Não vou parar de escrever. É necessidade, compulsão, missão, obrigação. Mas isso será feito no site www.diabahia.com, que inclui um noticiário local de diversas cidades baianas.
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O sonho do PSDB é fazer da violação do sigilo de tucanos e especialmente da filha de José Serra algo que possa provocar mudanças na tendência do eleitor de dar a Dilma Roussef a vitória no primeiro turno.
Mas é difícil traduzir o assunto em linguagem popular. Sigilo fiscal, declaração de Imposto de Renda, são temas que não querem dizer nada para, digamos, 80% do eleitorado. Tanto é assim que os programas de ontem do PSDB fizeram um esforço para explicar o caso em palavras mais simples. “É como se roubassem a senha do seu banco ou vasculhassem suas gavetas”, disse mais ou menos o apresentador do programa.
Ainda que compreendida a gravidade do caso, suponho que será pouco para mudar a vontade do eleitor. É um episódio (ou alguns) isolado, contra uma experiência de vida.
A maioria dos eleitores são pobres, como são pobres a maioria dos brasileiros. Pobre sou eu. São paupérrimos. É gente que sempre recebeu Atenção Zero dos governantes e agora recebe ajuda todo mês, para sobreviver. “Quem dá é Lula”, raciocinam. E Lula é Dilma, já compreenderam.
“É uma esmola!”, bradam os adversários do PT. “Estão comprando o eleitor”, protestam. Sim, que grande moral têm para acusar! Toda a vida isso que se chama injustamente de direita no Brasil – injustamente porque não tem ideário nem filosofia alguma – se elegeu assim. Só que era por um favor momentâneo do dia da eleição. Lula pôs o pequeno benefício na rotina dos infelizes. Eles estão justificadamente gratos e menos infelizes.
É muita gente que não comia e hoje come.
Se estão se contentando com pouco, a culpa é menos de Lula do que dos seus antecessores, que confinaram o povo por séculos em currais cheios de miséria e ignorância.
A eleição não gira em torno de valores morais. Isso é muito sofisticado para quem passou fome e só quer evitar o risco de passar de novo. A direita precisa entender que carece de reciclagem para voltar a ganhar eleições. Ou terão que aderir ao governo, seguindo o caminho trilhado por Collor, Sarney e Jader Barbalho.