22.2.10

Eduardo Leite agora volta baterias contra governo Wagner

Será lançada amanhã a Parte II do livro Política e Corrupção na Saúde, do médico Eduardo Leite, que foi diretor do Hospital Clériston Andrade e lançou o primeiro livro poucos meses depois de deixar a direção.


Se a primeira publicação poupava o governo Wagner e até fazia elogios às boas intenções do secretário Jorge Solla, o novo livro promete atacar justamente a gestão atual da saúde no estado, como mostra a entrevista a seguir, feita por email:

Que resultados ou conseqüências tiveram as informações divulgadas em seu primeiro livro?

Eduardo Leite: O primeiro livro ainda está colhendo os frutos. Houve muitos esclarecimentos para o Tribunal de Contas do Estado e Procuradoria Geral do Estado e para o público em geral. Como está no meu artigo postado no blog www.eduardoleite.blogspot.com no primeiro livro consta um plano que deveria ter sido executado para que o hospital não continuasse caótico e prestando um péssimo serviço, cujo resultado final é a morte e humilhação de muitos que por lá solicitam o direito de serem bem atendidos.

Que novidades o leitor pode esperar deste segundo lançamento? O assunto não foi esgotado?

Eduardo Leite: Esse segundo lançamento mostra o lado incompetente e a falta de compromisso em realizar uma assistência pública digna e eficiente por parte do governo Jaques Wagner. O assunto não se esgota, porque a incompetência e a falta de interesse em frear a corrupção continuam.

Quando aceitou dirigir o hospital e mesmo depois de sair, o senhor fez elogios ao governo Wagner e acreditava em suas boas intenções. Agora tem feito críticas ácidas. Por que a mudança?

Saí por que não estava tendo o apoio que deveria ter tido. Para mim, aceitar falta de planejamento e de seriedade com o bem público é ser conivente. Acreditava no governo Wagner e imaginava que a falta de apoio era por intransigência política de alguns “companheiros” da base governista. Elogiei porque até então acreditava que as minhas idéias e projetos para o Hospital Clériston Andrade continuariam. As críticas não são ácidas. São merecedoras da acidez e incompetência ou falta de interesse deste governo que propôs mudanças. Mudanças essas que estão apenas no discurso demagógico e contraproducente.

Acha que há uma alternativa na política estadual?

Acho difícil. Mas, não podemos perder a esperança. Muito menos deixar de sonhar e de lutar por justiça social e contra essa maldita corrupção e ingerência política na parte técnico administrativa dos aparelhos do estado.

Posted via email from Glauco Wanderley

19.2.10

Se visse Alex você não diria que ele é capaz de matar o filho e estripar a mulher


A faca do crime (fotos:Reginaldo Pereira)

Não consegui esconder a surpresa ao entrar na sala. Só havia uma equipe de TV, facilmente identificável. Então a quarta pessoa só podia ser “o monstro”, como o chama agora o pai da moça estripada.

Um guri.

Novo, baixinho e franzino.

De costas para ele perguntei ao motorista da TV, arregaçando as sobrancelhas: - É esse o cara?


O "monstro" perdera a fala. Suas respostas eram baixas demais, inaudíveis. A repórter reclamou depois: - Teve coragem pra fazer o que fez e não tem pra falar.

O que Alex da Cruz Martins fez foi matar a mulher com quem vivia há menos de um ano, da mesma idade, 19, com facadas. Provavelmente com o mesmo corte que fez em sua barriga atingiu o filho – o próprio filho – já com oito meses, que ela carregava. O feto caiu para fora. A mãe ficou no chão gritando por socorro e Alex foi alcançado pelos vizinhos e espancado. Não morreu porque a polícia chegou a tempo de impedir o linchamento. A ambulância também ainda encontrou a mulher viva, mas quase sem chances de sobreviver. O golpe que arrancou e matou o bebê tirou também vísceras da mãe, de acordo com o policial Antônio Sampaio, que fez o levantamento cadavérico. Pouco depois de partir para o hospital, a ambulância retornou trazendo o corpo.

INDÍCIOS

Quando Joseane Azevedo dos Santos estava grávida de três meses, teve uma briga com Alex da Cruz Martins. Ele descarregou a raiva na cômoda comprada no dia anterior para guardar as roupinhas do bebê que nasceria em março.

A mãe de Joseane, Maria Helena de Azevedo, lembra que a fúria de Alex ao destruir o objeto que serviria para o bebê deixou a família dela assustada. Em outra ocasião, o pai de Joseane, José dos Santos, 55 anos, confessa que chegou a providenciar um revólver para tirar satisfação depois que a filha se queixou de ter apanhado do homem com quem vivia há cerca de um ano, mas não casada oficialmente. “Mas ele se desculpou”, diz José chorando e lamentando a segunda chance que deu.

Alex diz que não lembra do momento exato do crime, ocorrido por volta de meio dia da Quarta Feira de Cinzas. Não lembra nem de quando deu as facadas, cometendo o duplo homicídio, nem de quando quase foi morto espancado pelas pessoas que presenciaram a briga e o assassinato. Conta que bebeu quatro doses de cachaça em um bar, enquanto esperava a chegada da carne que tinha saído para comprar. Calcula que demorou cerca de meia hora e diz que ao voltar para casa encontrou a mulher na cama “se pegando” com um homem que para ele é desconhecido e que fugiu.

O pai da vítima duvida que isto seja verdade. “Como pode ser, se a menina não ia para lugar nenhum sem ele?”, questiona José. A mãe afirma que a garota teve somente um namorado antes de Alex. “Há muito tempo”, acrescenta.

Segundo Alex, depois do flagrante ele apenas chamou a mulher para conversar, ela saiu com a carne dizendo que ia colocar na geladeira, mas correu para se esconder na casa da vizinha. Sua versão é de que neste momento ele pegou a faca e foi buscar a mulher. Joseane tentou fugir correndo, mas foi alcançada e atingida fora da casa, no pasto.

O casal morava na Fazenda Guedes, povoado de Mato Grosso, na zona rural do município de Conceição da Feira, cidade vizinha a Feira de Santana. Alex trabalhava em uma granja e era ajudado pela companheira. Segundo o policial que foi ao local do crime, os vizinhos dizem que a mulher era agredida constantemente.

Alex tem um imenso inchaço na testa, resultado de uma ou algumas pancadas que levou na tentativa de linchamento. De tão grande parece uma outra cabeça crescendo sobre a original.


Meneando a cabeça, o próprio delegado regional Fábio Lordelo parecia perplexo diante do quase menino, sem antecedentes criminais, capaz de fazer uma barbaridade dessas. Para que não fosse morto no superlotado complexo, pediu a transferência do “monstro” para o Conjunto Penal, onde há mais condições de mantê-lo isolado dos outros presos, cujo código de ética condena crimes do tipo que Alex praticou.

Posted via email from Glauco Wanderley

Glauco no Carnaval

Este blog ficou parado durante o carnaval, pois seu autor foi para a Chapada Diamantina. Foi trabalhar, escrevendo sobre a festa em Palmeiras, Mucugê e Rio de Contas, cidades que a Bahiatursa quer promover e contratou a Agência A Tarde para produzir as fotos e textos.

Então lá estava o estranho no ninho, no axé, no pagode, no frevo e em todos os ritmos dançantes (“- Por que as pessoas dançam?”, é a pergunta que sempre me faço). O carnaval é uma coisa e um lugar que me deixam perplexo, esteja eu alienado do evento, passando em frente à TV ou dentro dele.

No meu possivelmente incurável sedentarismo, acho que quem pula é pulga. Também não vejo porque andar dançando quando é mais confortável andar andando.

Não gosto da maioria das músicas nem de som alto.

Não me acostumo a falar gritando no ouvido alheio nem ao slogan “cala a boca e me beija”.

Aliás podem dizer que o carnaval é um lugar onde ocorre uma facilidade para enroscar-se no sexo oposto, mas o que vejo é muita gente zanzando pra cima e pra baixo sozinho ou em grupos, homem com homem, mulher com mulher; sobem, descem, pesquisam e continuam sozinhos. Os casais são minoria. Vai ver está todo mundo esperando eu ir embora (saio logo que possível) para começar a pegação geral que apregoam.

De qualquer modo não é lugar para procurar relacionamentos duradouros e pelo que já observei ao longo dessas quatro décadas de vida, as mulheres estão sempre nesta esperança, mesmo as mais periguéticas.

Claro que para os homens dispostos a usar técnicas de sedução do tempo do tacape sempre haverá lucro, mas a minha incompetência neste método é incontornável.

Enfim, se o sentido do carnaval é fazer uma catarse, eu não devo ter nenhuma pra fazer ou terei que achar outro meio. De qualquer modo, gosto de escrever. Ainda que seja sobre algo que não gosto, quero que saia bem escrito. E como este blog reproduz os textos que escrevo, pois serve também como arquivo, os leitores vão me perdoar a publicação destes textos. Há também fotos, umas minhas e outras boas, que são de Reginaldo Pereira.

Quem não se interessa pelo tema, por favor pule as 11 postagens abaixo.

Posted via email from Glauco Wanderley

Instrumentistas e artesãos descansam agora. Os pés também

O carnaval chegou ao fim em Rio de Contas, na Chapada Diamantina, conseguindo reforçar o aspecto cultural que é uma marca da festa na cidade. Novidades não há, já que se trata de recuperar e manter tradições. Mas houve uma renovação de público, pois além de velhinhas saudosas dançando quase freneticamente ao som das bandinhas e de crianças que dançam conforme qualquer música, havia muitos jovens que optaram pelo estilo tradicional junto ao palco exclusivamente dedicado aos clássicos.

Quem quisesse variar, era só dar alguns passos e chegar no palco mais voltado ao axé, pagode e parada de sucessos. Afinal, ficavam todos na mesma praça da Matriz. Na última noite as opções foram a energia acústica da Orquestra Sopro da Alegria e o elétrico Renan Moreira, que sem a fama das estrelas do axé conduziu o público como se fosse já um nome consagrado na mídia.

A “casa” estava mais cheia ainda, na despedida dos foliões. Mas a tranqüilidade prevaleceu. Impressiona como Rio de Contas consegue reunir no mesmo ambiente gente de todas as idades. Os pais carregam as crianças de colo. As que já andam, enquanto não bate o cansaço, correm espalhando espuma, confetes e serpentina.

“Quem não conhece isso aqui deve vir, que não vai se arrepender”, recomenda o comerciante Uilton Coelho, 52 anos. Ele mora relativamente perto, em Vitória da Conquista, a 200 quilômetros de distância. Diferente de muitos dos seus conterrâneos,  nunca tinha estado no carnaval de Rio de Contas. “Adorei. É um povo tão hospitaleiro”, diz sorrindo, acompanhado da família e amigos.

“É muito agradável, tem segurança, os banheiros organizados e sem ambulantes com isopor espalhado pela rua”, corrobora o engenheiro Otávio Gaino, 51 anos, morador de Lauro de Freitas, que faz a comparação com o carnaval de Salvador.

Só o que não se pode controlar é o ambiente musical, o mais democrático possível. Espaço garantido tanto para os carros particulares com potência de um trio elétrico tocando “Relaxe na bica”, até o hino do velório carnavalesco, aquele que trata da camélia que caiu do galho e morreu. Com direito a intervalos roqueiros, na voz e guitarras de Mark Knopfler e Dire Straits. Ano que vem tem mais.

Posted via email from Glauco Wanderley

O encontro dos figurões

fotos:Glauco

Lula, Obama e Bin Laden se encontraram. Mas não resolveram nenhum dos problemas que preocupam a comunidade internacional. Nem poderiam, porque só fizeram brincar o tempo todo, já que o encontro ocorreu no concurso de máscaras do carnaval de Rio de Contas.

São vários tipos de máscaras, mas as que se destacam mesmo são as dos bonecos gigantes. No meio da praça, no meio do povo, no meio do frevo, tudo gira em torno dos bonecos, que nem podem girar muito, já que são pesados e desajeitados. Mesmo assim, incendeiam a imaginação popular e fazem a festa esquentar ainda durante a tarde, com ajuda da animação incansável da banda Panela de Barro, uma das que se revezam no último dia da festa, para manter o pique lá em cima.

Rio de Contas tem mais gente na despedida da folia. Tem mais homens vestidos de mulher também. Invadiram até o palco, mesmo fora da programação, para um rápido showzinho particular. A quantidade e a sofisticação das fantasias aumentaram tanto que já justificariam até um concurso próprio, do tipo o homem mais feminino ou a boneca mais convincente. Mas não pode, porque ainda são olhados com ar de “sai pra lá”, por boa parte do público, principalmente os pais de crianças pequenas preocupadas com seu futuro.

Os pais zelosos foram salvos do susto do show dos travestidos no palco principal, pelo início do concurso de máscaras, que monopolizou a atenção do público no centro da folia, na Praça da Matriz, mostrando que o esforço para recuperar a força do carnaval tradicional está produzindo resultado.

O município recebeu apoio financeiro da Bahiatursa, que ofereceu R$ 65 mil, para serem usados da maneira que os gestores considerassem mais adequada. De acordo com o diretor de turismo, Gilcarlos Dantas, a fatura da festa já passava dos R$ 200 mil e ainda não tinha sido fechada. Mas ele considera que há ganhos, tanto para o comércio local quanto em termos de divulgação da cidade, que resulta em novas visitas em outras épocas.

Um que promete voltar sempre não veio a passeio e sim para ganhar dinheiro. Edvaldo Ribeiro, ou Edvaldo da Pipoca. “Ontem era meia noite e meia e eu queria ir embora, mas estava vendendo e fui ficando. É a hora de aproveitar para ganhar dinheiro”, constata animado o ambulante, que como muitos outros, veio da vizinha cidade de Livramento de Nossa Senhora, a 12 quilômetros de distância.


Robin Hood também foi. E outros bichos 


Posted via email from Glauco Wanderley

As duas bandas da meia-noite

FOTO: REGINALDO PEREIRA

Meia noite em Rio de Contas. A bandinha do município de Pé de Serra toca em um dos palcos e de repente outra aparece no chão da Praça da Matriz, acompanhada dos bonecos gigantes e um bloco de carnavalescos. Surpresas como essa da noite de segunda-feira podem acontecer a qualquer momento no carnaval de Rio de Contas. Afinal é um autêntico carnaval de rua, sem uniforme e com espaço para a criatividade.

Por exemplo, no desfile das baianas, oito – das quais sete eram homens –apareceram “vestindo” um carro alegórico “movido a jurubeba”, segundo um cartaz carregado por uma delas. O carro era só uma moldura em volta da cintura dos foliões e dependia dos passos de cada um para sair do lugar, à moda dos Flintstones. Certamente o único carro do mundo que mesmo sem rodas corria o risco de virar, dependendo do percentual de jurubeba ou outro combustível etílico no sangue dos condutores.


Carros – os fabricados em série pelas montadoras multinacionais – chegam cheios na cidade a todo momento, com três na frente e cinco atrás. Ou mais ainda, se forem transportados na carroceria de um utilitário. Eles vêm principalmente das cidades mais próximas. Este ano, Rio de Contas tem ainda mais visitantes, porque a vizinha Brumado não teve carnaval.

Os moradores se amontoam nas casas de parentes e cedem espaço para a moçada que vem curtir a festa sem muita exigência quanto ao conforto. Uma casa de dois quartos pode ser cômoda para uma família de cinco ou seis pessoas. Mas não para uma turba de 40 homens dormindo em colchonetes. O risco de faltar água é grande. Para esquecer o transtorno, os visitantes “comem água”, ouvem música e dançam. Na frente de uma destas casas, carinhosamente denominada “área escolar”, a moçada improvisou até um palco na calçada, com cantor, microfone e instrumentos.

Segundo o diretor de turismo de Rio de Contas, Gilcarlos Dantas, em 2009 a polícia militar calculou que por dia estiveram na cidade 12 mil pessoas. A sede do município tem pouco mais de 7 mil moradores. “Este ano temos mais gente, mas o cálculo só é feito após a festa. Alguns problemas acontecem, mas as queixas são poucas”, minimiza.

Tão difícil quanto harmonizar o estilo de vida pacato do resto do ano e o turbilhão momesco, é conciliar tradição e modernidade nos palcos. Mas os organizadores, com o apoio financeiro da Bahiatursa, tentam. Duas bandas tocam ao mesmo tempo em palcos separados por poucos metros na Praça da Matriz. No palco do axé, o público é mais numeroso e 100% jovem. No das músicas clássicas da folia, comandado por bandinhas de sopro e percussão, o público típico é de meia idade mas há uma surpreendente quantidade de jovens que preferem a tradição do que o rebolation e suas variáveis.

Posted via email from Glauco Wanderley

Rio de Contas revela novas baianas

fotos inseridas ao longo do texto: Reginaldo Pereira
fotos da galeria: Glauco

Na Bahia, os dias santos acabam em festa de largo; e o carnaval, na porta da igreja. Foi o que ocorreu em Rio de Contas, onde a histórica igreja de Senhora Santana foi o ponto da dispersão do desfile das baianas, depois de mais de uma hora percorrendo o centro da cidade que tem o carnaval mais procurado da Chapada Diamantina.
Para ser baiana não é preciso ter nascido na Bahia nem ter nascido mulher. Pelo menos no carnaval, encarnar a baiana é acima de tudo vestir a indumentária típica (com direito a variações ditadas pela criatividade moleca do período). Por isso ninguém estranha uma baiana com o nome de Otávio Gaino, 51 anos, engenheiro que mora em Lauro de Freitas. Ao lado da mulher Marta, também fantasiada para o desfile, ele veio curtir o carnaval na Chapada pela primeira vez, juntamente com outros dois casais amigos.


Baiana desajeitada


Baiana descolada

Em Salvador, ele já não veste a fantasia nem de folião, preferindo ficar nos camarotes quando vai ao circuito. Já na Chapada, caiu para dentro da brincadeira. “Aqui a gente se sente como se estivesse em família. Todo mundo veio somente para brincar”. Marta apoia. “Aqui é tranqüilo. Eu gostei. É como o carnaval que acontece no Pelourinho”, compara.

Mas nesta época Rio de Contas é invadida sobretudo por jovens, principalmente das cidades vizinhas. Para conciliar os públicos com gostos divergentes, são montados dois palcos, ambos na praça da Matriz, com apresentações ao mesmo tempo. Um com grupos que se dedicam a tocar as imortais marchinhas e outras canções que marcaram época. Outro oferecendo os ritmos e sucessos do momento. “No ano passado o palco mais tradicional ia somente até meia noite. Este ano, por exigência do próprio público, vai até três da manhã”, explica o diretor de turismo, Gilcarlos Dantas.

No palco “do axé” o show vai até mais tarde, praticamente até o dia clarear. O que significa dizer que em Rio de Contas são quase 24 horas de som, porque nos dias de folia cada carro, casa ou barraca para venda de bebidas e lanches pode se transformar em uma rádio particular. É música alta para todos os lados, vinda até de um “reboque elétrico”, com mais de 20 caixas de som. Tem também um mini-trio. Mini mesmo: uma carreta do tamanho de um brinquedo, mas cheia de alto-falantes, com potência para ser ouvida longe.

É um carnaval na porta de cada casa, que os moradores abandonam por alguns dias, lucrando com o aluguel dos imóveis, que pode render até R$ 1.500,00 o período.


Posted via email from Glauco Wanderley

18.2.10

Reggae e outros ingredientes para a paz em Mucugê

FOTOS: REGINALDO PEREIRA

J.Veloso (com o microfone) e seu sucessor Nando Borges (foto:Reginaldo Pereira)

“Eu falei com o pessoal da banda: - Vamos fazer reggae, que combina com a Chapada... Diamantina”. No palco, entre reggaes puros e sucessos vertidos para o ritmo jamaicano, J.Veloso justificou assim a opção pelo som que dominou o início de sua apresentação na noite de domingo no carnaval de Mucugê, cidade mais conhecida pelas belezas naturais que pela folia momesca.

O show do artista, patrocinado pela Bahiatursa, foi a maneira que os organizadores encontraram de trazer um pouco do clima carnavalesco para os muitos visitantes hospedados na cidade, que tinham passeios marcados para a manhã do dia seguinte e não podiam ir dormir tarde.

“A nossa opção deu certo”, comemorou o prefeito Fernando Medrado (PDT), ao ver a Praça dos Garimpeiros se encher. “O turista quer sossego mas não ficar no hotel assistindo televisão”.

A apresentação começou cedo, pouco depois das nove e acabou antes da meia noite. Para a juventude e os moradores da cidade, a banda Arrumba se encarregou de dar continuidade, tocando os sucessos e ritmos do momento, como pagode e axé.

Antes, J.Veloso fez a alegria de muitos jovens, mas principalmente de turistas de meia idade, relembrando artistas como Moraes Moreira, homenageando os 60 anos do trio elétrico, os 50 anos de Roberto Carlos e até Raul Seixas, “porque também combina com a Chapada”. Já que o assunto era Carnaval, teve espaço também para o frevo, executado com maestria pelos instrumentistas da banda Cavaleiros de Jorge, que acompanham o artista. Aos poucos J.Veloso foi parando, parando, parando... e o comando do show ficou a cargo de Nando Borges, que canta bem e toca melhor, mas não tem o mesmo carisma.


Se esse carro tivesse aparecido em Mucugê, JVeloso teria embarcado para Santo Amaro. Mas foi em Rio de Contas (foto: Glauco)

De qualquer modo foi o desfecho ideal para um dia de resgate das tradições, que a cidade vem ensaiando como forma de atrair um público diferenciado tanto durante o carnaval quanto no resto do ano. Blocos de mascarados desfilaram pelo centro da cidade e a programação nas ruas terminou no entardecer, com a banda de sopros e percussão Bartira (“porque o que a gente ganha, o bar tira”, me explicou um componente) puxando mulheres, crianças e homens, vários deles travestidos de mulher, sob a bandeira do cabaré do Fecha Nunca.

Os turistas entraram na brincadeira dançando, filmando e fotografando. “Eu sempre digo que toda pessoa deveria vir na Chapada Diamantina pelo menos uma vez na vida”, assume a entusiasmada alagoana Vanessa Valeriano, que está na região pela terceira vez e só espera o filho de oito anos virar adolescente para trazê-lo também para conhecer as belezas culturais e naturais baianas.

Como em Mucugê tudo tem uma marca própria, é só na segunda que sai o resultado da votação para Rainha e Princesa do Carnaval. A coroação ocorre na terça 19 horas, último dia da festa, que será encerrada pelas bandas Cidade Liberal e Coração Cigano.


Posted via email from Glauco Wanderley

Espalhe

Bookmark and Share