23.5.09

Candidatura de Geddel é parte do plano nacional de Quércia

O ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia, tem trabalhado intensamente para unir o PMDB em torno do apoio à candidatura de José Serra (PSDB) para presidente. Parte do esforço consiste em separar o PMDB do PT. Na Bahia, ele provoca o racha cobrindo Geddel de elogios e classificando-o como "a grande liderança da Bahia". Portanto, sua candidatura ao governo do estado seria inevitável.

Veja o que diz Quércia, em entrevista na revista Isto É desta semana:
Na Bahia, tenho conversado com o Geddel [Vieira Lima, ministro da Integração Regional]. Ele não é uma liderança da Bahia, ele é a grande liderança da Bahia. Então, qual a alternativa do Geddel? É ser candidato a governador.
Ele vai concorrer com o PT. Ele não pode perder essa oportunidade. Existe a oportunidade de o Democratas apoiar o Geddel.

Rotina de Tarcízio inalterada

O esforço de propaganda do governo municipal para colocar Tarcízio Pimenta como vítima de uma cruel e perigosa ação com intenções políticas, na qual ele teria corrido risco de vida, e sua família, que estava em casa, teria sido ameaçada, culminou com pequeno texto no Boletim Informativo onde se informou que, a despeito de tudo, o prefeito teve um dia normal de trabalho na sexta-feira.

Foi mesmo. Tanto que o dia terminou com mais um enfrentamento com os estudantes. Portando cartazes de protesto relacionados com a confusão do dia anterior, um grupo compareceu a uma formatura de Direito na UEFS. Dessa vez não houve confronto. Mas por precaução, o prefeito deixou de discursar, como estava previsto.

22.5.09

Parque da Lagoa: agora vai?

Anunciado em dezembro de 2007, iniciado em fevereiro de 2008 e abandonado no final do mesmo ano, o parque da Lagoa do Geladinho parece que vai ser retomado em junho. O governo marcou para o dia 8 de junho a licitação. Imagina-se que as obras possam começar ainda no próximo mês.

A construção do parque parou no final do governo José Ronaldo. A paralisação passou meio despercebida, porque o governo terminou numa tremenda correria para inaugurar outras obras vistosas, como os viadutos da Cidade Nova e Maria Quitéria, o Parque do Saber e o ginásio de esportes na avenida Transnordestina.

E o novo governo gastou quase todo um semestre entre anular o contrato e marcar nova licitação. Dizem que a empresa vencedora (CRL Engenharia) não conseguiu terminar a obra porque teve dificuldades financeiras. A anulação do contrato foi publicada em 13 de abril. Neste meio tempo, houve até a morte de um garoto por afogamento, já que a obra abandonada passou a ser usada como ponto de brincadeiras dos meninos das imediações.

As fotos abaixo mostram dois pontos de vista diferentes da mesma obra. A primeira é do blog de Adilson Simas, que alerta para a armadilha representada pelo espelho d'água meio encoberto. A segunda de Sílvio Tito, da secretaria de Comunicação, tenta mostrar a obra mais bonitinha e bem encaminhada.



Quem foi então?

Dez entidades assinam uma nota de esclarecimento dirigida aos meios de comunicação, para dizer que não apoiam nem participaram da manifestação de ontem quando o prefeito Tarcízio Pimenta foi impedido de sair em seu carro, que ficou bloqueado na avenida Getúlio Vargas em frente à Praça de Alimentação.
O email foi enviado pelo estudante de Economia da UEFS, Jáder Dourado, que ajudou a organizar a invasão no terreno vizinho ao bairro Limoeiro e tem participado de outros movimentos de protesto na cidade.
Agora que já apareceu um grupo significativo para dizer que não tem nada a ver com o protesto, precisa aparecer quem assuma a autoria.
Leia a nota abaixo na íntegra:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Gostaríamos de tornar público que as entidades abaixo assinadas não participaram do protesto realizado no final da tarde do dia 22 de maio de 2009.

Somos a favor da redução da tarifa de ônibus, da reformulação do conselho de transportes e da planilha, bem como da meia passagem em dinheiro e com a identificação estudantil, sem o controle do SINCOL.

Entretanto, discordamos da tática utilizada ontem. Acreditamos que atitudes isoladas não fortalecerão o processo de luta contra a tarifa abusiva, mas servirão apenas para aqueles que querem tirar o foco dos problemas do transporte coletivo.

Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas (AMES)
Associação Baiana dos Estudantes Secundaristas (ABES)
União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES)
Grêmio Livre Estudantil Iara Iavelberg (Gastão Guimarães)
Grêmio Livre Estudantil do Colégio Georgina Erisman
Grêmio Livre Estudantil do Colégio Polivalente
Comissão Pró-Grêmio Livre Estudantil Manuel Lisboa (Ernesto Carneiro)
Comissão Pró-Grêmio Livre Estudantil Zumbi dos Palmares (Assis)
Comissão Pró-Grêmio Livre Estudantil do Colégio Luis Eduardo Magalhães
Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB)

21.5.09

Para o governo, cerco a Tarcízio foi político-partidário

A prefeitura divulgou nota oficial sobre a ação de estudantes que cercaram o carro do prefeito e impediram que ele saísse até que a PM acabou com o protesto.

O governo afirmou em texto publicado no site da prefeitura que a ação foi político-partidária e que os participantes não foram os estudantes e sim "agressores profissionais".

Conforme
nota oficial o gesto dos manifestantes "envergonha o município".

Leia a nota na íntegra abaixo:

Nota Oficial sobre a agressão sofrida pelo prefeito Tarcízio Pimenta



A política-partidária e sua conseqüente e salutar disputa ideológica nunca tiveram registros de violência em Feira de Santana, a não ser quando o Brasil viveu o período da ditadura militar. O Município sempre teve grandes lideranças políticas e acirrados embates, porém o povo pacífico desta terra sempre respeitou as regras do jogo democrático e a civilidade sempre está presente nas relações entre aqueles que vivem a vida pública.

A história da Feira de Santana, portanto, não há de tolerar jamais uma agressão como a que foi vítima, nesta quinta-feira, o prefeito Tarcízio Pimenta, principalmente porque foi protagonizada por um minúsculo grupo que tenta se passar por representante da categoria estudantil, mas cujo preparo está bem distante daqueles que têm a capacidade de usar a força dos argumentos, o poder da persuasão para encaminhar e defender suas aspirações.

O comportamento do grupo não pode ser considerado nem um pouco como um gesto de cidadania, como uma defesa de interesses comunitários, mas sim como uma atitude que envergonha o município, agride os mais básicos princípios das relações humanas e destoa completamente do que poderia ser uma autêntica manifestação de estudantes, centrada num comportamento exemplar de uma categoria que prima pelo preparo intelectual e não por iniciativas violentas.

Há ainda um grande agravante: informações colhidas pelo governo municipal revelam que, na realidade, a intenção do grupo era invadir a prefeitura e fazer o prefeito refém dentro do prédio. Mas como algumas medidas preventivas foram adotadas e o plano frustrado, eles, desesperadamente, partiram para a lamentável atitude de atacar o prefeito Tarcízio Pimenta na rua.

A Feira de Santana não aceita mais esse tipo de atitude.

A sociedade já não agüenta mais qualquer tipo de violência.
Governo Municipal de Feira de Santana

Sentindo na pele

Possivelmente poucas vezes o prefeito ou seus assessores já precisaram recorrer à PM em uma emergência. Precisaram ontem, quando Tarcízio Pimenta, César Orrico, Azevedo Júnior e o motorista se viram cercados dentro do carro por estudantes exaltados e tiveram uma ideia de como o cidadão comum sofre quando pede ajuda da polícia.

Azevedo Júnior se queixou de que ligou para o 190 e a PM demorou demais a chegar.

E olha que nos quadros da prefeitura há um oficial da PM licenciado, Flailton Frankles, secretário de Transportes e Trânsito. Azevedo atribuiu à influência e amizades do secretário na corporação a chegada da assistência que precisavam para sair do sufoco.

Estudantes bons de briga

Já faz mais de um mês que a passagem de ônibus subiu. Mas um grupo de estudantes continua mobilizado contra o aumento. Seus protestos já obrigaram o Sincol a colocar anúncio em programas de rádio, alegando que o aumento é para melhorar a qualidade do serviço.

São poucos os estudantes que protestam, porém incomodam. E nunca incomodaram tanto quanto no final da tarde e início da noite de ontem, quando fizeram o prefeito Tarcízio Pimenta refém em seu próprio carro por cerca de uma hora, em plena avenida Getúlio Vargas em frente à Praça de Alimentação.

A polícia tentou por muito tempo amigavelmente fazer com que saíssem na base da conversa, mas eles não cederam. Para não ficarem totalmente sem razão os estudantes tiveram o bom senso de deixar uma pista livre para a passagem dos carros que não tinham nada com a história.

O movimento tenta anular o aumento da passagem. Exigiam a marcação de uma audiência com o prefeito. O assessor de Tarcízio, Azevedo Júnior, que estava com ele preso no carro também, participou da negociação, antes de entrarem no veículo para tentar ir embora. Diz Azevedo que era impossível marcar ali, sem agenda na mão, dia e hora do encontro. Deu-se então o impasse que só a ação da polícia foi capaz de encerrar.

Segundo Azevedo Júnior, houve danos ao veículo e por isso o prefeito rumou direto para a delegacia, onde foi prestar queixa, já com a assistência do procurador municipal Carlos Lucena. Queixa contra quem? Bom, os únicos nomes que o governo possui são os das entidades presentes ao protesto e seus representantes. Nomes que foram anotados quando manifestantes e governo ainda conversavam. A assessoria do prefeito pegou os números para ligar posteriormente marcando a audiência.

Agora poderão ser processados. O militar Silva Neto, que primeiro tentou negociar e depois comandou a tropa que liberou o carro disse que fará um relatório do caso, pois entende que houve infrações à lei.

Os ânimos se acirraram. Entretanto, se continuarem acirrados, será pior para os dois lados.

Veja abaixo flagrantes do tumulto, feitos pelo fotógrafo Reginaldo Pereira.

Faixa exibe a lista de exigências

Os estudantes encheram o carro de adesivos

A polícia retira os estudantes e carro vai embora

Os tranca rua

Quer o vereador Roberto Tourinho proibir, por meio de lei já aprovada na Câmara, que obras em vias públicas sejam executadas em horário que prejudique o tráfego. Projeto inexeqüível, por sinal.

No entanto, os abusos com a paciência do público se dão em muitas outras ocasiões, patrocinados pelo governo e por opositores. Esta semana mesma foi pródiga em exemplos.

O prefeito João Henrique vem de Salvador receber as doações da campanha Abrace Salvador? Fecha-se a principal avenida da cidade, Getúlio Vargas, entre a Senhor dos Passos e a J.J. Seabra, em frente ao estacionamento da prefeitura.

Os professores querem dizer que desejam aumento maior do que os 5,6% propostos pelo governo e aprovados pela Câmara? Fecham o mesmo trecho de rua. E tome engarrafamento. Até na campanha política fecham a Getúlio Vargas para inaugurar comitê. É o costumeiro descaso com quem não faz parte da panelinha de quem organiza o evento, que mesmo só interessando a uns poucos, prejudica todos.

Ainda que com a ressalva de que educação, por exemplo, é assunto que diz respeito a toda a sociedade, esse tipo de protesto só causa antipatia, ao invés de angariar apoio para os professores.

Espalhe

Bookmark and Share