24.10.09

Caçamba ia despejar lixo tóxico em terreno da BR 324


No terreno que está sendo terraplanado na BR 324 foi jogada uma caçamba com óleo, flagrada pelos fiscais, que mandaram recolher (foto: Reginaldo Pereira)
Uma denúncia anônima evitou o despejo de toneladas de resíduo tóxico que seria espalhado em uma área do Centro Industrial do Subaé, onde está sendo feita terraplanagem para construção, nas margens da BR 324, em Feira de Santana.

A fiscalização da secretaria municipal de Meio Ambiente e do IMA (Instituto de Meio Ambiente), órgão estadual, foi ao local, acompanhada da Guarda Municipal. Foi flagrada uma caçamba que tinha acabado de despejar resíduo no terreno. O motorista foi obrigado a recolher tudo e levar de volta para o depósito onde a carga estava guardada desde o início do ano. Ele admitiu que tinha feito uma viagem anterior entre o depósito e o terreno. Esta quantidade não foi possível mais recolher, porque tinha sido espalhada pelos tratores. O cálculo dos fiscais é que tenham sido jogadas 8 toneladas no solo. Ao todo, segundo a fiscalização, seriam 70 toneladas.

O material é sobra do acidente ocorrido em 31 de dezembro de 2008, na BR 324, na altura do município de Amélia Rodrigues, quando morreu Joselito Moreira dos Santos, que dirigia o caminhão tanque que transportava óleo diesel. Desde então o que sobrou do acidente, propriedade da Lubrijal Derivados de Petróleo, estava armazenado em uma empresa que comercializa resíduos em Feira de Santana.

"O motorista alegou que não sabia o que seria transportado", informou o chefe da fiscalização da secretaria municipal de Meio Ambiente. Ele apresentou no depósito uma requisição simples, dizendo que levaria o produto para a Cetrel, empresa localizada em Camaçari e autorizada pelo estado a incinerar resíduos tóxicos. "Isso só pode ser feito por meio de um documento chamado Autorização de Transporte de Resíduos Perigosos", explica o coordenador regional do IMA, Anderson Carneiro. Mas ao invés de seguir para Camaçari, dirigiu cerca de três quilômetros adiante para jogar o lixo tóxico.

Apesar de apenas uma pequena parte ter sido descartada irregularmente, a fiscalização afirma que a Lubrijal será multada, porque ocorreu um crime ambiental. No município, as multas variam de R$ 50 a R$ 500 mil, mas o IMA prevê multas de até R$ 50 milhões. O caso ainda será avaliado pela fiscalização. De acordo com a lei, a multa pelo mesmo ato só poderá ser aplicada por uma das duas instâncias. Ou a municipal ou a estadual.

A mistura do óleo com o solo na terraplanagem não faria o produto tóxico desaparecer. Segundo os técnicos, quando esquenta, ele retorna à superfície. “Isso ocorreu em uma estrada aqui. O resultado é que quando os carros passavam escorregavam”, conta a fiscal Elizabeth Monteiro.

O proprietário da Lubrijal não foi encontrado pela fiscalização, porque estava viajando. Por telefone, Hudi Braga disse à reportagem que “não procede” a informação de que os resíduos estavam sendo jogados no terreno do centro industrial. Ele afirmou que não sabia que precisava do documento oficial para o transporte, mas garantiu que tudo estava mesmo sendo levado para o Cetrel. Ele planeja fazer o transporte na próxima semana, quando obtiver a documentação.

 

Posted via email from Glauco Wanderley

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