavam as novelas como as grandes professoras de mau comportamento para a criançada. Agora as ruindades de folhetim estão perdendo feio para a realidade.
E os meninos aprendem que no nosso país quem está podendo é o cínico, o mentiroso, o debochado, o que não estudou porque não quis, o que mata mais e outros tipos vulgares.
Ontem mesmo (25/05), uns deputados em Brasília se disseram ofendidos e fingiram que prenderam um advogado que disse ter aprendido com eles, deputados, a malandragem.
Quem há de negar que o advogado tem razão? De qualquer modo, ele não ficará preso. Nem o técnico de som que lhe vendeu por 200 dinheiros a gravação que ajudou a detonar a onda de violência em São Paulo, na qual policiais que só se diferenciam dos bandidos pelo uso da farda, aproveitaram para executar gente que cometeu o crime de ser pobre e morar na periferia sem Estado e sem lei.
Como prender o advogado e o técnico de som se Marcos Valério está solto, Delúbio está solto, Jeferson está solto, Dirceu está solto, Marcola dá as cartas e Lula está quase reeleito? Se quase todo deputado corrupto é absolvido e a Câmara e o Senado já desistiram até de investigar os envolvidos no escândalo das ambulâncias superfaturadas?
Não há como negar. Os últimos 13 meses no Brasil estão ensinando que o crime compensa e que o aborrecimento passageiro que provoca é muito inferior às benesses que oferece (pense por exemplo no Duda Mendonça).
Os ladrões do cofre do Banco Central em Fortaleza, que fizeram o maior assalto a banco da nossa história, tiveram muito mais trabalho e correram muito mais risco do que esse pessoal.
A gente considera que foi um plano engenhoso escavar um túnel por baixo do quarteirão, porém muito mais engenhosos são os políticos, que fazem o dinheiro correr direto para o bolso deles, depositado em conta ou transportado em meias, cuecas, malas e só a dona Mary Corner sabe (mas não fala) aonde mais.
Por fim, os larápios de Fortaleza foram muito desunidos e alguns acabaram caindo pelo caminho, presos ou mortos por colegas. Bem diferentes da turma do colarinho branco onde um acoberta o outro.
13.5.06
Tem deputado demais
Logo poderá aparecer algum intérprete a me acusar de golpista. Mas é exatamente o contrário. Por amar a democracia que, como muitos outros brasileiros, eu gostaria de vê-la funcionando melhor. E uma maneira de azeitá-la seria dar uma boa enxugada na Câmara de Deputados.
Quanto mais deputados, mais gastos. Mais roubo. Mais máfia da ambulância. Mais assessores. Mais verbas. Mais notas falsas de gasolina. Mais apartamentos funcionais.
Uns 200 deputados a menos, talvez ficasse bom. Porém, ao invés disso, eles pensam em aumentar. Não apenas o número de vereadores nos municípios, mas também o número de deputados. Uma reforma para tornar o sistema melhor teria que incluir parlamentarismo e a instituição de uma única casa legislativa. Deputados somente, com o fim do Senado.
O sistema está podre e os anos de 2005 e 2006 só fazem confirmar isso a cada dia que passa. Num único esquema de corrupção (o das ambulâncias), um terço dos deputados estão implicados. Imagine-se quantos sobrariam limpos se fossem desvendados todos os esquemas de desvio de dinheiro público. E é por isso que não temos dinheiro para melhorar educação, saúde, estradas, transporte de massas e tudo o mais.
Além de corrupção, a ineficiência é imensa. Se encontrar o consenso é difícil num grupo pequeno reunido em volta de uma mesa, o que dizer de 513 deputados? Por isso, projetos da mais alta importância tramitam durante anos a fio, como foi o caso do Código Civil e está sendo no momento de muitos outros, que não conseguem entrar na pauta de votação.
É claro que tão somente isso não seria solução para o mau funcionamento da máquina pública. A vantagem é que seria um bom começo para mostrar ao país como cortar gastos públicos desnecessários melhora o conjunto. Ninguém iria chorar por 200 deputados que deixariam de ter cadeiras no Congresso. Nem pelos senadores, esta instância descabida de poder, onde cada estado da Federação possui três assentos, independente de sua população ou peso econômico.
É certo que cada país tem que encontrar o próprio caminho, que não existem modelos infalíveis, que não se pode comparar o processo legislativo do Brasil com a Inglaterra, onde o absolutismo acabou no século XVII e o primeiro ministro tem que enfrentar os debates no parlamento cara a cara com os deputados, ao alcance de um braço, enquanto no Brasil das capitanias hereditárias os “membros da Mesa”, em Brasília como em Feira ou em Chorrochó, ficam num pedestal, destacados de seus colegas.
Se concede-se ao Brasil o direito de encontrar seu próprio caminho, não se concede o direito de esperar mais. O Brasil já passou há muito tempo da hora. O brasileiro é candidato ao troféu de povo mais paciente do planeta. Mas independente da nossa passividade, a história e a economia nos atropelam, como atropelaram a Argentina, que já foi um dos países mais ricos em termos de renda per capita. O que acabou com a Argentina foi a corrupção e a má gestão do Estado. Quanto a nós, todo país hoje cresce mais que o Brasil e vamos ficando para trás. E o maior responsável por crescer ou estagnar é o Estado, que entre nós tem sido eficiente apenas para dar boa vida à corte de Brasília e seus feudos regionais, enquanto o resto trabalha para sustentar aqueles “nobres”.
Publicado na Tribuna Feirense em 13/05/06
Quanto mais deputados, mais gastos. Mais roubo. Mais máfia da ambulância. Mais assessores. Mais verbas. Mais notas falsas de gasolina. Mais apartamentos funcionais.
Uns 200 deputados a menos, talvez ficasse bom. Porém, ao invés disso, eles pensam em aumentar. Não apenas o número de vereadores nos municípios, mas também o número de deputados. Uma reforma para tornar o sistema melhor teria que incluir parlamentarismo e a instituição de uma única casa legislativa. Deputados somente, com o fim do Senado.
O sistema está podre e os anos de 2005 e 2006 só fazem confirmar isso a cada dia que passa. Num único esquema de corrupção (o das ambulâncias), um terço dos deputados estão implicados. Imagine-se quantos sobrariam limpos se fossem desvendados todos os esquemas de desvio de dinheiro público. E é por isso que não temos dinheiro para melhorar educação, saúde, estradas, transporte de massas e tudo o mais.
Além de corrupção, a ineficiência é imensa. Se encontrar o consenso é difícil num grupo pequeno reunido em volta de uma mesa, o que dizer de 513 deputados? Por isso, projetos da mais alta importância tramitam durante anos a fio, como foi o caso do Código Civil e está sendo no momento de muitos outros, que não conseguem entrar na pauta de votação.
É claro que tão somente isso não seria solução para o mau funcionamento da máquina pública. A vantagem é que seria um bom começo para mostrar ao país como cortar gastos públicos desnecessários melhora o conjunto. Ninguém iria chorar por 200 deputados que deixariam de ter cadeiras no Congresso. Nem pelos senadores, esta instância descabida de poder, onde cada estado da Federação possui três assentos, independente de sua população ou peso econômico.
É certo que cada país tem que encontrar o próprio caminho, que não existem modelos infalíveis, que não se pode comparar o processo legislativo do Brasil com a Inglaterra, onde o absolutismo acabou no século XVII e o primeiro ministro tem que enfrentar os debates no parlamento cara a cara com os deputados, ao alcance de um braço, enquanto no Brasil das capitanias hereditárias os “membros da Mesa”, em Brasília como em Feira ou em Chorrochó, ficam num pedestal, destacados de seus colegas.
Se concede-se ao Brasil o direito de encontrar seu próprio caminho, não se concede o direito de esperar mais. O Brasil já passou há muito tempo da hora. O brasileiro é candidato ao troféu de povo mais paciente do planeta. Mas independente da nossa passividade, a história e a economia nos atropelam, como atropelaram a Argentina, que já foi um dos países mais ricos em termos de renda per capita. O que acabou com a Argentina foi a corrupção e a má gestão do Estado. Quanto a nós, todo país hoje cresce mais que o Brasil e vamos ficando para trás. E o maior responsável por crescer ou estagnar é o Estado, que entre nós tem sido eficiente apenas para dar boa vida à corte de Brasília e seus feudos regionais, enquanto o resto trabalha para sustentar aqueles “nobres”.
Publicado na Tribuna Feirense em 13/05/06
5.5.06
Desprivatização ainda que tarde
É certo que Evo Morales está aí nos assombrando com os prejuízos que pode causar ao Brasil com a estatização dos recursos naturais bolivianos e a hora não é boa para defender estatização (a bem da verdade, tem mais de 15 anos que se proclama que só a privatização pode nos levar ao paraíso). Mas a frase do prefeito José Ronaldo, ao declarar que assina com “o coração partido” o aumento dos ônibus, pois se não aumentar as empresas vão à falência, me faz retornar ao inconformismo que há muito tenho em relação ao tema: o transporte coletivo é um serviço essencial, como saúde e educação. Deveria, se vivêssemos de acordo com a lógica, ser proporcionado pelo Estado ao menor custo possível e não servir para dar lucros vultosos à iniciativa privada às custas do sacrifício da população.
As empresas privadas de ônibus, Brasil afora, vivem envolvidas com denúncias de corrupção, sendo o caso mais nebuloso e grave o assassinato do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel. Mas ninguém cogita de ser o serviço de transporte coletivo estatizado, como era em muitas cidades antigamente. Em trens e metrôs ainda se aceita a participação do Estado como proprietário, mas no transporte coletivo por meio de ônibus, neste ninguém toca. Formou-se uma aliança inquebrável entre políticos e empresários, pela qual o usuário jamais é prioridade. A percepção que a população tem, devido à má qualidade do serviço, é que embora o governo tenha o poder regulador e fiscalizador, o negócio se conduz da forma como os empresários bem querem e entendem.
Rentabilidade
Quem dera o Brasil chegasse ao menos perto da taxa de juros obtida pelo vereador Fábio Lucena. Pegou o dinheiro em junho de 2005 e devolveu em abril de 2006 pagando o mesmo valor (cerca de R$ 20 mil). Inegavelmente se configurou um empréstimo, mas com zero de juros. Foi um dos melhores negócios do período. A não ser que o dinheiro tenha ficado paradinho lá na conta. Mas isso não saberemos, porque seus colegas preferem não investigar.
Novo Fabinho?
Leio na Tribuna que Antônio Lomes decidiu deixar a política em Serrinha. Ligo o rádio em mais um programa noticioso que surgiu, desta vez ao meio dia na rádio Antares FM, de propriedade do mesmo Lomes e lá está ele, como o entrevistado que teve direito ao maior tempo no programa, a comentar sobre política nacional (a greve de fome de Garotinho, a atitude que o governo federal deve tomar em relação à Bolívia).
Estaria buscando se expor a fim de seguir o exemplo de Fernando de Fabinho, que construiu a carreira na vizinha Santa Bárbara e hoje atua fortemente em Feira? Ou será apenas alguém que gosta do microfone e resolveu utilizar o tempo livre como comentarista? O tempo dirá.
Angelo Almeida
Recebi no blog onde arquivo as colunas publicadas aqui na Tribuna, comentário do suplente de vereador Ângelo Almeida, a respeito de artigo da semana passada, em que critiquei a proposta de aumento do número de vereadores. Naturalmente, ele não concorda comigo, mas publico abaixo na íntegra sua objeção, incluindo a insinuação de que sou preguiçoso:
Prezado Glauco. Brigar para que os "sem dinheiro" possam representar as suas comunidades não é vexame. A redução de vagas elitizou as câmaras e veio cercada de farsa. Primeiro do TSE que usou dois pesos e duas medidas ( corte de vagas/quebra da verticalização). Depois pela própria imprensa, que pautou-se na economia de recursos públicos para defender a redução das vagas. Vendeu uma mercadoria e não entregou à sociedade. Você pode até estar satisfeito com a situação da Câmara de Feira, afinal sem o bom debate, com menos vereadores, trabalha-se menos também. Tenho certeza que o povo da minha terra, quer mais representantes, mais debate, mais fiscalização, mais representatividade. É por isto que luto!! Quanto à qualidade dos mandatos, cabe dizer que não devemos mascarar, a nossa democracia é jovem, precisa ser tratada com carinho, por todos, inclusive pela imprensa, que ajudou a concebê-la. Ajudou, não conquistou sozinha, fomos nós, todos nós que a conquistamos. Saudações democráticas. Angelo Almeida
Publicado na Tribuna Feirense em 05/05/2006
As empresas privadas de ônibus, Brasil afora, vivem envolvidas com denúncias de corrupção, sendo o caso mais nebuloso e grave o assassinato do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel. Mas ninguém cogita de ser o serviço de transporte coletivo estatizado, como era em muitas cidades antigamente. Em trens e metrôs ainda se aceita a participação do Estado como proprietário, mas no transporte coletivo por meio de ônibus, neste ninguém toca. Formou-se uma aliança inquebrável entre políticos e empresários, pela qual o usuário jamais é prioridade. A percepção que a população tem, devido à má qualidade do serviço, é que embora o governo tenha o poder regulador e fiscalizador, o negócio se conduz da forma como os empresários bem querem e entendem.
Rentabilidade
Quem dera o Brasil chegasse ao menos perto da taxa de juros obtida pelo vereador Fábio Lucena. Pegou o dinheiro em junho de 2005 e devolveu em abril de 2006 pagando o mesmo valor (cerca de R$ 20 mil). Inegavelmente se configurou um empréstimo, mas com zero de juros. Foi um dos melhores negócios do período. A não ser que o dinheiro tenha ficado paradinho lá na conta. Mas isso não saberemos, porque seus colegas preferem não investigar.
Novo Fabinho?
Leio na Tribuna que Antônio Lomes decidiu deixar a política em Serrinha. Ligo o rádio em mais um programa noticioso que surgiu, desta vez ao meio dia na rádio Antares FM, de propriedade do mesmo Lomes e lá está ele, como o entrevistado que teve direito ao maior tempo no programa, a comentar sobre política nacional (a greve de fome de Garotinho, a atitude que o governo federal deve tomar em relação à Bolívia).
Estaria buscando se expor a fim de seguir o exemplo de Fernando de Fabinho, que construiu a carreira na vizinha Santa Bárbara e hoje atua fortemente em Feira? Ou será apenas alguém que gosta do microfone e resolveu utilizar o tempo livre como comentarista? O tempo dirá.
Angelo Almeida
Recebi no blog onde arquivo as colunas publicadas aqui na Tribuna, comentário do suplente de vereador Ângelo Almeida, a respeito de artigo da semana passada, em que critiquei a proposta de aumento do número de vereadores. Naturalmente, ele não concorda comigo, mas publico abaixo na íntegra sua objeção, incluindo a insinuação de que sou preguiçoso:
Prezado Glauco. Brigar para que os "sem dinheiro" possam representar as suas comunidades não é vexame. A redução de vagas elitizou as câmaras e veio cercada de farsa. Primeiro do TSE que usou dois pesos e duas medidas ( corte de vagas/quebra da verticalização). Depois pela própria imprensa, que pautou-se na economia de recursos públicos para defender a redução das vagas. Vendeu uma mercadoria e não entregou à sociedade. Você pode até estar satisfeito com a situação da Câmara de Feira, afinal sem o bom debate, com menos vereadores, trabalha-se menos também. Tenho certeza que o povo da minha terra, quer mais representantes, mais debate, mais fiscalização, mais representatividade. É por isto que luto!! Quanto à qualidade dos mandatos, cabe dizer que não devemos mascarar, a nossa democracia é jovem, precisa ser tratada com carinho, por todos, inclusive pela imprensa, que ajudou a concebê-la. Ajudou, não conquistou sozinha, fomos nós, todos nós que a conquistamos. Saudações democráticas. Angelo Almeida
Publicado na Tribuna Feirense em 05/05/2006
30.4.06
A História de todo dia
Embora a imprensa tenha subido no conceito da opinião pública ultimamente (segundo as pesquisas), tem muita gente que duvida do que é publicado. Esta gente, reconheça-se, tem motivos para fazê-lo, porque notícias podem conter erros, bem como podem ser influenciadas pela ótica de quem escreve, pelo interesse de quem deu a informação, por pressões políticas, econômicas, por um monte de coisas, inclusive pelo fato de que jornalistas não são, como alguns se acham, deuses infalíveis.
Mas notícias impressas são registros históricos de qualquer modo, que transcendem em muito a importância da edição de cada dia. São documentos. Tem um monte de certidão de nascimento por aí forjada em cartório e nem por isso deixa de valer. Vale o que está escrito, ensina, sem querer, o jogo do bicho.
Neste nosso país de maioria analfabeta, poucas cidades que não sejam capitais, têm o privilégio de possuir parte significativa de sua história registrada nas páginas de periódicos. Feira de Santana tem este privilégio. Diversos foram os jornais que circularam ao longo do tempo, como atesta semanalmente a coluna do arqueólogo das notícias, Adilson Simas.
O problema é que além do Adilson, poucas são as pessoas que podem consultar estas fontes. E quem pode, só pode da maneira tradicional e morosa: folheando, coisa que está ficando impensável nestes tempos modernos de bancos de dados e respostas instantâneas para pesquisas em textos.
Os jornais que contam o dia a dia de Feira de Santana são um patrimônio histórico que, mais do que os prédios, precisa ser salvo e colocado à disposição da população, para consultas nas bibliotecas e no mundo todo, via internet.
Feira abriga a quase centenária Folha do Norte. Teve durante muitos anos a presença do Feira Hoje, registrando diariamente os fatos. E vários outros menos cotados. Nada disso está devidamente arquivado, apesar do inestimável valor histórico. Creio que nem mesmo a Tribuna Feirense e a Folha do Estado, embora mais recentes, possuem o próprio conteúdo arquivado em meio digital.
Ao contrário da restauração de imóveis (também inquestionavelmente necessária, claro), a digitalização deste conteúdo, embora possa ser um serviço demorado, não consumirá tantos recursos e terá alcance maior. É tempo da nossa universidade, que tem curso de História, ou a Prefeitura, ou seja quem for, assumir esta tarefa.
Publicado na Tribuna Feirense em 28/04/06
Mas notícias impressas são registros históricos de qualquer modo, que transcendem em muito a importância da edição de cada dia. São documentos. Tem um monte de certidão de nascimento por aí forjada em cartório e nem por isso deixa de valer. Vale o que está escrito, ensina, sem querer, o jogo do bicho.
Neste nosso país de maioria analfabeta, poucas cidades que não sejam capitais, têm o privilégio de possuir parte significativa de sua história registrada nas páginas de periódicos. Feira de Santana tem este privilégio. Diversos foram os jornais que circularam ao longo do tempo, como atesta semanalmente a coluna do arqueólogo das notícias, Adilson Simas.
O problema é que além do Adilson, poucas são as pessoas que podem consultar estas fontes. E quem pode, só pode da maneira tradicional e morosa: folheando, coisa que está ficando impensável nestes tempos modernos de bancos de dados e respostas instantâneas para pesquisas em textos.
Os jornais que contam o dia a dia de Feira de Santana são um patrimônio histórico que, mais do que os prédios, precisa ser salvo e colocado à disposição da população, para consultas nas bibliotecas e no mundo todo, via internet.
Feira abriga a quase centenária Folha do Norte. Teve durante muitos anos a presença do Feira Hoje, registrando diariamente os fatos. E vários outros menos cotados. Nada disso está devidamente arquivado, apesar do inestimável valor histórico. Creio que nem mesmo a Tribuna Feirense e a Folha do Estado, embora mais recentes, possuem o próprio conteúdo arquivado em meio digital.
Ao contrário da restauração de imóveis (também inquestionavelmente necessária, claro), a digitalização deste conteúdo, embora possa ser um serviço demorado, não consumirá tantos recursos e terá alcance maior. É tempo da nossa universidade, que tem curso de História, ou a Prefeitura, ou seja quem for, assumir esta tarefa.
Publicado na Tribuna Feirense em 28/04/06
Assinar:
Postagens (Atom)
