11.4.09

Duas pra cada um

Feira recebeu 6 das 153 novas viaturas da Polícia Civil e os vereadores de oposição ao governo do estado chiaram barbaridade na Câmara. Imagina o que devem estar dizendo os vereadores de Ilhéus e Irecê. Lá as coordenadorias receberam 2 (duas) viaturas. E os coordenadores ainda foram citados na notícia do Diário Oficial do estado (DO), dizendo-se satisfeitos.
"Com as duas viaturas que recebemos vamos poder apresentar um resultado positivo para a população", disse o titular da 7ª Coorpin, de Ilhéus, André Viana, cuja coordenadoria é responsável por 11 cidades.
A coordenadoria de Irecê tem 22 municípios. Na entrevista do DO o coordenador declarou que eram 17 carros até então. Ou seja, ainda não conseguiu ter um carro para cada cidade. Mas está satisfeito, segundo o DO.

DO é pra isso mesmo. Danoso é quando a imprensa se comporta como DO.

9.4.09

Aguenta firme, Carlito

Os vereadores estão pressionando o presidente da Câmara, Carlito do Peixe, para receber uma série de “direitos” que veem seus colegas deputados receber. Querem mais salários, auxílio para telefone, para gasolina, etc etc.
O presidente da Câmara, Carlito do Peixe, alega que o Tribunal de Contas dos Municípios não permite. E mais ainda, que se permitisse, não haveria dinheiro e para conceder mais benefícios teria que fazer cortes.

O pior é que os vereadores estão “aprendendo” que têm estes direitos nos famigerados congressos que ocorrem país afora, aos quais, mesmo com o vexame protagonizado no ano passado pela vereadora Cíntia Machado, os vereadores feirenses continuam comparecendo.

Não foi nada

Na Câmara, a Corregedoria decidiu que não há nada a ser feito no caso do vereador David Neto, que bateu no tio em praça pública. A justificativa do corregedor Roque Pereira é que o caso se deu fora do parlamento.
Então fica subentendido que só seria problema se o vereador tivesse batido em outro, dentro do plenário. Na rua pode bater à vontade, que ninguém é vereador.
Mas e a imagem da Câmara?
Ora, e eles estão lá preocupados com a imagem?
E a Câmara tem uma imagem para preservar?

O caso está sendo investigado na polícia, pelo delegado Madson Sampaio

8.4.09

Ler é poder

O ator Lázaro Ramos esteve em Brasília, em busca de apoio do Ministério da Cultura, para seu projeto Ler é poder, que organiza bibliotecas comunitárias em bairros carentes de Salvador. Existem até o momento cinco centros de leitura.

Em Feira de Santana, ao tentar doar uma coleção de revistas para projeto semelhante tive a tristeza de descobrir que a biblioteca não existe mais.
Era uma iniciativa de Amarildo Gomes, do PV, que também é professor. Ocorre que para manter o lugar funcionando, no Jardim Cruzeiro, tinha que pagar uma pessoa para ficar lá e chegava a passar um dia inteiro sem aparecer nenhum leitor. Uma pena!

Foi longe

A maior preocupação do governo municipal com a iniciativa do médico Eduardo Leite de pedir no Ministério Público adiamento da Micareta é o estrago à imagem da festa, fazendo com que muitas pessoas deixem de vir.
Em tempos de informação globalizada, ninguém controla onde pode chegar a notícia. Ontem mesmo o site do jornal O Globo, do Rio de Janeiro, publicou a seguinte matéria, da qual reproduzo abaixo o título e o primeiro parágrafo:

Dengue ameaça a realização de micareta e festa de São João na Bahia

A epidemia de dengue ameaça duas festas tradicionais da Bahia. Em Feira de Santana, cidade a 117 quilômetros de Salvador, um grupo de médicos espalhou seis outdoors solicitando o adiamento da realização da micareta do município, marcada para acontecer em 10 dias. O ex-diretor do Hospital Clériston Andrade, o médico Eduardo Leite, entrou com uma representação no Ministério Público alegando que com os hospitais cheios de pacientes com Dengue, a cidade não tem recursos nem estrutura para fazer a micareta este ano. De acordo com a prefeitura de Feira de Santana, a administração pública ainda não recebeu nenhuma notificação do MP sobre o assunto.

Ficou nisso. Em seguida a matéria só trata da situação caótica de Itabuna

Tenda para hidratação do Clériston


A foto acima mostra um pequeno pedaço do que tem sido o dia a dia do hospital Clériston Andrade. É uma situação que pode ser, ainda que com certo exagero, comparada a um campo de refugiados de guerra, onde misturam-se doentes, feridos, cansados e famintos. Nesta imagem, feita pelo colega Reginaldo Pereira, mães apoiam as crianças para dormir, sentadas no jardim de inverno. Nos quartos e enfermarias o cenário é pior.
O jardim de inverno virou um lugar disputado, porque é melhor que o corredor abafado, sem luz natural e cheio de macas. Nas macas do corredor ou dos quartos, mais de uma pessoa divide o mesmo espaço. No corredor, alguns tomam soro em pé. Nem todos estão ali por causa da dengue, mas a doença serviu para agravar uma situação que já é normalmente caótica.
Note pelas folhas no chão que a área é aberta, ou seja, se chover o corredor vai ficar um pouco mais lotado.
Note pelo cobertor embaixo do banco que as pessoas estão usando o lugar como dormitório.
Num cenário desse, é de admirar que os problemas não sejam maiores. Que não haja mais mortes. Tenho visto e ouvido muita coisa grave sobre médicos. Mas no caso deste hospital, eles, os enfermeiros e os demais devem estar fazendo o melhor trabalho possível, porque aquilo não é ambiente adequado para tratar as pessoas e esperar bons resultados.
Por isso a tenda que será inaugurada hoje serve para reidratar os doentes, mas também para trazer um alívio para todo o hospital. Só que, com o déficit de décadas acumulado na saúde pública a tenda vai ter que virar lugar permanente.
Obs: no alto da foto, em pé, aparecem os diretores Vinícius Lomanto e Edilma Reis que convocaram a imprensa para falar do caso da criança de 7 anos que morreu de dengue e dos investimentos feitos no hospital. Mas também têm o mérito de não barrar o acesso da imprensa nem esconder as mazelas da superlotação.

7.4.09

Tarcízio de volta ao "bateu levou"

Aborrecido com a repercussão na imprensa estadual da tentativa do ex-diretor do HGCA, Eduardo Leite, de adiar a Micareta via Ministério Público, o prefeito Tarcízio Pimenta voltou a usar o estilo "bateu levou" que sempre o caracterizou e andava adormecido desde que assumiu o cargo de prefeito (no que fez muito bem, pois o exercício da função exige mesmo uma dose mais alta de serenidade).
Em declarações ao site Bahia Notícias, de Samuel Celestino, o prefeito pegou pesado. Além de reafirmar o que tem dito, que não há necessidade de adiamento da Micareta, Tarcízio tachou Leite de incompetente e o acusou de mentir sobre o apoio da classe médica a seu pleito.
"Trata-se de uma mentira de um só médico, Eduardo Leite, que, por incompetência, foi demitido pelo governador Jaques Wagner do hospital estadual Clériston Andrade. A sua motivação é de puro revanchismo contra a Secretaria de Saúde no Estado", resumiu o prefeito.

Leite admite que sua iniciativa junto ao Ministério Público foi individual "como cidadão". Já os seis out-doors foram pagos com a ajuda de mais três colegas. É muito pouco, de fato. O médico garante, no entanto, que os médicos que conhecem a situação dos hospitais, tanto públicos quanto particulares, concordam com ele, considerando que o adiamento da festa seria a medida mais sensata.

CONCLUSÃO

Não haverá adiamento de Micareta. O médico deu entrada em seu pedido no dia 31 de março. Mas a audiência na qual a secretaria de Saúde está convocada para prestar informações foi marcada somente para o dia 13. A três dias do início da festa é impossível acreditar que a promotora Ana Vitória Gouveia irá pedir o adiamento. E se pedisse, a prefeitura iria mover céu e terra para tentar na Justiça impedir a concessão de uma liminar.

O preço da Micareta

É justo pagar 130 mil a Daniela Mercury para se apresentar na Micareta de Feira, como revela o FS Online? E R$ 95 mil a Carlinhos Brown? Deve ser. Supõe-se que seja o preço de mercado. Nenhum artista já consagrado, que pode cobrar o que cobra, vai tocar em Feira só porque acha bonito ou porque nossa Micareta é pioneira.

É justo privar o povo da festa em nome da economia do dinheiro público para outras prioridades? Que existem outras prioridades, não há dúvida. Mas não é correto desprezar a festa só porque é festa. O povo está acostumado e faz questão dela. Haverá festa neste ano e provavelmente sempre, a despeito dos perigos da dengue e da meningite de agora ou dos males que vierem no futuro (pois não há mal que sempre dure, mas todos têm um sucessor).

O ideal então seria que o município caminhasse para ser um regulador e não realizador da festa. Já que há tanto interesse privado e lucro envolvido, o bom é que a prefeitura procure meios no futuro de se desobrigar o máximo possível de investimentos pesados.

O pior é que ninguém, nem críticos nem defensores dos gastos, se debruça sobre o assunto.

Quanto custou a festa nos últimos dez anos?
Qual percentual deste gasto é bancado pelo município?
O custo está aumentando ou reduzindo?
Qual o retorno para os diferentes setores da economia?

Isso ninguém sabe.
Faltam dados, sobram palpites, incluindo os meus.

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