30.1.10

Nós, escravocratas


Há exatos cem anos, saía da vida para a história um dos maiores brasileiros de todos os tempos: o pernambucano Joaquim Nabuco. Político que ousou pensar, intelectual que não se omitiu em agir, pensador e ativista com causa, principal artífice da abolição do regime escravocrata no Brasil.

Apesar da vitória conquistada, Joaquim Nabuco reconhecia: “Acabar com a escravidão não basta. É preciso acabar com a obra da escravidão”, como lembrou na semana passada Marcos Vinicios Vilaça, em solenidade na Academia Brasileira de Letras.

Mas a obra da escravidão continua viva, sob a forma da exclusão social: pobres, especialmente negros, sem terra, sem emprego, sem casa, sem água, sem esgoto, muitos ainda sem comida; sobretudo sem acesso à educação de qualidade.

Ainda que não aceitemos vender, aprisionar e condenar seres humanos ao trabalho forçado pela escravidão – mesmo quando o trabalho escravo permanece em diversas partes do território brasileiro –, por falta de qualificação, condenamos milhões ao desemprego ou trabalho humilhante.

Em 1888, libertamos 800 mil escravos, jogando-os na miséria. Em 2010, negamos alfabetização a 14 milhões de adultos, negamos Ensino Médio a 2/3 dos jovens. De 1888 até nossos dias, dezenas de milhões morreram adultos sem saber ler.

Cem anos depois da morte de Joaquim Nabuco, a obra da escravidão se mantém e continuamos escravocratas.

Somos escravocratas ao deixarmos que a escola seja tão diferenciada, conforme a renda da família de uma criança, quanto eram diferenciadas as vidas na Casa Grande ou na Senzala.

Somos escravocratas porque, até hoje, não fizemos a distribuição do conhecimento: instrumento decisivo para a liberdade nos dias atuais.

Somos escravocratas porque todos nós, que estudamos, escrevemos, lemos e obtemos empregos graças aos diplomas, beneficiamo-nos da exclusão dos que não estudaram. Como antes, os brasileiros livres se beneficiavam do trabalho dos escravos.

Somos escravocratas ao jogarmos, sobre os analfabetos, a culpa por não saberem ler, em vez de assumirmos nossa própria culpa pelas decisões tomadas ao longo de décadas. Privilegiamos investimentos econômicos no lugar de escolas e professores.

Somos escravocratas, porque construímos universidades para nossos filhos, mas negamos a mesma chance aos jovens que foram deserdados do Ensino Médio completo com qualidade.

Somos escravocratas de um novo tipo: a negação da educação é parte da obra deixada pelos séculos de escravidão.

A exclusão da educação substituiu o sequestro na África, o transporte até o Brasil, a prisão e o trabalho forçado. Somos escravocratas que não pagamos para ter escravos: nossa escravidão ficou mais barata e o dinheiro para comprar os escravos pode ser usado em benefício dos novos escravocratas. Como na escravidão, o trabalho braçal fica reservado para os novos escravos: os sem educação.

Negamo-nos a eliminar a obra da escravidão.

Somos escravocratas porque ainda achamos naturais as novas formas de escravidão; e nossos intelectuais e economistas comemoram minúscula distribuição de renda, como antes os senhores se vangloriavam da melhoria na alimentação de seus escravos, nos anos de alta no preço do açúcar.

Continuamos escravocratas, comemorando gestos parciais. Antes, com a proibição do tráfico, a lei do ventre livre, a alforria dos sexagenários. Agora, com o bolsa família, o voto do analfabeto ou a aposentadoria rural. Medidas generosas, para inglês ver e sem a ousadia da abolição plena.

Somos escravocratas porque, como no século XIX, não percebemos a estupidez de não abolirmos a escravidão. Ficamos na mesquinhez dos nossos interesses imediatos negando fazer a revolução educacional que poderia completar a quase-abolição de 1888.

Não ousamos romper as amarras que envergonham e impedem nosso salto para uma sociedade civilizada, como, por 350 anos, a escravidão nos envergonhava e amarrava nosso avanço.

Cem anos depois da morte de Joaquim Nabuco, a obra criada pela escravidão continua, porque continuamos escravocratas. E ao continuarmos escravocratas, não libertamos os escravos condenados à falta de educação.

 

Cristovam Buarqueex-reitor da UnB, é senador pelo PDT-DF

Posted via email from Glauco Wanderley

29.1.10

Vídeo mostra chegada de Lula a hospital

</object>

Um vídeo postado na internet mostra flagrante do momento em que o presidente Lula é transportado em uma cadeira de rodas em um corredor do hospital Português de Recife, na madrugada de quinta-feira, quando foi internado depois de passar mal.

O presidente vai realizar neste sábado (30) exames no InCor (Instituto do Coração), em São Paulo. Ele está tomando diuréticos e antibiótico para combater uma gripe mal curada. O petista descansa desde ontem em seu apartamento em São Bernardo do Campo (SP).

 

Posted via email from Glauco Wanderley

Reação contra união do PT com carlistas

 

 

Vamos nos organizar e dizer não à chapa PT-Carlistas”

“Fora Otto Alenca e fora César Borges. No PT não tem lugar prá vocês”

“O Movimento Transparência e Verdade Bahia conclama os autênticos petistas a trabalhar pela chapa Waldir/Lídice ao Senado”.

As frases acima, incluindo os erros, foram postadas no dia de ontem no microblog Twitter, quando entrou no ar o supracitado Movimento. Anônimos, levantam-se contra a aproximação do governo Wagner com os políticos originários do carlismo.

Não se sabe até onde pode ir a reação interna contra a política de alianças do governador. É certo que não irá longe se estes insatisfeitos permanecerem se escondendo no anonimato. No entanto, para começar, parecem ter disposição. Foram logo postando sete mensagens e seguindo o maior número possível de pessoas (para quem não conhece o Twitter, SEGUIR é inscrever-se para receber em sua página as mensagens escritas pelas pessoas a quem você segue). Até o momento em que escrevo, o Movimento segue 706 perfis, mas não foi descoberto ainda. É seguido por apenas 33.

Em pelo menos duas mensagens, o discurso é feroz, cheio de coragem, o que não combina com a covardia do anonimato (ou combina, porque ser “corajoso” sem mostrar a cara é fácil). Em uma delas, o governador é o alvo direto: “Wagner traiu Moema, agora quer trair a Bahia e tudo isso prá se casar com o PP de Leão, Muniz e Otto”. Na outra, em maiúsculas – modo que na linguagem simbólica da internet equivale a gritar – identifica-se a razão de ser do Movimento: PETISTAS AUTÊNTICOS, NOSSO MOVIMENTO É CONTRA A VENDA DO NOSSO PARTIDO AOS CARLISTAS.

Mas é um Movimento mesmo ou coisa de um petista solitário insatisfeito? Só o tempo pode dizer. Acompanhe os próximos capítulos em http://twitter.com/mtverdadeba

Posted via email from Glauco Wanderley

A Rainha e as Princesas do Carnaval 2010 de Salvador

Lorena Nagle (no centro) foi eleita na noite de ontem. A seu lado, as princesas Taina Portela e Larissa Maria (fotos de Rita Barreto e Patrick Silva, da secretaria de Turismo do estado). A Setur não identificou quem é Taina e quem é Larissa; não me perguntem.

 

Posted via email from Glauco Wanderley

28.1.10

Presídio feirense é o mais lotado da Bahia

O presídio de Feira de Santana é o mais lotado de todas as 21 unidades prisionais do estado da Bahia. A informação está na página da Superintendência de Assuntos Penais (da Secretaria de Justiça) na internet, que diariamente atualiza os dados da população carcerária do estado.

Em Feira de Santana, são 340 vagas e há 643 presos, um excesso de 303 (89% além da capacidade). A superlotação em Feira corresponde a quase 20% de toda a superlotação do sistema estadual. Situação parecida encontra-se apenas em Teixeira de Freitas, com 270 presos a mais, correspondentes a 85% da capacidade excedida. Jequié, que tem quase o mesmo número de excedentes de Teixeira, tem 100 vagas a mais.

Em toda a Bahia, existem apenas 6 unidades com vagas, sendo o de Serrinha o mais vazio. O presídio feirense sempre esteve superlotado ou no limite.  Mas a situação agravou-se quando aumentaram as transferências do Complexo Policial, que por também estar superlotado, foi palco de várias rebeliões e obrigado a reduzir a superlotação, que no entanto continua a existir. (clique na imagem para visualizar a tabela melhor)



Posted via email from Glauco Wanderley

Coelho perde queda de braço e Mega Fest faz Festa do P

 

 

A Festa do P (com Parangolé, Pega e Fica, Psirico e Belo) iria ocorrer em 06 de dezembro (um domingo), mas nas vésperas (sexta-feira), a prefeitura proibiu o evento, porque a casa de shows vem seguidamente descumprindo acordos com o governo e com o Ministério Público. Foram três acordos, em três anos, informou o município.

Agora a festa foi liberada. A desculpa é que foi para não prejudicar quem já comprou ingresso. A mesma desculpa que serve agora, não serviu em dezembro.

Quando a festa foi cancelada, o proprietário da Casa de Shows desafiou a proibição, dando entrevistas dizendo que iria ocorrer. Como não ocorreu, fingiu ignorar o veto municipal e alegou que o motivo foi a falta de policiamento, já que a PM estava envolvida com o esquema de segurança do Enem, no mesmo dia (até 16 horas).

Assim que programou nova data, passou a divulgar no rádio novo comercial onde dizia “CONFIRMADO”, para 31 de janeiro. Mas a prefeitura ainda não havia autorizado, já que os serviços, principalmente de acústica, continuam sem ser feitos.

Neste período, o secretário de Meio Ambiente, Antonio Carlos Coelho foi consultado e deu entrevista afirmando que o Mega Fest continuava interditado para shows.

E tome anúncio da festa. Finalmente, ontem, saiu a confirmação. A prefeitura deu novo prazo ao infrator reincidente. Agora será até 28 de fevereiro. Mais 28 dias. Entre a festa proibida e a festa liberada, passaram-se 55. Portanto, tempo suficiente para que as exigências da prefeitura fossem atendidas, caso houvesse intenção de fazê-lo. Enquanto isso, os vizinhos que se mudem no dia da festa ou para sempre.

Posted via email from Glauco Wanderley

27.1.10

Presos rebelados conseguem transferência de Serrinha

 
 
Depois de ameaçar colocar fogo em um agente penitenciário, quatro detentos do presídio de segurança máxima de Serrinha (a 200 quilômetros de Salvador), conseguiram a transferência para a capital, onde estarão livres do rígido regime disciplinar adotado na unidade do interior.

O agente Cristiano Soares de Souza foi capturado na noite de segunda-feira, supostamente no momento em que os presos retornam para a cela e ocorre a contagem. Cristiano teve o corpo enrolado em um lençol e os presos ameaçavam atear fogo caso não conseguissem a transferência.

O COE (Comando de Operações Especiais) foi acionado, na esperança de resgatar o refém. Mas os especialistas entenderam que a tentativa colocaria em risco a vida de Cristiano.

Ainda durante a noite, chegou ao presídio o superintendente de assuntos penais da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, Isidoro Orge. De Serrinha, participaram das negociações um juiz, uma promotora, um defensor público e a irmã Maria, da Pastoral Carcerária.

Por volta de 9 da manhã, um acordo permitiu a libertação do refém e a transferência dos presos, que foram imediatamente levados para a Unidade Especial Disciplinar, na Mata Escura, em Salvador.

Todos são presos provisórios, à espera de sentença. Alberto Vasconcelos da Cruz Júnior, preso por latrocínio, é oriundo da cidade de Sátiro Dias, assim como Valderson Leandro dos Santos, preso por roubo. Os outros são de Ribeira do Pombal: Fábio Cruz de Souza, preso por roubo e Mauro Sérgio Souza, preso por trafico.

O refém foi levado para avaliação médica, mas de acordo com a pastoral carcerária e um funcionário da portaria ele não foi ferido.

Segundo dados da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, o Conjunto Penal de Serrinha tem capacidade para 476 presos e estava com 410.

 

 

Posted via email from Glauco Wanderley

Primeira turma de Medicina da Uefs cola grau sábado

 

A Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) forma, sábado (30), a primeira turma de Medicina, composta de 22 bacharéis. A solenidade de colação de grau será realizada no Auditório Central, campus universitário, a partir das 20 horas. 

A primeira turma de Medicina da Uefs tem o nome de Silvio Matos. O patrono é o professor Renato Pires Freitas, paraninfo Antônio César Oliveira. Foram homenageados os servidores da Uefs Lênio Lins e Terezinha Reis Pecorelli.

Posted via email from Glauco Wanderley

Espalhe

Bookmark and Share