31.7.10

Tempo, dinheiro e vidas desperdiçadas

“Em setembro, assinamos contrato com o Banco Expansion, da Espanha, no valor de US$ 70 milhões, que serão aplicados na aquisição de equipamentos e na modernização das polícias. Cerca de US$ 8 milhões, desse total, serão aplicados na implantação do Sistema de Gestão de Informações Policiais, que já vem sendo utilizado pelo Corpo Nacional de Polícia da Espanha e em outros países da União Européia.”
Essas palavras foram lidas no início de 2006 pelo então governador Paulo Souto, em sua mensagem na abertura dos trabalhos da Assembléia Legislativa. Quis o eleitor que ao final daquele ano Paulo Souto fosse afastado do poder, para a entrada de Jaques Wagner. Mas o contrato de 70 milhões de dólares, sendo entre instituições e não entre pessoas, foi mantido. Os equipamentos a que Souto se referiu chegaram.
E onde estão?
Onde está a “modernização das polícias”?
Guardada em mais de 100 conteineres no almoxarifado da Secretaria de Saúde na avenida Paralela.
Quem me disse isso? Um coronel que ocupa cargo na cúpula da Polícia Militar. Um homem que como policial e como cidadão se angustia de ver morrerem civis e colegas de farda sem uma reação à altura do Estado, que dispõe de meios para melhorar a segurança pública e não o faz.
Por que não, se a segurança pública é o calcanhar de Aquiles do governo Wagner?
Custa-me acreditar na explicação recebida. Que o pano de fundo é a disputa de poder na Secretaria, dividida entre civis, militares e policiais federais introduzidos na estrutura pelos secretários nomeados por Wagner. Primeiro Paulo Bezerra e depois César Nunes, ambos delegados da Polícia Federal.
Uma das vantagens do equipamento adquirido e empacotado há anos é a comunicação direta entre as unidades da polícia (fixas e móveis, como as viaturas) por meio de modernos rádios. Há equipamento suficiente para incorporar ao sistema polícia militar, civil e bombeiros, com cobertura no estado inteiro.
Todo o estado estaria interligado. Dentro de uma cidade o sistema permitiria, por exemplo, que os policiais na viatura (todas equipadas com GPS) pudessem ouvir diretamente um chamado do cidadão para a central do 190. Enquanto a pessoa que ligou fosse atendida, os carros nas ruas já poderiam ao mesmo tempo ouvir a conversa e entrar em ação.
Esta comunicação rápida evidentemente é fator primordial no combate à criminalidade (tanto para evitar o crime quanto para ampliar as chances de um flagrante ou pelo menos permitir uma investigação mais eficaz após o fato consumado).
Pode-se cobrar rapidez do atual governo? Deve-se.

28.7.10

Professores de Santo Estêvão novamente em greve

Pela segunda vez em 2010 os professores da rede municipal de Santo Estêvão, com nove mil alunos da pré-escola à 8ª série, estão em greve por tempo indeterminado. No início do ano letivo, as aulas não começaram na data prevista, porque os professores exigiam um reajuste referente a 2009. Conseguiram 4,31%, mas, segundo Ana Cláudia Santana, tesoureira do sindicado dos professores (APLB), avisaram a prefeitura sobre a necessidade de negociar novo reajuste, desta vez referente a 2010.

Os professores agora fizeram a proposta de aumento de 10%. A greve foi decidida na sexta-feira (23) e segundo Ana Cláudia, mais de 90% das escolas estão fechadas. Ela afirma que apenas professores não concursados, mas contratados diretamente pela prefeitura, estão comparecendo. Os alunos, entretanto, avisados da greve, estariam ficando em casa. “Entregamos a nossa proposta em reunião no dia 11 de junho, mas não tivemos resposta”, diz a tesoureira da APLB.

A resposta foi dada, de acordo com Rosimeire Baraúna, assessora do secretário de Educação do município. “Informamos que a prefeitura está acima do limite prudencial de gasto com pessoal, estabelecido na Lei de Responsabilidade Fiscal. Não pode ser dado reajuste agora. É preciso esperar fechar o quadrimestre, no final de agosto, para analisar como ficará a situação”, justifica.

Apesar do impasse, sindicato e prefeitura têm reunião marcada para a manhã desta quarta-feira (28).

 

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27.7.10

Cadê as provas da UEFS?

O leitor Reginaldo Pinheiro faz uma pergunta pertinente, cuja resposta eu também quero saber e suponho que do mesmo modo, milhares de estudantes Brasil afora:

Por que a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), não disponibiliza as provas do vestibular na internet, a exemplo da USP, UFBA,UFF, etc?

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24.7.10

Hospital da Criança: promessa valeu para duas eleições

Perguntei sexta ao governador Wagner antes da caminhada pelo centro da cidade: “Para Feira de Santana o senhor fez a promessa do Hospital da Criança na campanha passada. Tem alguma outra assim significativa para este ano?”

A resposta: “O Hospital da Criança vai ser entregue ainda. Para 2010 é o Hospital da Criança”.

Então ou o governador ainda não pensou em nada específico para a cidade ou acha que não precisa. Ou porque considera Feira já bem aquinhoada ou porque não precisa tanto de votos feirenses, visto que até o momento voa em céu de brigadeiro, com previsões de eleição em primeiro turno, conforme noticia hoje o Datafolha.

Só lembrando: para muitos feirenses, o governador está devendo no mínimo o Centro de Convenções, obra que o governo deliberadamente paralisou, depois de enrolar anos prometendo solução.

Em 2006, Wagner teve 53% dos votos em Feira de Santana. Paulo Souto teve 40%. A vitória do petista aqui foi maior do que no estado todo (Wagner teve os mesmos 53% em toda a Bahia, mas Souto chegou no estado a 43%).

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@jaqueswagner acha precipitado anúncio de verba de @geddel_

As camisas vermelhas agora combinam com as listradas (foto Reginaldo Pereira)

O governador Jaques Wagner definiu como “precipitado” o anúncio de que o Ministério da Integração Nacional vai liberar R$ 10 milhões em caráter de urgência para intervenções em 50 casarões do Centro Histórico de Salvador.

O anúncio foi feito pelo ministro João Santana, sucessor do candidato ao governo pelo PMDB, Geddel Vieira Lima, que endossou a articulação, declarando que uma vez enviados os projetos pela prefeitura de Salvador, o dinheiro será liberado em “no máximo uma semana”.

“Primeiro, quem vai trazer dinheiro, provavelmente num convênio com o estado, é o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Então o anúncio me parece precipitado. Fui procurado pela direção do Iphan para fazer um convênio com a Conder, para que a gente possa recepcionar esse dinheiro e fazer os escoramentos. Aliás estamos recuperando vários monumentos, como o Palácio Rio Branco, o Palácio da Aclamação, a Igreja Rosário dos Pretos, a Igreja e o Cemitério do Pilar”, rebateu Wagner, ao chegar em Feira de Santana para uma caminhada pelo centro da cidade no fim da tarde de sexta-feira.

Reforçada pelo encontro de agricultores familiares que atraiu público de toda a região desde a manhã, a manifestação do governador foi engrossada também pela presença de toda a chapa majoritária e muitos candidatos a deputado estadual e federal, tanto do PT quanto de outros partidos da coligação.

A rápida caminhada de aproximadamente um quilômetro pela rua Conselheiro Franco e avenida Getúlio Vargas se encerrou com um breve pronunciamento do governador e dos candidatos ao Senado, Lídice da Mata e Walter Pinheiro.

Em entrevista ao A Tarde antes do compromisso de campanha o candidato à reeleição disse que na noite de quinta-feira no hotel em Salvador, conversou com o presidente Lula sobre investimentos na Bahia, como a ferrovia Leste Oeste, o Porto Sul em Ilhéus, a ampliação do aeroporto de Salvador e mais contratos dentro do programa Minha Casa Minha Vida.

Wagner ressaltou a carga de emoção dos discursos de Lula proferidos em Feira de Santana. “É uma fala muito emotiva, todo mundo muito apaixonado, emocionado com ele, e ele também, com o final de oito anos de governo”, avaliou.

Sobre a presença de Dilma Roussef em campanha na Bahia, o governador afirmou que ainda não há uma data definida.

 

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Lula Superstar

É gol do Brasil? Não. É a reação do público ao anúncio da chegada de Lula ao evento.

Ivete Sangalo subiu ao palco? Não. Lula vai começar a falar.

O presidente pop desperta a euforia dos presentes. Tanto no Encontro da Agricultura Familiar, onde na prática está entre militantes petistas, quanto na inauguração de conjunto popular para famílias com renda entre 0 e 3 salários mínimos, onde Lula é idolatrado pelos beneficiários do Bolsa Família.

A entrega de chaves dos apartamentos foi o palco perfeito para o Lula emotivo, que o próprio admite estar aflorando mais intensamente à medida que se aproxima o fim do mandato. Contribuiu o fato de que a primeira a receber, Ana Maria de Jesus, já foi se desmanchando em lágrimas ao pegar as chaves das mãos do prefeito Tarcízio Pimenta. Depois quis, é claro, abraçar e beijar Lula, que repetiu o gesto um por um com os selecionados para a entrega, escolhidos a dedo: uma idosa, um casal de cegos, dois casais com recém-nascidos, todos abraçados e beijados pelo presidente, que posou para fotos com todos, de olhos marejados.

Depois da entrega das chaves, Lula fez um pronunciamento onde falou do próprio passado, da primeira passagem por Feira de Santana, aos sete anos, no pau de arara rumo a São Paulo; do retorno no final dos anos 70, em um ato de desagravo ao histórico opositor da ditadura, Chico Pinto, já falecido e que “deixou saudades”. A propósito Chico Pinto foi o nome dado à invasão no Aviário, próximo do local reservado para a construção de uma escola técnica federal, que Lula prometeu na campanha de 2006, mas não saiu do papel. Moradores da invasão estavam lá, erguendo uma faixa e aplaudindo o líder do movimento, Jader Dourado, trajado como o Lula pré-2002, de camiseta de algodão, destoando do paletó de políticos e empresários que preenchiam o tablado.

O trajeto entre a Estação da Música (onde ocorreu o Encontro da Agricultura Familiar) e o conjunto Conceição Ville (nome “chiquérrimo” segundo Lula) pode ter lembrado também a Lula outra promessa descumprida da campanha de 2006, em comício na praça da Matriz: a duplicação do Anel de Contorno. Claro que ele, nem ninguém, tocou no assunto.

As promessas dessa vez se limitaram à habitação mesmo, um golaço que coroou o fim do mandato de Lula, corroborado por Tarcízio Pimenta. “O senhor estava iluminado quando criou este programa”, definiu o prefeito em sua breve fala. Lula confirmou que o Minha Casa Minha Vida 2 (MCMV2) terá o dobro do número de casas do primeiro (cuja meta de um milhão de moradias contratadas deve ser alcançada até o final do ano) e já fez algumas solicitações ao vice-presidente da Caixa, Jorge Hereda, presente ao evento: que faça adaptações para pessoas cegas, como o casal que recebeu as chaves em sua mão, que contrate mão de obra no próprio bairro onde estiverem sendo construídas as casas e que coloque acabamento com azulejo e cerâmica.

Aproveitou para fazer graça, contando que a primeira casa que comprou com Marisa e morou com mais três crianças tinha 33 metros quadrados e se tinha visita ficava tão apertada que levantando o pé para matar uma desgraçada duma barata não achava mais espaço para colocar de volta no chão.

Definiu o apartamento do Conceição Ville como “bonzinho” e avisou que tinha 42 metros quadrados. A propósito da colocação de material melhor no MCMV2, contou detalhes de reunião no Planalto sobre desoneração de impostos de material de construção, quando ao propor reduzir também sobre azulejo e cerâmica, um auxiliar disse que pobre não gostava disso. “Você é um besta, que não entende nada de pobre. Pobre se puder coloca azulejo até na cama”, disse na cara da vítima. Então passou a evocar a célebre frase do carnavalesco Joãozinho Trinta, segundo o qual, quem gosta de miséria é intelectual, porque pobre gosta é de luxo. E partiu para outros exemplos: uísque ao invés de cachaça e salão de beleza para se enfeitar. Segundo Lula, esta atividade proliferou nos lugares mais pobres, a partir do momento em que as pessoas começaram a ter um pouco mais de dinheiro, em seu governo.

Depois de divertir o público com suas tiradas, despediu-se, alegando que precisava chegar a Garanhuns antes da chuva. Mas retardou um pouco mais a viagem, pois na saída não resistiu a mais uma atitude de ídolo popular, jogando-se nos braços do público, que formou um corredor junto às grades de isolamento.

Difícil imaginar um cenário em que o presidente mais popular da história não volte ao poder, caso queira, na eleição de 2014.

(as fotos de Reginaldo Pereira mostram Lula acenando da janela do apartamento que inspecionou, os abraços e fotos tirados com a primeira a receber as chaves, Ana Maria de Jesus - a mais chorona - com o casal com bebê, o casal cego com bebê, o início da aproximação com o povo além das grades e o presidente já "afogado" em meio à multidão)

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21.7.10

Consultas pré-anestésicas aumentarão remuneração de anestesistas

Depois de horas de reunião nesta terça-feira entre governo municipal, anestesistas e representantes dos hospitais, acabou a greve dos anestesistas em Feira de Santana, que durou 45 dias.

A paralisação dos profissionais resultou na suspensão de milhares de cirurgias eletivas. O movimento pedia um aumento na remuneração dos procedimentos nas cirurgias. O governo argumentava que não podia dar aumento, porque a tabela do SUS é única em todo o país.

O acordo prevê que os anestesistas passarão a atender os pacientes em uma “consulta pré-anestésica” e serão remunerados por isso.

Segundo o secretário de Saúde, Rafael Cordeiro, a consulta pré-anestésica é um procedimento recomendado pelo Conselho da categoria, mas que não era adotado na cidade. “A remuneração vai melhorar, mas o serviço também”, justificou. Os valores a serem pagos pelo município pelas consultas ainda serão definidos.

Enquanto durou a greve, clínicas e hospitais particulares que atendem pelo SUS ficaram sem faturar. E os pacientes que não aguentavam esperar pelas cirurgias tinham que pagar do próprio bolso.

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20.7.10

@geddel_ critica deficiência de policiamento na periferia

(Na foto de Reginaldo Pereira, Geddel, Graça, Borges, Colbert e Nelsinho da Kammys, com jeito de quem não estava nem ali)


O número reduzido de policiais militares no subúrbio ferroviário de Salvador (um para cada 2.840 moradores), em oposição à Barra (um para cada 250 habitantes), assunto abordado pelo jornal A Tarde de domingo (18/07), foi usado pelo candidato do PMDB ao governo baiano, Geddel Vieira Lima, como argumento para rebater um dos lemas da campanha de Jaques Wagner à reeleição. “É esse o governo que faz mais por quem mais precisa?”, questionou.

Geddel fez a crítica ao petista ao final de uma caminhada na manhã de segunda-feira, no Centro de Abastecimento de Feira de Santana. Mesmo com a referência direta a Wagner, negou que sua campanha vá centrar fogo no governador e poupar Paulo Souto (DEM), possível aliado em um eventual segundo turno. “Não vamos poupar nem atacar ninguém. Vamos colocar as ideias para brigar e não as pessoas. Não tenho nada contra um ou outro”, argumentou.

Mesmo admitindo que as pesquisas o mostravam abaixo dos principais adversários, o candidato procurou transmitir otimismo, dizendo que somente com o início da campanha passará a ser conhecido, enquanto seus oponentes são um governador que está no cargo e outro que já ocupou a mesma função e disputou muitas eleições. “Pesquisa não decide nada. Se fosse assim não precisava eleição”, filosofou, citando vários pleitos Brasil afora, em que os resultados contrariaram os prognósticos.

Nesta primeira visita à segunda cidade mais populosa da Bahia desde o início oficial da campanha, o peemedebista prometeu investir em um aeroporto para transporte de passageiros e cargas, que possa absorver parte do tráfego aéreo que sobrecarrega o internacional de Salvador.  O aeroporto seria um investimento complementar à vocação logística de Feira de Santana, por onde passam rodovias federais e estaduais que interligam regiões do estado e do país. A promessa foi repetida pelo candidato ao Senado, César Borges (PR), que também acompanhou a comitiva, ao lado de Edvaldo Brito (PMDB), outro candidato ao senado da coligação.

Candidatos a deputado estadual e federal também participaram da manifestação. Entre eles, a esposa do prefeito Tarcízio Pimenta, que vive uma situação atípica. Graça Pimenta é candidata pelo PR, de César Borges, aliado de Geddel, enquanto o prefeito é do DEM, partido de Paulo Souto. Recebeu Geddel recentemente na sede do governo, no anúncio de verbas do Ministério da Integração Nacional para o município. Ontem Tarcízio não participou do evento de campanha, mas esteve com o candidato antes, em sua chegada na igreja dos Capuchinhos, “para tratar de questões administrativas”, segundo explicou.

Durante a caminhada, prevaleceram as palavras de ordem ensaiadas pelos cabos eleitorais uniformizados, portando camisas e bandeiras. O público não mostrou entusiasmo, mas o candidato não esperou pela manifestação espontânea do eleitor. Tomou a iniciativa de distribuir apertos de mão, beijos e abraços, entrando nos boxes dos comerciantes e pedindo votos durante cerca de uma hora, ciceroneado pelo deputado federal Colbert Martins.

Segunda-feira é dia de movimento intenso no movimentado Centro de Abastecimento, onde só os vendedores se contam aos milhares, que se juntam a clientes de Feira e região que buscam abastecer suas casas e comércios. É ponto de passagem obrigatório de toda campanha política, embora muitos reajam com desagrado ao assédio, gritando coisas como “eu quero é dinheiro” ou “depois da campanha desaparece”.

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