29.9.09

Vacinação de cães e gatos atingiu 80% da meta

55.400 animais foram imunizados sábado (26), principal dia da campanha de vacinação contra a raiva, para cães e gatos. O número corresponde a 80% da meta, que é de 70 mil animais. Para os retardatários, a vacina continua disponível.

 

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28.9.09

Encontro de Figuras Populares

Mas o que é o Encontro de Figuras Populares? Me parece algo meio indefinido. Deve ser porque sou impopular. Não. É porque é indefinível mesmo. É um encontro de figuras e figurantes, que não precisa ser organizado, metódico e com objetivo definido. É apenas uma reunião pelo prazer de se encontrar os amigos, sejam figuras ou não.

Na Euterpe Feirense domingo os políticos não faltaram. Pelo menos os principais. E quem é mais figura do que os políticos?

O Encontro funciona sem organizar demais mesmo, apesar do trabalhão que dá para fazer tudo. Vale a espontaneidade. É como quer o quelônio Reginaldo Tracajá. Eu concordo. Só ressalvo que devia melhorar a acústica. O que implicaria em mudar de lugar. Isso Cristóvão Aguiar não quer. Além de cantar (Imagine, em inglês ou coisa parecida), fez discurso em defesa da Euterpe Feirense. Parecia até falar de uma Santa Casa. Que assim seja.

Veja no álbum imagens do evento.

 


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Clériston discute doação de órgãos

Sob o impacto negativo de um ano sem doações até o momento, a Comissão de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante do Hospital Clériston Andrade realiza amanhã, dia 29, em parceria com o SEST/SENAT um seminário sobre doação de órgãos. Vai ser no auditório do HGCA.

Fernanda Cláudia, coordenadora da Comissão, conta que este ano no HGCA não foi feita nenhuma doação. “No ano passado dos 15 diagnósticos confirmados de morte encefálica, seis famílias autorizaram a doação de múltiplos órgãos. Um número ainda muito abaixo do ideal. Por isso a necessidade das campanhas educativas, na tentativa de mostrar para a comunidade a importância de uma doação”, destacou.

O evento faz coro com a campanha da Associação Brasileira de Doação de Órgãos (ABTO), que tem o slogan “Doar e receber: dois lados da mesma moeda – Doe órgãos para que a vida continue”.

A abertura do evento será às 8h15min.

8h30min: palestra sobre "Doação de órgãos e tecidos", com o urologista Rodrigo Serapião

9h10min: "Entendendo o processo de Morte encefálica", com o médico Carlos Eduardo Rolim

10h30min: "Comissão Intra Hospitalar de Doação de órgãos e Tecidos no processo Doação/Transplante", com a coordenadora Fernanda Cláudia Santos

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Rompido o contrato do governo com carro acidentado

A Fundação Cultural Egberto Tavares Costa, da administração indireta do município de Feira de Santana, informou que vai rescindir o contrato de locação do veículo do Programa Feira Cidade Digital, que se acidentou no domingo em Salvador.

 

O carro, modelo Golf, placa JOE-5213, dirigido por Antenor de Sena Moraes, 40 anos, bateu em um ônibus urbano, placa JQS-4849, da empresa Tropical, em Salvador. Cinco pessoas que estavam no automóvel e duas passageiras do coletivo ficaram feridas. Antenor de Sena Moraes é analista de sistemas e presta serviços na implantação do programa e manutenção da rede.

 

De acordo com o diretor da Fundação Cultural Egberto Costa, César Orrico, Antenor não poderia utilizar o veículo fora de serviço e muito menos fazer uma viagem particular com o carro para Salvador. Com isso, “houve quebra de contrato e o que resta, agora, é rescisão”, assegurou o diretor.

 

O contrato de locação é de seis meses e estava em vigor há um mês, quando o analista de sistemas começou a trabalhar na implantação do sinal do Programa Feira Cidade Digital no período da Exposição Agropecuária de Feira de Santana (Expofeira 2009). Antenor de Sena Moraes também atuava na manutenção da rede em locais onde o programa já está instalado.

 

“Reza no contrato que o carro deve ser usado exclusivamente em serviço, mesmo que o veículo ficasse todo tempo sob a responsabilidade do técnico, que era dono e também dirigia durante os serviços prestados ao município”, observou César Orrico.

 

As vítimas do acidente foram encaminhadas para o Hospital Geral do Estado (HGE). São elas: Maria Auxiliadora Dias, 50 anos, que sofreu traumatismo abdominal; Nilmar Conceição da Paixão Moraes, com fratura na bacia; Edmilson de Sena Moraes, 51, ferido no olho e no braço esquerdo e com cortes na cabeça; Antenor de Sena Moraes Júnior, 13 anos, filho do motorista, que sofreu escoriações e levado inconsciente para o hospital. Todos ocupavam o Golf. Já as passageiras do coletivo, Tânia Cláudia Trindade e Maria Angélica de Santana tiveram ferimentos leves.

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Prefeitura ajuda a casar

Os casais que já possuem uma união estável, mas ainda não legalizada, têm a oportunidade de regularizar a situação por meio do programa Família Cidadã, responsável pela organização do casamento coletivo. As inscrições começam nesta segunda-feira (28), no Centro de Convivência Zazinha Cerqueira, e se encerram no dia 30 de outubro.

O Centro fica na rua Georgina Erisman, 24, centro, ao lado da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social.

Basta levar os documentos pessoais (RG e CPF) do casal. No caso daqueles que já foram casados e se divorciaram, é necessário apresentar também a carta de sentença.

O programa Família Cidadã é desenvolvido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, em parceria com o Poder Judiciário. Esta será a 7ª edição. Na anterior, realizada em 2008, foi legalizada a união de 420 casais.

O casamento coletivo será realizado no mês de dezembro, mas a cerimônia ainda não possui data e local definidos.

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Um exemplo do melhor jornalismo possível

Semana passada participei na faculdade Unef de um debate sob o tema “A crise é dos jornais, não do jornalismo”. De cara, falei que havia sim uma crise do jornalismo. E o próprio Gay Talese, consagrado jornalista norte-americano cuja entrevista a uma publicação brasileira motivou a discussão na Unef, tem falado com bastante ênfase desta crise.

Porém, detendo-me apenas na crise dos jornais, repeti o vaticínio já apresentado aqui neste espaço, de que em 20 anos estaremos vivendo o fim dos jornais impressos em papel. Ao que Humberto Cedraz, dono da Folha do Estado e outro participante do debate (além de Valdomiro Silva, da Tribuna Feirense), respondeu desejando que eu viva ainda 50 anos, para ver o jornal continuando aí pelo mundo. Em meio século terei apenas 91 anos, o que é idade comum hoje em dia. Mas acho que até lá não lerei mais jornais. Não porque eles deixarão de ser impressos, mas porque francamente há coisa muito melhor para ler ou mesmo fazer no fim da vida, por mais que resista à ideia de me aposentar.

No entanto, se todo dia os jornais trouxessem textos como a obra-prima abaixo, eu teria que rever esta posição. Não me estenderei, para não retardar o prazer de quem ama um texto magistralmente escrito, ao mesmo tempo impecavelmente informativo e sobretudo conseqüente para quem precisa que o jornalismo faça diferença na vida do indivíduo e da sociedade.

Garoto curado da raiva humana vive em condições precárias em Floresta

Publicado em 23.09.2009, no Jornal do Commercio (PE)

Ciara Carvalho

 

O lugar que abriga o milagre envergonha. Não há banheiro nem água encanada. O mato seco serve de esconderijo para a humilhação. De dia, o mormaço do Sertão é espantado por um ventilador doado. À noite, são os morcegos que espantam o sono. O retorno para casa trouxe a realidade de volta. O quarto onde Marciano Menezes da Silva, 16 anos, foi marcado por um morcego mais parece um celeiro. De tão precária, a casa de taipa da família está fechada. Dias antes da chegada do garoto a Floresta, todos se mudaram para a casa da avó. Lá, pelo menos, é parede de tijolo e piso de cimento. O banho foi improvisado na varanda. Marciano reclama. Tem medo de cair da cadeira de rodas. O pai ajeita. Segura o menino sem poder. Na falta de tudo, os dias se limitam a cama e televisão. O jovem que derrotou a raiva pode ser vencido pela pobreza.

Não é fácil chegar à casa de Marciano. Não bastasse morar no Sertão, a 433 quilômetros do Recife e a sete horas de viagem da capital, o menino vive no meio do mato, na zona rural de Floresta. Do Centro do município, dá quase uma hora de asfalto e estrada de barro. Difícil na estiagem, o caminho esburacado de terra fica impossível no inverno. Para o agricultor João Menezes, pai de Marciano, ir até a cidade significa gastar R$ 15. É o preço da lotação. Daqui a três semanas, quando deverá retornar ao Recife para fazer uma cirurgia no quadril, Marciano terá que se acostumar a essa longa jornada. Pelo menos uma vez por semana, precisará fazer fisioterapia na Associação de Apoio à Criança Deficiente (AACD), na Ilha Joana Bezerra, área central da capital. É no tratamento intensivo que repousam suas chances de voltar a andar.

Escondida na caatinga, a miséria assombra a recuperação do garoto. Ele não gosta da cadeira de rodas. Ela lhe deixa inseguro. As pernas e a coluna doem. Mesmo se estivesse mais familiarizado com o equipamento, de pouco ele lhe serviria para quebrar os dias de cama do hospital. Tudo em volta da casa de Marciano é pedra. O terreno irregular impede qualquer tentativa de passeio. O máximo de frescor que o menino experimenta é quando os pais colocam a cama de frente para a porta da casa. Dá para distrair um pouco os olhos que não saem da frente da TV, espiando o terreiro de poucas árvores.

Um dia depois de ter voltado para casa, o jovem quase não dormiu com o barulho dos morcegos no telhado. No dia seguinte, as fezes do animal eram a prova de que o perigo ronda a casa. “Ele ficou assustado. Com medo de ser atacado novamente”, diz a mãe, Sônia Menezes, que também não conseguiu pregar os olhos. Seu João, o pai, desafia os limites do corpo. Carrega Marciano de um lado para o outro buscando forças onde não tem. A hérnia de disco faz sua coluna queimar. Os exames acusaram vários bicos de papagaio nas costas. “Eu tô pegando ele porque é o jeito. Mas tem hora que a dor tira o meu fôlego”, resigna-se. Dona Sônia teme que o marido não aguente e deixe Marciano cair. “Mas ele só confia nos braços do pai para sair da cama”, conforma-se.

A dor nas costas não ameaça apenas os deslocamentos do filho. Seu João tirava do plantio do milho e feijão o sustento da família. Quando a situação apertava, ganhava um trocado queimando madeira para fazer carvão. Os oito filhos dependem do agricultor para comer. “Com essa hérnia, não vou mais aguentar cuidar da roça. Vai ficar tudo mais difícil”, lamenta. Com a doença de Marciano, ele deixou o roçado para trás. Faz um ano, desde que o garoto foi internado no Hospital Universitário Oswaldo Cruz, no Recife, que o cuidado com o sítio foi deixado de lado. A família está vivendo do salário mínimo que Marciano passou a receber do INSS.

No último sábado, um sopro de esperança chegou em forma de promessa para Marciano e sua família. Após tomar conhecimento das dificuldades enfrentadas pelo garoto, a prefeita de Floresta, Rosângela Maniçoba, garantiu à reportagem do Jornal do Commercio que o menino receberia toda a assistência necessária no tratamento. No dia seguinte, cinco secretários – de Educação, Obras, Agricultura, Assistência Social e Saúde – visitaram a casa do garoto, anunciando tudo que será feito. Prometeram cavar um poço, reformar a casa, construir um banheiro, levar professora particular e alugar uma casa no centro da cidade. Servirá de ponto de apoio no difícil caminho da recuperação.

» Quem quiser ajudar pode doar qualquer quantia no Banco Real, em nome de João Gomes de Menezes, agência 1035-9, conta-poupança 21743385-1.

 

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Stedile ataca TCU: "É igual guarda de trânsito"

José Múcio Monteiro sai diretamente da secretaria de Relações Institucionais da presidência, um dos cargos da mais alta confiança do governante, para ocupara uma vaga no Tribunal de Contas da União. Aí não tem como negar a afirmação de João Pedro Stedile, líder do MST, de que o Tribunal é ideológico. Fenômeno que se repete nas escalas estadual e municipal, com seus respectivos tribunais de contas. E que foi reconhecido pelo conselheiro França Teixeira, do TCE baiano há poucos dias, quando interrompeu palestra de ministro do TCU que visitava o estado e disse a verdade. “Enquanto tiver indicação política, não haverá independência. Não tenho paciência para este blábláblá”.
De qualquer modo, o ataque de Stedile ao TCU foi além disso, na entrevista que me concedeu na semana passada, publicada na edição de sábado de A Tarde, que gerou o texto que reproduzo abaixo. Ele ecoa queixas já feitas por Lula e Wagner, de que o TCU (como a legislação) emperram o trabalho alheio.
“Se fosse pelo TCU, todos os aeroportos do país estariam parados, porque ele não aprovou as contas da Infraero, porque viu qualquer irregularidade. O TCU diz que tem má aplicação em todos os convênios que analisa, igual o guarda quando pára um carro. Por mais que esteja em dia ele diz ‘Não, mas a sinaleira está ruim’ ”. Esta visão crítica sobre o órgão de fiscalização dos contratos, obras e convênios federais é de João Pedro Stedile, membro da coordenação nacional do Movimento dos Sem Terra (MST).
O ataque de Stedile é uma resposta a análises do Tribunal, que apontaram irregularidades em convênios feitos entre o MST e o governo federal e estão servindo de argumento a membros da bancada ruralista no Congresso que articulam a criação de uma CPI para investigar o repasse de dinheiro ao movimento.
“O TCU tem o seu papel”, reconheceu o polêmico dirigente. “Mas também é ideológico, porque quem está lá são ex-deputados, indicados pelos deputados”, completou. Stedile deu entrevista antes de iniciar sua participação no 15º Encontro Estadual das Educadoras e Educadores do MST, que aconteceu na Universidade Estadual de Feira de Santana. A universidade analisa a possibilidade de implantar cursos de nível superior nos acampamentos, entre eles o curso de Direito.
Em relação à CPI, Stedile demonstra não temer suas eventuais consequências. Desdenha da forma como são coletadas as assinaturas. “Como vários órgãos de imprensa já denunciaram, ficam umas meninas no corredor pedindo assinatura de deputado e senador, que assinam sem saber para quê”, critica. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), tido como aliado do MST foi citado pelo dirigente como exemplo de político que assinou enganado o pedido de CPI.
Stedile diz que é absurdo considerar que é o dinheiro público quem patrocina os acampamentos e ocupações de terra. “Os trabalhadores ocupam terra porque tem necessidade, não porque são financiados. Como se alguém suportasse o calorão debaixo de uma lona porque está sendo pago por dinheiro público! Só vai acampar e ocupar porque tem extrema necessidade”, defende.
Para ele, a proposta de CPI é uma reação dos ruralistas, porque o governo federal decidiu atualizar os valores que medem a produtividade das terras. De acordo com a Constituição, terras improdutivas estão sujeitas a desapropriação. Para ser considerada produtiva, a propriedade tem que alcançar a média da região. O problema, segundo Stedile, é que esta média vinha sendo calculada com base em dados do Censo de 1975.
“Com isso há dificuldade para o Incra desapropriar em muitas regiões do país. O governo decidiu cumprir a lei, atualizando os valores, os reacionários resolveram dar o troco, propondo esta CPI que não tem pé nem cabeça”.
Stedile argumenta que os convênios com os Sem Terra são fiscalizados pelos próprios órgãos que celebram os acordos, antes mesmo do TCU. Para ele, os convênios só existem porque as cerca de 400 ONGs atuando nos assentamentos país afora, realizam trabalho que deveria ser executado pelo governo.
“Isso porque durante o governo Fernando Henrique Cardoso esvaziaram o papel do Estado. Não tem mais sistema de assistência técnica, não tem mais educação. O Estado desapareceu dos assentamentos. Agora o governo faz convênio com ONGs porque o Estado não tem mais capacidade operativa. Somos a favor que ele retome a assistência técnica, que construa casas, que garanta a educação dentro do assentamento”, cobra.
ELEIÇÃO 2010
Segundo Stedile, o Movimento prega independência em relação a partidos e governos, mas seus militantes que participam da política optam por candidatos de esquerda, por identificá-los com mudanças.
Porém não quis apontar preferência ou identificação maior com qualquer candidato, nem mesmo a petista Dilma Roussef ou a senadora Marina Silva, que ainda não estão oficialmente registradas. “Nós vamos ter várias candidaturas no campo da continuidade do projeto do Lula. Eu acho que o principal é impedirmos que volte o neoliberalismo. Porque isso, o povo sabe, só causou prejuízo para a sociedade brasileira”, alega.



Stedile no Encontro do MST na UEFS (Foto: Reginaldo Pereira)





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27.9.09

Lagoa do Subaé quase desaparecendo

Quando fiz a primeira edição da revista Atual a lagoa do Subaé ainda que poluída era usada como área de lazer. As pessoas contaram que tomavam banho e passavam uma parte do domingo se divertindo por ali.

Voltei lá esta semana, para colaborar numa reportagem do jornal A Tarde sobre o rio Subaé, que tem ali suas nascentes. A situação deteriorou-se muito. Há dois anos o diretor de meio ambiente da prefeitura, Sérgio Aras, dizia que das dezenas de lagoas que houve em Feira de Santana aquela era a única que restava. Falta pouco para que se possa dizer que não existe mais.

Há uma extensa área coberta por taboas, vegetação que cresce em locais com muita poluição. A pouca água visível se parece mais com uma poça. Na margem, uma crosta, formada pela mistura de lama com as raízes das plantas aquáticas afasta a possibilidade de banhos, para quem tem um mínimo de preocupação com higiene.

Em volta, há muitas moradias. A última casa da rua que vai dar na lagoa fica a cerca de cem metros. Do lado oposto, cerca de 500 metros, um grande galpão industrial.

Maria Augusta da Silva, 57 anos, empregada doméstica, conta que mora com o marido há 10 anos na rua às margens da lagoa. É a única casa de madeira. Ela acreditou no que ouviu de técnicos do CRA, ou seja, que ali não era permitido construir. Por isso sempre teve medo de perder o investimento e ficou mesmo na casa de madeira.

O mesmo medo não afeta seus vizinhos. Além dos muitos que já existem, outros estão chegando. Por toda parte se vê areia, tijolo, serventes trabalhando, alicerces e paredes sendo erguidas. “Esta cerca colocaram semana passada. Diz que é um novo loteamento”, aponta Maria Augusta, para uma área na frente de sua casa, mais para dentro do que seria área da lagoa.

A obra de saneamento que está sendo feita pela Embasa é uma esperança de amenizar a poluição. Uma esperança relativa, porque para a rede de esgoto funcionar os moradores precisam implantar tubulações de dentro das suas casas ligando com a da Embasa. Nem todos estão dispostos a fazer isso, já que implica em gastos e muitos nem fossa usam. O costume sempre foi arremessar os excrementos embalados em saco plástico para dentro do mato ou da água.

“Eu tentei junto com o ex-prefeito José Ronaldo a criação de um parque ali. Não consegui, mas vou marcar uma audiência com Tarcízio Pimenta, para ver se a ideia avança”, planeja o coordenador da Agenda 21 em Feira de Santana, o frei capuchinho José Monteiro, ambientalista que ao longo dos anos têm sido uma das poucas vozes que se levantam em defesa dos mananciais de água do município.

A foto abaixo, de Reginaldo Pereira, mostra a lagoa coberta pela taboa

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