16.4.09

Confusão

A relação entre Wagner e Geddel é tão dúbia que confunde quem não tem intimidade com o tema. A edição de hoje da Folha de São Paulo, afirma categoricamente: "Na Bahia, Geddel é opositor do governador Jaques Wagner (PT), de quem Gabrielli, baiano e ex-candidato ao governo do Estado, é aliado."
Também pudera. Ao se defender das acusações de uso político da empresa, Gabrielli diz que a acusação veio de Geddel.
O texto (acessível apenas para assinantes do UOL ou da Folha) é da sucursal do Rio de Janeiro, em reportagem que mostra como a Petrobrás, presidida por Sérgio Gabrielli, patrocina o São João no interior baiano por meio de uma ONG da vice-presidente estadual do PT, Aldenira da Conceição Sena. Com destaque para as cidades de Amargosa, Senhor do Bonfim e Cruz das Almas, todas administradas pelo PT. Segundo o prefeito de Cruz, Valmir Sampaio, é apenas uma coincidência, pelo fato destas cidades serem as mais tradicionais promotoras da festa junina.

15.4.09

Ônibus aumenta 15 centavos

Vai subir 8% a passagem de ônibus em Feira de Santana, se permanecer a decisão do Conselho Municipal de Transportes, que se reuniu na tarde de hoje. A passagem passa de R$ 1,85 para R$ 2,00. Só falta a sanção do prefeito Tarcízio Pimenta, que vai decidir também quando o aumento começa a valer.

O reajuste previsível na véspera da Micareta começou a gerar protestos antes mesmo da reunião do Conselho, como mostra o flagrante do Blog da Feira, que exibiu a foto do prédio da Prefeitura, que amanheceu pichado.

Wagner inaugurou obra feita por Ronaldo?

Foi o que disse o ex-prefeito, em entrevista nesta quarta-feira de manhã, no programa Carlos Geilson. Segundo Ronaldo, as obras do Sistema de Esgotamento Sanitário, dadas ontem como inauguradas pelo governador, são as que a prefeitura fazia descontando da dívida que o município tinha com a empresa estadual de saneamento, modelo que inclusive Ronaldo afirma ter sido adotado pioneiramente em sua gestão. Ronaldo disse ainda que as obras já foram concluídas há muito tempo.

Na entrevista, o prefeito começa falando que achou muito pouco o que Wagner veio entregar em Feira e afirma que considera falta de ética o governador ter entregado obras executadas pelo município, sem informar que se tratou de um convênio da Embasa com a prefeitura.

14.4.09

Feirense preside o G. Barbosa

A rede G. Barbosa, que desde que aqui se instalou tem feito muitos investimentos na cidade, será a partir de agora presidida por um feirense, que já estava na empresa há sete anos. Veja a matéria, divulgada na noite de ontem pela Agência Estado:

Por Tiago Décimo
Salvador
- O advogado Sílvio Pedra, de 42 anos, assume a presidência da rede de supermercados GBarbosa, anunciou hoje o grupo varejista chileno Cencosud, controlador da bandeira. A rede, fundada em 1955, atua na Bahia, em Alagoas e Sergipe, onde opera 19 hipermercados, 29 supermercados, 46 farmácias e 25 lojas de eletroeletrônicos. Além disso, segundo a assessoria da empresa, o GBarbosa administra, em parceria com o Bradesco, o cartão de crédito GBarbosa, com mais de 1 milhão de clientes.
Natural de Feira de Santana (BA), Pedra está na rede desde 2002, depois de uma passagem de nove anos pela Nestlé Brasil. Atualmente, era o diretor comercial do GBarbosa, depois de passar três anos à frente da diretoria de Expansão e Novos Negócios - período no qual, segundo a rede, o número de lojas passou de 32 para 50 e o faturamento dobrou.
Pedra assume o posto deixado, em janeiro, por Gerard Scheij, que alegou motivos pessoais para sair da rede. Nos últimos três meses, o gerente geral da Divisão de Supermercados da Cencosud, Pablo Castillo, exerceu interinamente o cargo.

Governo faz auto-exame e conclui que passa bem

O governo municipal resolveu fazer também sua própria avaliação dos cem dias. Saiu nesta segunda-feira no boletim informativo. Como não poderia deixar de ser, o tom é otimista. O primeiro parágrafo, por exemplo, termina à moda de Lula: "a administração municipal feirense está passando ao largo da crise."

E faz uma lista do que o governo considera realizações. Tem de tudo:

- a contratação de Carlinhos Brown, Daniela Mercury, Gerônimo, Luiz Caldas, Margareth Menezes e Ninha para o folião pipoca na Micareta;

- o aumento de 10 mil para 12 mil das horas gratuitas de aragem e de 60 para 72 toneladas do volume de sementes de feijão e milho a serem distribuídas;

- o plantão com secretários municipais em fins de semana, para atender problemas emergenciais;

- a criação das audiências públicas para a comunidade, toda primeira segunda-feira de cada mês;

- o início da obra do viaduto da João Durval com o Contorno;

- paisagismo e a iluminação cênica dos viadutos das avenidas Getúlio Vargas e Maria Quitéria;

- licitação para asfaltamento das avenidas Maria Quitéria e Getúlio Vargas;

- asfaltamento da rua A do conjunto Centenário;

- melhoria e conservação das estradas da zona rural;

- 12 ônibus novos e 5 semi-novos do SIT;

- inauguração da escola Célida Soares, que terá tempo integral e reforma de seis escolas;

- combate à dengue;

- convocação de 91 pessoas que passaram em concurso na administração passada;

- recuperação do acesso ao Viveiros, danificado por obra da Embasa;

- reforma do imóvel que servirá ao Bolsa Família;

- 10 mil visitas ao Museu Parque do Saber;

- celebração de convênios com entidades de assistêncial social;

- restauração de praça no conjunto ACM;

- realização da Semana Pedagógica.

Como se vê, coisas absolutamente rotineiras e de manutenção comparecem para inflar o pacote das ações governamentais. Só faltou incluir pagamento do funcionalismo em dia.

13.4.09

E vai rolar a festa

Essa era tão previsível que eu previ na CONCLUSÃO deste post do dia 7.
Seria impensável a esta altura o Ministério Público suspender a Micareta, a não ser que houvesse uma situação flagrante de calamidade. A prefeitura comemora e respira aliviada com o fim da demanda.
Resta torcer para que o doutor Eduardo Leite esteja redondamente enganado e que as coisas depois da festa continuem "apenas" como estão, ou seja, péssimas, mas não catastróficas.

12.4.09

Cem dias conturbados

Que Tarcízio Pimenta não tem medo de trabalho isso ninguém duvida. Boa parte do seu estoque de votos se deve à disposição com que durante muitos anos acordou cedo para ir atender na Casa de Saúde Santana, inclusive fazendo seguidas operações.

Porém na prefeitura de Feira, embora com certeza não esperasse moleza, Tarcízio está tendo mais trabalho do que o previsto nestes emblemáticos 100 dias de governo. Algumas das situações que vêm ocorrendo teriam o potencial de abalar até o prestígio de José Ronaldo, afetando dois extremos de seu governo: o extremo positivo representado pela Fazenda, onde a competência de Joaquim Bahia alavancou a receita e o extremo negativo representado pela Saúde, principal motivo de queixa da população. Mas Ronaldo teve sorte e saiu antes da epidemia de dengue e da queda na arrecadação, provocada pela crise econômica.

A perda de receita é expressiva, ainda deve se agravar e, se não chegar a atrapalhar rotinas como limpeza pública e pagamento em dia de funcionários e fornecedores, deverá impedir o governo de realizar ações de impacto. O que provocará um estrago na popularidade do prefeito a longo prazo, pois a aceitação de José Ronaldo não se deu porque o eleitor achava ele bonito, mas porque fazia obras, notadamente na periferia que jazia abandonada.

O que Ronaldo deixou sem terminar, parou. O parque da Lagoa do Geladinho virou um piscinão improvisado. O viaduto da João Durval com o Contorno, somente há poucos dias foi iniciado.

O principal anúncio de Tarcízio no campo das obras foi o asfaltamento completo da Getúlio Vargas e Maria Quitéria, serviços que vão parecer ao seu final apenas o complemento de algo que já deveria ter sido feito há muito tempo. É pouco provável que se tornem marcas de sua passagem pela prefeitura.

No campo político administrativo, o começo igualmente não foi bom. Os vereadores ensaiam aqui e ali uma dose de rebeldia, mas isso é natural em começo de governo. Testam para ver até onde podem ir na pressão ao prefeito. Como está, a situação ainda não preocupa.

Pior mesmo foi na esfera do executivo. A secretária Anaci Paim, aposta de Tarcízio para fazer diferença na Educação, tombou abatida pelos buracos nas contas de sua passagem pela secretaria de Educação da Bahia, no governo Paulo Souto.

Tarcízio poderia diferenciar seu governo por meio das duas secretarias que anunciou em campanha. A de políticas para a mulher e principalmente a de prevenção à violência. Nenhuma delas saiu do papel.

Assim, segue neste começo tão somente apagando fogo, ou foco. Da dengue. A doença nefasta está até dando ao prefeito a oportunidade de agir e mostrar serviço, mas melhor seria se a energia do governo já pudesse estar 100% concentrada em melhorar a saúde que a população condena tanto.

Claro, não dá para avaliar um governo em 100 dias. 100 dias servem somente para mostrar indícios. Mas os indícios já mencionados, que não ajudam nada a formar uma imagem positiva do governo, combinam com uma recente pesquisa da empresa Economic, na qual o governador Jaques Wagner, que a Feira por enquanto condena, tem sua performance melhor avaliada que Tarcízio Pimenta, ainda que por uma margem mínima.

Portanto, passada a dengue e a micareta, será chegada a hora de encontrar um eixo para o governo municipal.

Dez anos da Tribuna

Fazer jornal onde quase ninguém lê é um tanto quanto estranho. Mas as pessoas fazem aquilo que acham que devem fazer, aquilo que o destino ou a vocação as empurra para fazer. Assim, teimando, a Tribuna Feirense chegou aos 10 anos.
Levando em conta a totalidade do que já se publicou neste período eu pouco participei. Mas sempre tive uma proximidade com o editor Valdomiro Silva, numa relação de respeito mútuo (a certa altura se juntou a este, outro escriba, que também é médico, César Oliveira. Juntos carregam a cruz).
Na Tribuna escrevi artigos irregularmente, estive alguns meses trabalhando diretamente na redação e por 15 semanas responsável por produzir os primeiros números do caderno Contexto, em 1998.
Tenho lá minhas ressalvas quanto a forma e conteúdo - mas a quê não tenho ressalvas, Deus do céu? - porém reconheço na Tribuna as qualidades mais importantes.
Vós leitores podeis apontar também vários defeitos estéticos ou gramaticais. Mas defeito moral nenhum. A Tribuna Feirense não noticia nada movida pelo desejo de prejudicar alguém por razões pessoais. Nem promove ninguém a fim de obter vantagens.
Enfim, a Tribuna procura fazer todo dia jornalismo, a serviço da sociedade. Não é pouco não. Não é comum não.

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